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01/10/2003 05:47
COISAS DESTES DIAS
Tenho teclado bastante nesses últimos dias, o fim de semana passei caçando no chat, e a caça rendeu uma histórinha que conto mais lá embaixo.
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SOBRE PRINCE, LEMBRAM DELE?
No meio dos papos um dia desses teclei com um carinha de Floripa, ele é mais passivo, assim como eu, mesmo assim ficamos teclando muita putaria e temos mantido contato no Messenger. Vou chamá-lo de Antonio. Trocamos foto, ele me convidou para passar um fim de semana com ele em Floripa, no qual a gente ia fazer de tudo. Ele fala muito em mim comendo ele e talz e eu digo o mesmo, apesar de ter vontade e já estar sentindo saudade de comer uma bundinha tenho medo de não sentir tesão e falhar, mas ele disse que nada a ver, teremos tempo pra fazer tudinho... Conversamos fiado um monte e numa dessas perguntei a ele se conhecia algum Prince e não é que ele disse que tinha trepado com Prince há cerca de duas semanas?? Pedi pra ele me enviar a foto do cara e comprovei que era o mesmo. Me diverti em saber disso, realmente Floripa é um ovo. Obviamente pedi detalhes da transa, pois fui praticamente apaixonado por Prince (esta fase está nos primeiros posts deste blog, inclusive a descrição erótica de nossa transa. Ficou curioso? Confira o post Bye bye "Prince"! de 21/05/2003). Antonio disse que foi apartamento do cara, tal qual aconteceu comigo, e que ele foi conduzindo ele para o quarto, treparam sem esquecer do KY que das vezes que transei com Prince também estava presente. Antonio disse que ele o comeu tocando uma punheta pra ele e que na hora de gozar tirou fora. Eu ria, pois lembrava que comigo, na primeira vez que transamos ele também tirou na hora de gozar, gozando na camisinha, o que acho muito chato. Mas o que achei interessante nesse papo foi que Antonio não gostou da transa, disse que o cara era gostoso e tudo mas que na cama era frio e parecia só se importar com seu próprio prazer, que o cara era esquisito, estranho, não falava nada. Foi exatamente essa a impressão que eu tive de Prince na época em que o conheci. O achei muito estranho, sério, calado, um tanto frio e misterioso. Não gosto de caras assim, do tipo que parece que você é apenas um buraco onde vão meter para o prazer próprio e mais nada. Mesmo assim, nada tenho a reclamar das minhas fodas com Prince pois em meu caso foram extremamente prazerosas, ele me deu muito prazer, me fez um cunete perfeito, tocou pra mim enquanto me comia, nos beijamos muito e ficamos deitadinhos colados um bom tempo após a transa. Além disso conversamos sobre vários assuntos. Talvez Prince seja vaidoso, azeite (do tipo que não se mistura), convencido e arrogante como eu pensei que ele possa ser, Antonio disse que viu uma foto dos amigos dele e que os conhece e sabe que são muto metidos e arrogantes, "se acham". Mas talvez Prince seja tímido também, daí não falar muito e ser fechado assim. Quando o vi no Mix Café há vários meses quando ainda morava em Floripa ele estava a um canto sozinho no fim da noite. Monsieur Costa, meu amigo, também o viu recentemente no bar The Pub em Florianópolis e ele também estava sozinho, das duas uma ou ele é "arrogante e bom demais pra se misturar" ou é "tímido e fechado sem chegar em ninguém e evitando que cheguem nele por sua seriedade". Antonio me disse que Prince lhe falou que terminou o namoro, sim o namoro que impediu outros encontros meus com ele na época em que eu ainda morava lá. Ah, sabe que me bateu uma vontadezinha de estar em Floripa, só pra poder ficar com o gatinho de novo?? Ele anda caçando na net de novo, e a prova disso é que combinou foda com Antonio por chat, como seria bom ficar com ele de novo, pena que estou em outra cidade agora, e pena também que ele é assim tão esquisitão.
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Hoje, teclando novamente com Antonio, descobri que ele trepou com outro cara que eu já havia trepado também, o Sandro, que eu contei a transa num conto no Mix Brasil, entitulado SÁBADO ALUCINANTE. Sandro foi o cara do pau mais grosso que eu já vi (e senti) e a penúltima bundinha que eu meti valendo nesses tempos. Antonio me disse que o cara cheira, e foi aí que liguei os fatos, lembro que eu achei ele meio maluco o dia que nos encontramos. Poxa, na certa Antonio já transou com outros caras que eu também transei, afinal, Floripa é um ovo mesmo.
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Ei, loucura!! Algumas horas atrás vi na sala de imagens do chat a foto de Ludi, meu ex, transando com um cara. Ele havia me mandado aquela foto antes de nos conhecermos. E agora já está pelas salas de bate-papo, eheh na certa ele mandava pra todo mundo, o exibido.
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ILUSÃO DO DIA
Quantos pontos pretos??
Na verdade não existem pontos pretos na imagem acima!
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ENCONTRANDO CARINHA DA INTERNET: AMIZADE
Neste domingo, 29 de setembro, à tarde, pra variar eu estava caçando no chat e teclo com um carinha que pareceu ser legal, o papo estava muito bom e acabei me identificando com ele, pois ele disse não ter nenhum amigo aqui ainda. O chato é que ele disse preferir ser passivo, assim como eu, logicamente pra transa que eu queria já não ia servir. Mas para uma amizade sim. Seguimos teclando e peguei seu telefone, combinando que no fim da tarde ligaria para que nos encontrássemos. Quase 19h fui encontrá-lo na esquina de casa, depois de combinar tudo por fone. Chamarei este cara de Denis. Como sempre, à primeira vista achei ele meio feinho, mas logo vi que não, que é bonitinho, tem lindos olhos verdes, um nariz pequeno e uma boca carnudinha, mas tem uns 5 kg acima do peso ideal. Até senti uma leve atração por ele, não sei se foi recíproca. Logo estávamos caminhando pela beira-mar, conversando sobre tuuuudo, e isso foi muito bom, começamos falando do chat e logo estávamos até contando de convites sexuais e detalhes de transas, adorei poder falar abertamente com ele, pois pessoalmente assim, acho que a última pessoa com quem me sentia tão à vontade era meu amigo Didi ainda em Curitiba. A única coisa desagradável do encontro foi quando o convidei para ir a uma pastelaria próxima de casa pois eu realmente estava com uma fome danada. Lá chegando ele avistou um conhecido e não quis entrar, daí eu disse que tudo bem que saíssemos logo dali. Putz, fiquei meio puto da cara. Estaria Denis com vergonha ou medo de ser visto comigo ali? Acho que sim. Acontece que ele tem namorada, namora há 2 anos e meio (me disse que pretende terminar o namoro em breve) e tem muita neura de que descubram que ele é tem lances com homens. Só que se ele me julgou afeminado, posso afirmar que ele é tão ou mais do que eu. Mas como namora, deve se julgar mais homem. Gostei muito dele e de nosso papo, mas não sei se será possível manter amizade de verdade, porque amigo que tem medo de ser visto a meu lado não serve pra mim. Amizade secreta eu não faço questão nenhuma. Depois da situação chata seguimos conversando por um longo tempo, o papo seguia ótimo. Começou a chover e me despedi de Denis. Ele não tem e-mail, eu disse que não vou ligar para ele pois se ele tem namorada não quero criar confusão e que entre em contato quando quiser bater um papo. Foi legal ter encontrado Denis no domingo, quem sabe nos vejamos de novo, é sempre bom trocar experiências com uma pessoa que vive mesmas coisas que a gente, que curte homem também.
     
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ENCONTRANDO CARINHA DA NET: SEXO
Depois do encontro com Denis voltei para casa e me conectei. Teclei com alguns amigos, Rick do Secret Blog, meu ex-namorado CWB, um outro carinha de uma cidade próxima que encontrarei em breve se tudo der certo, Alessandra filha de minha amiga Sonia de Curitiba entre outros. À tarde eu havia teclado novamente com uma figura com quem eu já havia combinado uma transa mas que não foi possível rolar, o que me deixou bem frustrado. O carinha já havia me enviado foto e achei bem gatinho, tem namorada, mora só. Teclamos um monte sobre diversos assuntos, contei-lhe algumas "aventuras", perguntei das dele, coisas como quando foi sua primeira vez com outro cara, se já fez a três, e outros assuntos variados e sacanas. Ele me perguntava sobre boate gay, como era, pois nunca fui em uma, quando lhe falei que havia um lugar chamado dark room ele ficou muito curioso. Depois de um bom tempo tc ele disse que tinha que sair pois a namorada dele tinha chegado. Acontece que na noite desse mesmo dia, domingo, enquanto eu teclava com meus amigos, esse cara, que chamarei aqui de Bruno apareceu no Messenger, eram 23h e 19min. O cara disse que a namorada dele havia ido embora e convidou para e ir até lá. Eu topei, mas disse que eu estava um bagaço, muito cansado e que penetração nem ia rolar, ele disse que tudo bem, que queria me conhecer e podia ser só uma pegação mesmo. Pedi para ele me ligar que eu ia inventar aqui em casa que eram amigos chamando pra sair. Ele ligou, eu me despedi dos amigos do bate-papo e fui tomar outro banho rápido, aproveitando pra fazer a chuca básica, me arrumei, fiz a barba, peguei uma camisinha pra garantir e fui pra rua.
ATENÇÃO! Relato explícito de sexo a seguir. Leia por sua conta e risco!
Eu estava cansado demais, com uma leve irritação na garganta, uma cara muito abatida, achava uma loucura tá saindo aquela hora pra encontrar o cara, mas ao mesmo tempo sabia que seria bom dar uns bons amassos, afinal a última vez fazia mais de uma semana, com o surfista na construção. Depois de caminhar um certo tempo cheguei na rua onde o cara mora, devia ser meia noite e pouco. Liguei e ele desceu. Era muito diferente da foto: diz ele que tem 20 anos e deve ter mesmo, mas na foto estava bem mais magro e mesmo sendo uma foto de perfil parecia mais bonito. No entanto não era um cara feio, é branco, cabelos lisos castanhos, olhos castanhos, meio peludinho, do tipo grande, alguns kilos acima do peso ideal, mas nada de banhas em excesso. Subimos e ficamos conversando, cada um em um sofá, o papo fluía numa boa. Em um momento ele disse "cara eu sou meio tímido, não tomo a iniciativa, eheh". Eu pedi pra ele diminuir a luz, ele desligou e deixou apenas a tv ligada, sentou-se a meu lado e começamos a nos beijar e nos acariciar sobre o sofá. Ele pediu para eu tirar o moleton e já fui tirando tudo logo ficando sem camisa, convidei para irmos para o quarto, deixando a porta aberta para entrar apenas a luz do outro ambiente.
Tiramos toda a roupa e, ambos de pau duro, nos deitamos na cama aos beijos. Bruno começou a tocar punheta ferozmente e eu dizendo pra ele ir com calma, que se ele gozasse antes da hora eu matava ele. Pedi para deitar-se sobre mim enquanto nos beijávamos e depois inverti as posições e deitei sobre ele, de pernas abertas, posicionando seu pau (tamanho normal, cerca de 14cm, não-grosso, circuncidado) no meu cuzinho, onde ele deslizava. Ele tinha perguntado se eu tinha camisinha e lhe disse que tinha uma, "que bom, porque eu não tenho, usei agora de tarde com minha namorada". Seguíamos nos agarrando e ele pegava meu pau e socava uma punhetinha pra mim enquanto eu fazia o mesmo. O cara parecia estar doidinho de tesão. Eu estava excitado e apesar do cansaço estava afim de trepar bastante. Perguntei se ia rolar uma chupeta, se ele tava afim de uma chupação e ele disse "depois". Pegava em minha bunda e logo queria meter, eu disse pra ele ter calma e ficamos nos beijando a apalpando mais um pouco. Depois deitei de bruços com a bunda empinada, o que eu queria é que Bruno caísse de boca, mas nada, pediu pra meter. Ficamos de lado, eu estava meio sequinho, mas ele não tinha lubrificante, acabei melando o rabinho na saliva mesmo. Tentou penetrar mas estava complicado e fiquei de quatro até que ele conseguiu meter. Não estava muito legal, pois não deslisava; eu gosto que o pau entre e comece a deslizar, entrando e saindo, num vai-e-vem bem legal. Mas não estava dando muito certo, talvez eu não estivesse molhadinho o suficiente. Segui dando, mas Bruno não estava com o pau 100% duro e isso também atrapalhava fazendo com que o cacete escapasse e fosse mais complicado penetrar de novo. Eu estava curtindo a foda, mas sabia que não estava sendo perfeita, não estava sendo do jeitinho que gosto. Decidi montar em cima dele e cavalguei um pouco mas logo cansei.
Mudamos de posição e ele me fodeu em frango assado, a posição que eu mais gosto. Mesmo assim não deslizava satisfatoriamente e a penetração não estava profunda o suficiente pra me fazer ver estrelas de tesão. Seguimos trepando e, poxa, acho que eu nunca falei tanto durante uma foda, como dessa vez, estou até com um pouco de vergonha pensando nisso agora. Eu dizia "assim carinha, isso mais forte, isso é assim que eu gosto, isso..." Voltamos a posição de quatro que tinha sido a que a penetração tinha sido melhor. Agora eu começava a ficar mais lubrificado e o pau finalmente deslizava do jeitinho que gosto, agora sim eu estava sentindo prazer: "Assim cara, isso, tá perfeito, é assim que eu gosto".
Fiquei dando um tempo e comecei a tocar uma bronha pra gozar com o cara socando. Meu cuzinho nesse dia estava danado e eu dava algumas contrações sem querer que acabavam expulsando o pau do carinha, foi o que aconteceu no melhor da festa: quando eu estava gozando com ele dentro contraí o cuzinho e o pau saiu no exato momento de minha gozada me fazendo pedir "não cara, mete, rápido". Ele tentou encaixar enquanto eu ainda gozava mas não conseguiu. Que chato, o bom é gozar com o pau dentro, se escapa justo nessa hora dá uma sensação de vazio e o tesão da gozada reduz muito. AAAAHHH, eu estava gozando, de quatro e Bruno disse algo tipo: "ah, agora que você gozou perde a graça de eu seguir metendo né", eu disse "que nada cara, segue metendo". É verdade que quando a gente goza o bom mesmo é o cara gozar junto, pois o cuzinho fica bem mais contraído após o orgasmo, mas mesmo assim eu ainda estava afim e queria que o cara gozasse metendo. Meu pau seguia duro enquanto eu levava vara e eu tocava outra punhetinha, cheguei a pensar que iria gozar de novo. Eu empurrava a bundinha contra o cara e fazia movimentos de vai-e-vem para ficar mais gostosinho pra ele. Lógico que funcionou e em instantes Bruno estava gozando dentro de mim.
Nos deitamos e fiquei a seu lado, o corpo encostado no dele. Lhe disse que eu precisava de alguns minutos de descanso antes de ir embora e fiquei acariciando ele, alisando, deitei a cabeça em seu peito, acariciei seu rosto, passei a mão no cabelo. Logo estávamos duros de novo, mas não tínhamos camisinha, que droga!! Eu estava afim de dar de novo, louquinho pra gozar novamente com ele dentro de mim dessa vez, mas não era possível. Me deu uma maldita vontade de tossir, e tossia tanto que cheguei a ficar com vergonha. Ainda excitados, decidimos tocar punheta e ficamos um tempão tocando lado a lado, com os corpos em contato e um beijo e outro de vez em quando. Bruno acabou gozando, segundo ele pela quarta vez, já que à tarde tinha dado duas com a namorada. Eu, com muito tesão, bem que tentei gozar com a ajuda de um dedinho passeando no cu, mas acabei desistindo. Nos vestimos e ele me levou até embaixo onde nos despedimos. Voltei para casa a pé, em torno de 2h e pouco. Chegando, fui fazer algumas coisas na internet, mas nada de caça que a foda deste domingo já valeu a pena. O que posso dizer é que foi uma transa gostosa, mas não foi nota 10. Acredito que Bruno tenha gostado, pois meu desempenho foi bem legal, mas talvez tenha ficado um pouco chocado porque sou muito bagaceira na cama, não mulherzinha, puto mesmo. Será que vamos repetir? Sei lá, se ele estiver afim eu topo, afinal, transar é bom, pra que perder a oportunidade?
That's it!
enviada por Garland
30/09/2003 07:47
MÚSICA DA VEZ:
THE BOY WITH THE THORN IN HIS SIDE de THE SMITHS
Incrível, mas as músicas dos anos 80 insistem em vir à minha mente como as minhas preferidas. Depois de um breve intervalo com Imorais de Zélia Duncan, estou de volta aos 80's com uma canção maravilhosa que para mim é a música mais marcante daquela década. Falo do hit The Boy With The Thorn In His Side do grupo The Smiths, que estourou no Brasil em 1986, 1987. A música é contagiante, passa uma alegria e o curioso é que a letra é bastante melancólica. O que eu gosto nos Smiths é justamente isso: muitas vezes Morrissey traduzia todas as dores de uma alma sofredora em letras profundas, tristes, angustiadas, depressivas e numa voz um tanto melancólica mas, paradoxalmente, as colocava em melodias contrárias, alegres, animadas. Exemplo disso é a bela canção Girlfriend In A Coma que trata de temas sérios como doença, morte, despedida mas sobre uma melodia super "pra cima". Como se da angústia pudesse ser extraída alguma alegria, como se a dor pudesse ser mostrada por uma face risonha. Outras canções neste estilo são as ótimas There's A Light That Never Goes Out, William It Was Really Nothing e Heaven Knows I'm Miserable Now com aquele questionamento que muitas vezes nós mesmos nos fazemos "in my life why do I give valuable time to people who don't care if I live or die" (porque na minha vida eu dou tempo valioso para pessoas que nem se importam se eu viver ou morrer).
O cenário musical do começo dos anos oitenta estava corroído por um grande número de bandas de pop comercial, que se alastravam através das rádios de todo o mundo com seus hits descartáveis, sintetizadores eletrônicos e letras sem sentido. Contra este cenário de insignificância poética e pobreza musical apareceram os Smiths. "The Smiths" (o sobrenome mais comum na Inglaterra) foi o nome criado pelo vocalista e letrista Steven Morrissey para a banda que, vinda do circuito alternativo de Manchester, redefiniu a música da década de oitenta como um todo. Formada em 1982 e composta por Morrissey, pelo guitarrista Johnny Marr, Mike Joyce na bateria e Andy Rourke a banda teve uma vida relativamente curta, mas significativa, repleta de momentos memoráveis e hits que tornaram-se clássicos. É inevitável se perguntar por que Morrisey e Johnny Marr escreveram e produziram tantos sucessos juntos para se separar no pico de sua criatividade, após meros cinco anos de carreira, em 1987. Incontestavelmente uma das bandas mais importantes dos anos 80, é fácil reconhecer influência dos Smiths em grupos mais recentes, como Gene, Belle and Sebastian e Suede. (Mais informações biográficas, discografia e músicas da banda podem ser encontradas aqui)
Entre os clássicos dos Smiths figura como um dos mais marcantes The Boy With The Thorn In His Side. Eu já conhecia esta canção da época em que estourou, mas não tinha muito conhecimento do restante da obra dos Smiths, admito que ainda não tenho, adoro o som da banda, mas tudo limita-se a uma coletânea que reúne os singles lançados pelo grupo ao longo da carreira, e por enquanto está bom, quando eu tiver grana o bastante para comprar outros cds ou paciência para baixar da internet o farei. Creio que meu interesse por Morrissey e sua turma foi despertado ao saber que Renato Russo era fã deles, isso na minha fase "adoro Legião Urbana". Também a leitura da revista Showbizz (que me fez buscar conhecer o trabalho de vários artistas, como deu para perceber nas outras seções Música da Vez): quando li que Zeca Camargo também era super-fã de The Smiths me perguntei o que esse grupo tinha de tão especial e tratei de comprar um cd em 23/10/2000. Ora, o que melhor do que uma coletânea para ser introduzido ao universo musical de uma banda?? The Smiths "Singles" reúne 18 canções do grupo, que fazem um apanhado da carreira trazendo muitos hits, um excelente cd.
Difícil tarefa escolher qual música dos Smiths colocar como trilha do blog, afinal curto várias músicas da banda. Creio que escolhi The Boy With The Thorn In His Side porque dentre todas é a que mais me toca, sinto vontade de sair pulando e cantando alegremente quando começa a introdução da música e adoro cantar junto no final, quando Morrissey só está nos "Oh ooow oh oh u oh lahlah uoh". Acho lindíssimo o joguinho vocal que ele faz e aquela guitarra que vai sumindo quando a música chega ao fim. Ímpossível uma pessoa que sofre não se identificar com alguma das letras dos Smiths e a letra de The Boy With The Thorn In His Side trata disso, de uma pessoa que parece sofrer, que não se adapta aos padrões da sociedade, mas que mesmo assim tem desejos pulsantes, é inconformada e questiona o fato de não a compreenderem, não acreditarem que ela também tem amor dentro de si e que também deseja amor. Obviamente me identifico com a canção.
Acompanhe a letra e sua tradução:
THE BOY WITH THE THORN IN HIS SIDE
The boy with the thorn in his side
Behind the hatred there lies
A murderous desire for love
How can they look into my eyes
And still they dont believe me
How can they hear me
Say those words
And still they dont believe me
And if they don't believe me now
Will they ever believe me?
And if they don't believe me now
Will they ever believe me?
The boy with the thorn in his side
Behind the hatred there lies
A plundering desire for love
How can they see the Love in our eyes
And still they don't believe us
And after all this time
They don't want to believe us
And if they dont believe us now
Will they ever believe us ?
And when you want to Live
How do you start ?
Where do you go ?
Who do you know?
O GAROTO COM O ESPINHO EM SEU FLANCO
O garoto com o espinho em seu flanco
por trás do ódio repousa
um assassino desejo de amor
como eles podem olhar dentro dos meus olhos
e ainda não acreditar em mim?
como eles podem me ouvir
dizer aquelas palavras
e ainda não acreditar em mim?
e se eles não acreditam em mim agora
será que um dia acreditarão em mim?
e se eles não acreditam em mim agora
será que um dia acreditarão em mim?
O garoto com o espinho em seu flanco
por trás do ódio repousa
um saqueador desejo de amor
como eles podem ver o Amor em nossos olhos
e ainda não acreditar em nós?
e depois de todo esse tempo
eles não querem acreditar em nós
e se eles não acreditam em mim agora
será que um dia acreditarão em nós?
E quando se quer viver
Como você começa?
Para onde você vai?
Quem você conhece?
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The Smiths é uma das bandas que mais teve a dizer nos anos 80, influenciando toda uma geração. Foi uma banda com personalidade que deixou várias pérolas e marcou seu nome na história da música com canções de grande sensibilidade (talvez sensibilidade que só a homosssexualidade seria capaz de fazer aflorar). Morrissey, como poucos, soube traduzir em palavras, em canções, as dores, angústias, questionamentos, revoltas que iam na mente de muitas pessoas que viveram os anos 80 e daquelas que conhecem nos dias de hoje o legado da banda. Semana que vem uma nova canção pintando aqui no radinho Dirty Pearls. Até lá!
That's it!
enviada por Garland
30/09/2003 07:08
CONTO Caio Fernando Abreu DO MÊS
Sei que ninguém ou quase ninguém lê os contos de Caio Fernando Abreu que eu coloco aqui no blog todo mês. No entanto, não acho inútil, pois vez ou outra recebo algum comentário e quem sabe por acaso alguém leia o conto e seja apresentado à bela obra de C.F.A. Apenas isto já serve como motivo para seguir com esta seção em meu blog. Outra razão é que revisito a obra de Caio todo mês, relendo e escolhendo os textos mais significativos para mim, e isso é sempre uma coisa feita com prazer.
O conto escolhido para este mês de setembro que chega ao fim é Além do Ponto presente na obra MORANGOS MOFADOS de 1982, mas retirado da versão revisada por Caio em 1995. Escolhi este conto porque é um dos que mais gosto, bem no estilo Caio, escrito de um fôlego só, sem paragráfos, e tendo a chuva que tanto gosto como uma presença constante que dá ao conto um ar de melancolia. Existe um certo desespero, uma ânsia de chegar a algum lugar e a algo/alguém mesmo que seja sob forte e incessante chuva. Imaginar essa figura encharcada esperançosa caminhando na chuva, fazendo conjeturas e planos que talvez não tenham possibilidade de se realizar é algo que causa uma sensação de desilusão. Também optei por este conto neste mês porque lembrei de um banho de chuva que tomei recentemente e de um poema/letra de música de minha autoria que postei aqui no blog, entitulado Dentro da Chuva, em que deixei um pouco da subjetividade e das divagações do conto de lado. Agora, vocês podem conferir o conto de onde colhi fragmentos e os reuni e rearranjei em forma de canção. Boa leitura!
ALÉM DO PONTO
Para Livio Amaral
Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chhuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do nariz endurecia logo sobre os pêlos, eu enfiava as mãos avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças d'água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me espernado quente e pronto. Um carro passou mais perto e me molhou inteiro, sairia um rio das minhas roupas se conseguisse torcê-las, então decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. Era a mim que ele chamava, pelo meio da cidade, puxando o fio desde a minha cabeça até a dele, por dentro da chuva, era para mim que ele abriria sua porta, chegando muito perto agora, tão perto que uma quentura me subia para o rosto, como se tivesse bebido o conhaque todo, trocaria minha roupa molhada por outra mais seca e tomaria lentamente minhas mãos entre as suas, acariciando-as devagar para aquecê-las, espantando o roxo da pele fria, começava a escurecer, era cedo ainda, mas ia escurecendo cedo, mais cedo que de costume, e nem era inverno, ele arrumaria uma cama larga com muitos cobertores, e foi então que escorreguei e caí e tudo tão de repente, para proteger a garrafa apertei-a mais contra o peito e ela bateu numa pedra, e além da água da chuva e da lama dos carros a minha roupa agora também estava encharcada de conhaque, como um bêbado, fedendo, não beberíamos então, tentei sorrir, com cuidado, o lábio inferior quase imóvel, escondendo o caco do dente, e pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta. Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar dauela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombors, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo batendo mesta porta que não abre nunca.
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Mês que vem tem mais!
That's it!
enviada por Garland
30/09/2003 04:34
FILMES VISTOS RECENTEMENTE:
A PROFECIA
Assisti dia 22 de setembro, segunda-feira da semana passada, a um filme que há tempos eu queria ver mas nunca encontrava em locadora nenhuma, pelo menos não em vídeo. Pois bem, em dvd o filme está disponível com vários extras interessantes e faixa de comentários. Finalmente assisti a A PROFECIA (The Omen, 1976, EUA, com Gregory Peck, Lee Remick, David Warner, direção de Richard Donner) e acho que agora sim posso dizer que assisti a todos os principais filmes de terror que se tornaram clássicos e influenciaram muito do gênero: O Bebê de Rosemary, O Exorcista, A Profecia, O Massacre da Serra Elétrica, Carrie, Halloween, Alien, O Iluminado e Poltergeist para citar alguns. Infelizmente, como minha vontade de saber mais sobre a história do filme era grande, cometi a burrada de ler o livro de David Seltzer alguns anos atrás e, naturalmente, isso tirou o impacto e o ineditismo da história, pois eu já sabia o que aconteceria ao longo do filme e o como a história terminava.
Mesmo assim achei The Omen muito bem feito e interessante, realmente com qualidades para ser um clássico do cinema de horror e suspense. A trama do filme, que utiliza uma passagem do Apocalipse da Bíblia que prevê a chegada na terra do anticristo, é a seguinte: embaixador americano (Gregory Peck) adota uma criança na mesma noite em que seu filho recém-nascido morrera. Anos depois, um padre visita o embaixador, fazendo terríveis revelações sobre a criança adotada. Auxiliado por um fotógrafo, o embaixador irá investigar a verdade sobre a morte de seu filho e a origem da criança que ele cria como sua. Enquanto isso misteriosos acontecimentos e mortes giram em torno do garotinho, Damien.
O filme segue à risca o livro, tendo sido muito bem adaptado. Apenas uma coisa me deixou frustrado, próximo do desfecho quando a tenebrosa senhora Baylock ataca Thorn, o embaixador: no livro assim que Thorn livra-se de Baylock com ela aparentemente morta e entra no carro com Damien o cão ataca o veículo aterrorizando ambos, nisso Thorn consegue escapar e surge Baylock novamente e Thorn acaba atropelando-a. Esta cena do ataque do cão e da volta de Baylock teria tido um grande impacto na telona. Engraçado foi ouvir depois a faixa de comentários do diretor do filme dizendo exatamente o que eu mesmo me perguntava "O que aconteceu conosco? Era neste momento que o cão atacava o carro e Baylock ressurgia, porque não filmamos esta cena? Algo irremediável, perdido para sempre."
Interessante ver a complexidade de algumas seqüêcias e a criatividade dos produtores para criar cenas de impacto (efeitos digitais na época eram escassos e era preciso recorrer a soluções práticas e criativas). A queda de Katherine Thorn, com o aquário se espatifando no chão, e a cena da decapitação são exemplos perfeitos disto e se tornaram momentos memoráveis desta obra.
Um elemento que eleva The Omen a um outro nível é a magnífica trilha sonora de Jerry Goldsmith, premiada com o Oscar. Com certeza A Profecia seria um espetáculo bem menos interessante se não fosse a perfeição das composições de Goldsmith, utilizando o canto gregoriano para criar um clima tétrico e gótico perfeito para a temática do filme.
A Profecia é um excelente filme, principalmente levando em conta a época em que foi realizado, em que tripas, gargantas cortadas e muito sangue ainda não eram coisas obrigatórias em um filme de horror. Logicamente, em comparação aos filmes de hoje, A Profecia talvez não tenha tanto impacto, assim como O Exorcista, absurdamente assustador à época de seu lançamento chega a causar gargalhadas nas platéias dos dias atuais. Mas The Omen é um filme muito bem realizado, intrigante, com uma história interessante, cenas memoráveis e boas doses de terror psicológico. NOTA: 9,0
AS HORAS
Na sexta-feira, dia 26 de setembro, assisti a AS HORAS (The Hours, 2002, EUA, com Nicole Kidman, Meryl Streep e Julianne Moore, direção de Stephen Daldry). Meu interesse no filme estava mais em conferir a atuação do trio central de atrizes do que na história do filme em si. Duas delas foram indicadas ao Oscar por este filme, sendo Nicole Kidman para melhor atriz e Julianne para melhor atriz coadjuvante. Nicole acabou ganhando a estatueta dourada. O filme obteve 9 indicações ao prêmio da Academia, entre elas a de melhor filme e melhor diretor. Eu sabia da existência de um toque lésbico na história e isto despertou minha curiosidade pelo filme, bem como o fato de retratar a vida de Virginia Woolf, uma figura enigmática, autora do livro Orlando que eu li e achei interessante.
As Horas, no entanto não me cativou, achei um filme bem realizado, de interpretações primorosas, mas a trama em si me pareceu aborrecida, poucos foram os momentos em que me senti comovido ou realmente emocionado com o que via na tela. É mais interessante a forma e os modos como a história é contada do que a própria história em si, que me pareceu um tanto tediosa. A sinopse do filme é a seguinte: Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1950 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.
The Hours é um filme de momentos sensíveis, algumas cenas intensas e delicadas e interpretações inspiradas. Aliás, considerei a interpretação de Julianne Moore melhor do que a de Nicole Kidman que foi agraciada com um Oscar. Talvez por não ser a única estrela de As Horas e dividir seu tempo em cena e sua importância na trama de forma igualitária com outras atrizes talentosas, a interpretação de Nicole tenha sido um pouco diluída no filme e não parece algo tão excepcional como era de se esperar.
As Horas é um bom drama, que joga com o tempo, indo e vindo durante três épocas, mostrando de forma intercalada um dia na vida de cada uma das três mulheres, que trazem dentro de si elementos em comum, um mistério que as une. O filme explora a alma feminina de uma maneira notável. Mas as belas interpretações, a produção e a edição caprichadas de As Horas não evitam que ao término o espectador tenha a sensação de que assistiu a um filme chatinho que, no fundo, pouca satisfação proporcionou. NOTA: 7,0
That's it!
enviada por Garland
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