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04/04/2004 08:41
PARA RIR E REFLETIR
Meu ex e amigo CWB me enviou isso por e-mail. Achei divertido e interessante. Eu que ultimamente ando só me atolando na merda acho que vou começar a pensar um pouco antes de sair cantando por aí. Certas coisas é melhor a gente guardar pra gente mesmo, pra não ser visto como um mala e não dá atestado de que tá por baixo. É preciso buscar perceber o momento em que se abrir sobre os problemas e tristezas vai nos ajudar ou vai apenas gerar pena, irritação ou mesmo a satisfação de alguns que mais querem é nos ver na merda mesmo...
That's it!
enviada por Garland
04/04/2004 06:14
MÚSICA DA VEZ
LUKA de SUZANNE VEGA
LUKA é mais um clássico dos anos 80 que aparece aqui na trilha do Dirty Pearls. Há flashes em minha memória do clipe da canção que assisti provavelmente no Video Show, quando eu ainda era criança. A canção me marcou. Não que tenha uma letra muito significativa, mas o ritmo e a voz de Suzanne Vega são fáceis de gostar, a música é gostosa de ouvir e não envelheceu. Sempre gostei dessa canção, acho que por causa do "my name is Luka", o nome Luka sempre soou legal pra mim. A música faz parte do segundo álbum de Suzanne, Solitude Standing, de 1987.
Não conheço quase nada do som dessa cantora, mas acho a voz dela e o estilo de suas canções bem legal, o estilo de pop feminino que eu curto. Outra música dela bastante marcante para mim é Tom's Diner, aquela do "tatatara tatarara", tão "clássica" quanto Luka. De fato são as duas dela que conheço, mas depois desse post tive um interesse pelo trabalho da cantora e estou baixando no Kazaa as canções presentes na coletânea Retrospective, de 2003.
Existe também um cd de 1998 chamado Best Of. Qualquer um dos dois é uma ótima maneira de conhecer o trabalho de Suzanne Vega. Confira abaixo a letra de Luka e sua tradução, e cante junto!
LUKA
My name is Luka
I live on the second floor,
I live upstairs from you
Yes, I think you've seen me before
If you hear something late at night
Some kind of trouble, some kind of fight
You Just don't ask me what it was
I think it's 'cause I'm clumsy
I try not to talk too loud
Maybe it's because I'm crazy
I try not to act too proud
They only hit until you cry
After that you don't ask why,
You just don't argue anymore
Yes, I think I'm OK
Walked in through the door again
If you ask, that's what I'll say
It's not your business anyway
I guess I'd like to be alone
Nothing broken, nothing thrown
Just don't ask me how I am
LUKA
Meu nome é Luka
Moro no segundo andar,
No andar de cima ao seu
Sim, acho que você já me viu antes
Se ouvir algo tarde da noite
Algum tipo de problema, ou de briga,
Simplesmente não pergunte o que foi
Acho que é porque sou desajeitada
Procuro não falar muito alto
Talvez seja porque sou louca
Tento não parecer muito orgulhosa
Eles só batem até você chorar
Depois você não pergunta mais por quê
Você simplesmente não discute mais
Sim, eu penso que estou bem
Entrando pela porta de novo
Se você perguntar, isto é o que direi
Isso não é dá sua conta
Eu acho que gostaria de ficar sozinha
Nada quebrado, nada jogado
Simplesmente não pergunte como estou
Quem é super-fã de Suzanne Vega é Fernanda Takai, vocalista da banda que eu adoro, Pato Fu. Por sinal cadê o Pato Fu hein gente? Adoro o jeitinho da Takai cantar e pelo que sei foi por curtir Suzanne Vega que ela aprendeu que o legal é cantar baixinho e perto do microfone. Falando nisso Pato Fu logo aparecerá aqui na trilha do blog e vcs poderão em breve também ouvir a minha performance vocal estilo Fernandinha, preparem-se, tô adorando essa de pagar mico cantando aqui né? Hehe, mas calma vou esperar um pouquinho até se refazerem das minhas versões-bésha-desafinada de Over The Rainbow e 2 Become 1, ehehe .
Saiba mais sobre Suzanne Vega acessando:
Site Oficial
Site em português
.........
Em breve outra canção marcante poderá ser ouvida no radinho Dirty Pearls. Té mais!
That's it!
enviada por Garland
02/04/2004 05:39
RAPHA, GARLAND E O PAPO SÉRIO Nº 1
Depois daquele papo no Msn em que ficou triste (ver post anterior) Rapha deu um breve sumiço e não entrou nos dias seguintes. Pensei que ele estava magoado comigo pelo meu lance com Kiko e pelo fato de a gente estar longe, e por isso preferiu se afastar de mim. Mas, na virada de quarta-feira, 24/03, para quinta Rapha apareceu no Msn, disposto a terminar tudo comigo. Eu havia acabado de postar os dois últimos mega posts da série de 3 sobre a novela Kiko. Ficava evidente o quanto Kiko era importante pra mim e como eu vinha sofrendo com aquele meu lance com ele. Qualquer um que lesse aqueles posts pensaria que eu estava apaixonado por Kiko. Ainda mais Rapha, que, depois de ter passado ótimos momentos comigo, me via escrevendo apenas sobre Kiko e sem nem mesmo citar seu nome em meu blog, como se ele não significasse nada para mim. No final do post eu havia dito que queria deixar a história de Kiko de lado e me dedicar a algo bom que estava acontecendo entre mim e Rapha, talvez ele tenha pensado que fosse usá-lo como válvula de escape. Tivemos um "papo sério" que coloco a seguir algumas partes significativas:
25/3/2004 00:52:25 RAPHA: Li as coisas que você escreveu no blog, dai minha cabeça deu uns nós, rsrsrs. ai ai. Mas deixa assim. Rsrsrs.
Seguimos teclando e não demorou muito Rapha me intimou:
25/3/2004 01:02:37 RAPHA: Tenho uma boa. simples e objetiva. O que você quer comigo? Seja sincero. E não se preocupe com a resposta. :)
GARLAND: poxa me coloca contra a parede assim?
RAPHA: hahaha. Desculpa, mas as vezes é mais prático e não sei enrolar muito não. rsrsrs
GARLAND: não é questão de enrolar, é que nossa situação não é tão simples assim! Tu sabe que se não fosse o fato de não termos lokal e de moramos em cidades diferentes eu já queria estar namorando com vc desde o dia que te conheci.
RAPHA: Sim sei disso.
GARLAND: pzeh... ah to até meio confuso agora. Só que eu quero você, gosto de vc, estar contigo, me sinto bem com você e tenho atração por você... Conversamos a respeito de namoro, e nossa decisão foi só ficar pra evitar sofrimentos e talz pela distancia e falta de local. Só que vc sabe que quem só fica não tem compromisso! Então se aparecer alguém na vida do outro, ou mesmo uma transa ae teoricamente a pessoa não poderia ter ciumes, brigar, ficar mal etc... pois nao é namoro........ mas sei que na real n é bem assim, n é facil assim e pelo que sei vc quer mais que isso pra tua vida.
RAPHA: Penso que é difícil para nós dois termos uma relação mais séria nesse momento. Primeiro porque sinto que você não está totalmente livre do fantasma kiko. Segundo que como você mesmo disse essa história de só ficar não é tão fácil, a gente acaba se envolvendo com a pessoa, e sentir ciumes, sentir falta, querer ficar junto não é uma coisa que se controla facilmente. Terceiro a impossibilidade da gente ficar junto quando quer, é mais um ponto crítico para uma relação. Também pelo menos comigo acontece isso, embora eu esteja só ficando com você não consigo procurar mais alguém, ter novas experiencias, isso me bloqueia de certa forma.
GARLAND: é, tbem naum procurei ninguem nem senti vontade de procurar desde que te conheci... Bom... Então ficamos assim? apenas amigos agora.
RAPHA: Ai que merda. Mas acho que é a solução. Não vejo outra no momento. Me sinto mal, mas acho que é melhor a fazer mesmo. Antes agora que mais tarde.
Nesse momento eu chorava. Que foda! Eu gostava daquele cara e tá vendo tudo acabar assim não tava sendo nada fácil pra mim.
GARLAND: Para mim está sendo legal sentir o que sinto por vc, mas sei que sou meio complicado, tenho esse lance de Kiko, tem o fato de eu nao lidar bem com lance de tá longe da pesoa que gosto e nao ter ela perto qdo preciso e desejo, etc etc... eu não acho justo com vc e tbem naum sou egoísta a ponto de querer que vc me queira nessas condições, nem que se envolva demais por mim, sendo que tá foda a gente ter algo mesmo... Se pelo menos vc nao soubesse de meu blog e soubesse cada coisinha que eu sinto, talvez pudessemos manter as coisas numa boa, só ficando e talz... mas essa de ficante lendo blog eu sabia que nao prestava mesmo, eehhe... mas acho que nao vou mais me envolver sentimentalmente com ninguem que leia aquilo lá.
RAPHA: Não concordo com você nesse pensamento. Acho que foi muito bom eu saber das coisas que você sente. Foi por você daquele jeito que me interessei. Não por um Garland que não conhecia.
NAMORADO/FICANTE LENDO O BLOG: PODE CRER, BOA COISA NÃO DÁ!
Eu sabia que Rapha tava querendo desmanchar comigo justamente pelo fato de acessar meu blog e ter lido coisas lá que ele não gostou. Aquilo me dava raiva, eu achava tão injusto! É verdade que eu também não achava justo com ele o meu lance com Kiko, eu entendia as razões de Rapha mas a real é que se ele não soubesse de meu blog ele não estaria acabando comigo! Justo agora que eu estava disposto a me dedicar ao meu lance com ele, pensando até mesmo em enfrentar um namoro a distância! Eu sabia que essa de namorado ou ficante ficar acessando o blog não dava em boa coisa, ou a gente evita tocar em certos assuntos no blog (o que para mim é inconcebível, pois tenho o blog para contar as coisas que me afetam, se é para esconder assuntos ou inventar mentiras prefiro matar o blog) ou corre o risco de o cara ler coisas íntimas que pode não gostar e isso fuder de vez a relação. Argumentei com Rapha a respeito:
25/3/2004 01:28:42 GARLAND: É, mas vc há de convir que se vc nao ficasse lendo esses lances com Kiko, que é apenas UMA parte da minha vida que nesse momento por acaso decidi enfatizar lá, vc não ficaria mal, etc... eu conversaria com vc a respeito, explicaria, o que eu achasse necessário e que nao te deixasse em nóia ou mal e naum vc sabendo de tudo assim dessa forma, porque leu lá. Eu não postei quase nada a respeito do que sinto por voce lá justamente por vc tá lendo e eu nao me sentir a vontade ainda, por isso dei enfase a esse lance de Kiko... o que nao quer dizer que o meu lance com vc nao estivesse me mobilizando tambem, eu em breve ia falar lá o que eu tava/tô sentindo por vc... agora vc vai lá e só ve Kiko kiko kiko kiko é logico que vai pensar que kiko é td pra mim.. Mas é só uma parte das coisas que to vivendo que decidi por lá, UMA parte... e vc como tem acesso, le aquilo já acha que aquilo é TUDOOO pra mim porque só falo sobre isso lá... nd ve. eu entendo que vc queira uma pessoa que seja só pra vc, que só vc seja importante pra ela, que nao pense em outros caras etc... Porra, agora quem garante que vc vai estar com alguem e que esse cara nao vai tá pensando em outro, nao vai tá sofrendo em segredo por alguem, um ex, sei lá o que?? Só que por vc estar na ignorancia desses fatos vc vai tá feliz, nao vai tá sofrendo, vai se char o exclusivo, o eleito... acontece que comigo, pelo fato de vc ler aquilo lá ae vc ja fica sabendo meus pensamentos mais intimos, que eu penso isso e aquilo, penso ou sofro por outros.... sem blog vc pode tá envolvido com alguem que passa pelos mesmo problemas e tu nao vai saber. Por que? porque sao coisas intimas e se nao tá sabendo tá na inôcencia e tá feliz. ou vc acha que se vc nao tivesse lido aquelas coisas vc não ia tá numa boa comigo?? nao ia se permitir algo mais... tu nem saberia da missa a metade...... e se permitiria tentar ser feliz. É óbvio que eu nao ia jogar sujo com vc, pois nao é meu feitio nao faço isso com ninguem mas ao menos EU teria a opção de explicar as coisas a meu modo, ou de tentar me dar uma chance pra ser feliz... e vc tbem ia ter essa chance...
Eu estava puto da cara com o fato de Rapha estar querendo me dar um pé na bunda porque lia meu blog, eu sabia que se ele não lesse a história seria bem diferente. Por um lado cheguei a pensar que era bom que Rapha lesse mesmo para saber bem com quem estava se envolvendo e me gostasse como sou, mas depois percebi que certas coisas íntimas nenhum conhecido deve saber, ainda mais um cara que a gente é afim ou que é afim da gente.
SOTERRANDO
Quem me conhece sabe que eu escrevo demais, tc demais e às vezes falo demais. Às vezes soterro os amigos que tc comigo, eu engreno e não paro mais, tc e tc, muitas vezes não dou nem tempo de a pessoa ler e comentar, são poucos os que acompanham meu pique no Msn, Marcinha é uma que consegue, acho que Monsieur também. Não é que eu só fale de mim sem parar, aí sim seria insuportável, eu sempre sou super atencioso, mas minha mente tá sempre borbulhando e eu escrevo demaaais, muitos acham isso um saco pois sobrecarrego a pessoa e tem aqueles que não dão conta. Nessa noite particularmente atolei Rapha de tal forma que ele nem conseguia tc comigo direito.
25/3/2004 01:41:43 RAPHA: A gente tem que se ver para conversar mesmo. Não consigo comentar o que você comenta. Escrevo algo e você já vem com outra coisa. Não te acompanho por aqui. Hoje até quase fui a BC para gente ter essa conversa agora. Mas não deu. Ai Garland. Vc não me entendeu. né.
GARLAND: bom Rapha, eu já nao sei o que falar nem o que sentir. O que eu entendi é que vc nao quer mais nada comigo. foi o que entendi!
RAPHA: sim é isso. Mas vc não entendeu bem o porque.
GARLAND: acho que isso é o melhor pra vc, mas lamento dizer que pra mim isso não é o melhor... mas eu entendo perfeitamente teu lado. Na verdade é foda mesmo querer ter algo mais, eu até torcia pra que vc achasse alguém legal por ae e fosse ser feliz, porque eu naum to em condições de porra nenhuma estando longe... nem de ir levando no dia-a-dia pra ver se a coisa evoluía. Ah, tá bem, naum vamos dramatizar a situação tbem... Eu to confuso agora e preciso "realizar" as coisas agora, pensar. A gente segue na boa como amigos, vou tentar ser um bom amigo;)
Aqueles dias não estavam sendo fáceis pra mim, havia meu lance com Kiko que estava me deixando malzão, percebia que a cada dia minha amizade com o muleke degringolava, em grande parte por culpa minha. Eu me entristecia com aquilo e agora o fato de Rapha estar me dando um pé tinha tudo pra me deixar no fundo do poço. Mas eu já estava cansado de sofrer e definitivamente não estava afim de deixar que o término com Rapha me deixasse pior ainda.
25/3/2004 01:49:31 RAPHA: Vou dar um jeito e ve se consigo ir sábado até ai ok. Dai a gente conversa melhor. Não quero escrever por aqui para você não me entender nada errado. e para você ver como me sinto também. Talvez até vá antes se conseguir.
GARLAND: não, acho que não quero que vc venha, desculpe. Eu to muito sensivel agora, eu quero evitar me sentir pior, nada de climao, melhor nao te ver, nada de explicações cara a cara, eu só vou me sentir mal. Eu queria te ver, eu ia pedir pra vc vir passar um dia comigo aqui, fim de semana, mas pra coisa boas... coisas ruins não quero, desculpa. Ficamos assim tá. vai ser melhor pra mim. Eu já entendi teus motivos.
RAPHA: Só te falo uma coisa. Vc é importante para mim. Se vc acha que eu to me sentindo bem aqui não sabe a metade tá. To uma merda, to me sentindo um lixo, uma droga. To chorando. Gosto de você e talvez você me entendido. Mas realmente agora não é a hora. è melhor a gente pensar um pouco sozinho mesmo. Queria te ver para você ver como me sinto mesmo mas tudo bem, talbez não seja melhor a gente se ver mesmo. E talvez você me entendesse melhor ao vivo. Mas...
GARLAND: eu nao sei de nada, só sei que to me debulhando aqui de chorar, e se vc vier me dizer coisas cara a cara ae eu nao sei, acho que vou me sentir muito ruim... Bom, sei lá... talvez valha a pena a gente se ver e por ponto final pessoalmente mesmo. Só que tenho medo de me sentir mal... te vi tão poucas vezes e todas foi legal, pra coisas boas e legais... papo brabo vai ser dificil pra mim. Mas tudo bem, se pra vc eh importante conversar pessoalmente comigo entaum tá bem podemos nos ver... Nesse encontro a gente já tenta "transformar" as coisas em amizade.
RAPHA: tudo bem, por hoje acho que o papo já foi brabo o bastente.
GARLAND: É. bom, desculpa qualquer coisa...é que, bom, eu tava decidido a me dedicar a esse lance que tava rolando entre nós... de repente ter que perder isso tbem não é legal pra mim nesse momento... mas, bom, vamu levando a vida ehehe... não posso ser egoista, não contigo:)
RAPHA: Eu sei que não é um bom momento para você. O que me deixa pior na situaçao. so to piorando as coisas para você. Sinto muito. Preferia que não fosse assim. Acredite.
Nos despedimos, 02:11:53, eu pensando que teria que me conformar, estava tudo encerrado entre nós, a partir de então era AMIZADE, nada mais. Mas, na quinta-feira, 25/03 tive uma surpresinha.
Well, acho que esse post já atingiu o limite de tamanho suportável né? Não vamos exagerar. A minha história com Rapha ainda traria mais emoções, só que o que aconteceu no meu lance com o gatinho vou contar muito em breve, vamos ver se dou conta de todos os acontecimentos em apenas mais um post. Até!
That's it!
enviada por Garland
02/04/2004 04:51
SOBRE PAPOS DE MSN AQUI NO BLOG
Gostaria de dizer que nunca fui a favor de transpor trechos de conversas íntimas de Msn ou chat no meu blog, aliás raríssimas vezes fiz isso, mesmo eu estando totalmente envolvido no diálogo não acho legal isso pois acabo expondo outras pessoas e a opinião delas aqui. O blog é para EU expor a mim mesmo, não a terceiros. Mas nesses últimos posts achei necessário e prático fazer isso pois, tanto com Kiko como com Rapha, os papos foram tão reveladores e significativos que o melhor mesmo foi colocar os diálogos aqui em vez de ficar falando com minhas palavras o que foi dito entre nós. Além do mais vocês já devem ter percebido o quanto eu me exponho nesses papos, o quanto "abro meu coração", acho que colocando o próprio diálogo aqui acabo abordando muitos assuntos que talvez exigissem um post especial. Logo volto ao estilo do blog e paro de usar esse artifício de postar trechos de conversas.
That's it!
enviada por Garland
31/03/2004 08:19
NOVELA RAPHA TAMBÉM?
Nas últimas semanas houve algo que me "mobilizou" além da tal história com Kiko: meu lance com Rapha. Como o cara lê meu blog não me senti muito a vontade para escrever a respeito aqui e fui adiando e adiando, o que não significa que não tenha sido importante para mim as coisas que se passaram entre nós. Mas agora chegou o momento de relatar tudo e falar sobre essa nossa história.
(Que tal algumas fotinhas comportadas do gostoso Dick McKay para decorar o post? Eu prefiro ele de cavanhaque, que acho mais sexy, mas ele é um tesão de qualquer jeito não acham?)
Dia 19 de março, sexta-feira, encontrei Rapha na pequena cidade de ###, eram 22h e meu pai e mãe haviam acabado de me deixar naquela cidade, de onde eu seguiria de carro com Rapha para Florianópolis, para o baile de formatura de meu amigo Monsieur Costa.
Entrando no carro de Rapha, eu estava meio sem-graça, meu traje estava com um cheiro enjoado de algo que quis embolorar (eu não havia posto para arejar, achei que não precisava, mas quando tirei da mala tava um cheirão, ehehe, tentamos dar um jeito em casa com uns produtos mas não resolveu grandes coisas). Rapha me deu o cd que gravara para mim, Dirty Pearls Vol.1, e eu pus no som do carro e fui conversando sobre as músicas boa parte do caminho, até que o cd deu pau. Durante a viagem rolou mão na perna, mas com Rapha ao volante não me arriscava a nenhum carinho mais ousado ou duradouro.
Chegando em Floripa apanhamos Bernardo, ex de M. Costa, e seguimos para a casa de nosso amigo. Eu já estava meio enjoado da viagem, normal, sempre enjoo mesmo. Chegamos na casa de M.Costa e fomos ao quarto dele onde Rapha mexeu no pc enquanto esperávamos o tempo passar para irmos para o baile.
Fomos os quatro para o Lagoa Iate Club e lá tiramos algumas fotos na câmera digital de Rapha. E a noite foi passando e a gente ali conversando. Eu estava um pouco cansado de ficar em pé e, apesar de não ser muito chegado em baile de formatura (não fui nem no meu!), eu estava feliz de estar ali com Rapha e meu amigo Monsieur, duas pessoas que eu gosto. Depois de dançarmos um pouco e darmos umas voltas pelo clube decidimos ir embora, eram aproximadamente 4h.
Deixamos Monsieur em casa e Bernardo em frente a seu apartamento no centro da cidade e, a partir daquele momento a noite era só nossa. Havíamos combinado que iríamos aproveitar a ocasião para irmos a um motel para a gente se curtir, afinal não é sempre que nos encontramos e precisamos aproveitar bem as ocasiões em que isso acontece. Tanto eu como Rapha nunca havíamos ido a um motel. Na verdade eu queria apenas estar a vontade com Rapha, o lance do motel era o de menos, se era chique ou uma espelunca, me importava poder beijar e tudo mais com o carinha que eu estava curtindo.
Dando uma volta de carro na beira-mar norte logo avistamos um luminoso: Millenium Motel. Chegando no motel, um motel bem legal, chique, todo automatizado, fomos para o apartamento numa certa expectativa. Eram aproximadamente 4h e 30min e estávamos Rapha e eu naquele ambiente cheio de espelhos estratégicamente colocados de modo que para onde se olhasse era possível ter uma visão do que acontecia em cima da cama. A hidromassagem chamou a atenção e já me antevi com o carinha lá dentro no maior amasso. Era uma situação nova para mim, um local que eu não conhecia e o fato de eu estar ali com Rapha, que eu havia encontrado apenas duas vezes até aquele encontro, tudo isso me deixava um pouco tenso, somando-se ao fato de que eu tinha feito minha chuquinha antes de sair de casa e já haviam se passado várias horas, provavelmente já tinha vencido (hehe devem se perguntar porque me importo tanto com isso não é? Bom, depois de uma vez que comi um gordinho e o cara passou um checão daqueles que a bunda ficou toda lambuzada, a idéia de me ver pagando um mico desse não me agrada nem um pouco!). Rapha provavelmente percebeu que eu estava meio ansioso naquela situação nova para mim.
ATENÇÃO! Relato de foda entre caras, leia por sua conta e risco!
Eu temia dá uma broxada básica, mas depois de ter ido ao banheiro conferir se tava tudo ok pra levar vara, me vi excitadão logo que comecei a beijar Rapha em cima daquela cama. Sinal de que com Rapha tenho o tipo de tesão que basta um beijo ou mesmo um toque para ativar, isso é bom. Rolou amassos e chupadas minhas em Rapha (ele não-chupa-não-faz-cunete-não-dá, claro que gosto dessas coisas, mas com ele não fazia falta realmente, nunca me importei de ele não sentir-se a vontade com isso, sexo tem outras possibilidades e essas a gente aproveita bem), muito beijo e depois de um bom tempo de carícias, boquete, punheta e mordidinhas eu já estava altamente excitado e afim de penetração. Pedi para Rapha pegar uma camisinha e aproveitamos que havia lubrificante ao lado e fizemos o "lambuzo". Então o carinha iniciou penetração, comigo na posição de frango assado. Fazia quase um mês que eu não dava, sendo que a última vez havia sido com o próprio Rapha em nosso primeiro encontro, aqui em BC. Doeu, o pau de Rapha é grosso e meu rabo tava desacostumado de levar rola. Mais tarde vi que eu havia sujado os lençóis: gotas de sangue. Té parecia que Rapha tava tirando meu cabaço, eheh, fala sério!
Fodemos gostoso em várias posições: de bruços, de lado, cavalgando, de quatro. Às vezes eu lembrava de olhar os espelhos, principalmente o do teto em que via o cara sobre mim e tinha uma visão de sua bundinha gostosa. Gozei com Rapha metendo em mim, eu queria que ele esporrassse dentro de mim, pois da outra vez que trepamos ele tirara e gozou comigo tocando punheta para ele. O fato se repetiu e, com meu rosto deitado sobre o peito de Rapha, toquei uma punheta para ele que ele finalizou jorrando jatos gostosos. Uma gota atingiu meu rosto. Ficamos um tempo agarradinhos e depois fomos ao banheiro para um rápido banho. A intenção era entrarmos na hidromassagem para um relax e o segundo round.
Dentro da banheira, com a água quentinha e a espuma, Rapha e eu ficamos nos acariciando e depois de por camisinha tentamos uma transa, com penetração dentro da água. Mas estava difícil a movimentação e decidimos ir para a cama novamente. Lá, comigo de bruços Rapha começou a me comer bem gostoso. Fizemos várias posições e saímos da cama de forma que fiquei em pé meio debruçado sobre a cama com Rapha em pé me fodendo. O tesão tava forte e acabei tocando uma e gozando no chão, enquanto Rapha me arrombava. Depois, comigo deitado, Rapha seguiu me comendo e eu estava louco de vontade de gozar novamente, mas não conseguiria pois fazia muito pouco havia esporrado. Fiquei de quatro e Rapha iniciou uma movimentação em meu cu que era uma verdadeira tortura sexual, tortura de prazer. Ele metia lentamente, deslizando devagar, quase retirando e pondo por completo o pau a cada estocada. Eu gemia como um doido pois o prazer era imenso mas eu não podia extravazar em forma de orgasmo. Parecia que eu estava à beira de um orgasmo anal, ficamos vários minutos nessa foda louca que me torturava, até que não aguentei mais aquela sensação e pedi um tempo para Rapha. Logo continuamos na mesma posição, com Rapha intensificando as metidas até finalmente gozar dentro do meu cu.
Depois fomos para a hidromassagem e ficamos um tempão relaxando lá dentro, agarradinhos e aos beijos. Dei umas chupadas em Rapha e depois ele se posicionou um pouco em cima de mim de modo que eu podia acariciar seu cuzinho com os dedos e esfregar meu pau duro como se fosse penetrá-lo. Rapha dava umas gemidinhas gostosas. Ficamos um bom tempo nesse arreto. Fiquei louco de vontade de cair de boca no cuzinho dele, mas ali dentro da hidro, com aquela espuma toda, ele teria que ficar em pé, seria desajeitado e desisti da idéia. Eu estava até um pouco constrangido, meu pintuxo nesse dia tava tão pequeno em comparação ao de Rapha e nem sempre estive em ponto de bala. Ficamos tocando uma punhetinha e nos acariciando na banheira. Mas sem dúvida o mais especial de estar ali era poder estar bem abraçadinho descansando com Rapha, fazendo carinho em seu rosto, sentindo o toque dele, dava vontade de ficar pra sempre daquele jeito, tava perfeito aquele momento da gente. Creio que cheguei a falar com ele que aquele era exatamente o tipo de momento que Jewel descreve na canção This Way, que havíamos escutado no carro horas antes: quando tudo está tão gostoso que a gente quer ficar para sempre desse jeito.
Depois de um tempão na hidromassagem e com os dedos enrugados de tanto ficarmos embaixo d'água decidimos que era hora de irmos embora e fomos para o banho. Lá, embaixo do chuveiro fiquei excitado novamente e, com o pau de Rapha roçando meu cu, iniciei uma punheta. Mas eu não gozaria facilmente uma terceira vez, e desisti. Nos vestimos e saímos do Motel em torno de 8h e 10min da manhã. Duração dos amassos: aprox. 3h e 30. Valor do motel: aprox 60 reais. Quem bancou foi Rapha, não achei muito legal, eu até tinha grana para dividir, mas pensei "da próxima vez é por minha conta".
Exaustos pegamos a estrada rumo a BC. No caminho cantávamos ao som dos cds de Coldplay, Creed e Marisa Monte. Chegando em BC em torno de 9h me despedi de Rapha e o carinha retornou para sua cidade.
......................
CONVERSANDO COM RAPHA
Domingo, 21 de março, à tarde tive meu primeiro "papo sério" com Kiko (já falei a respeito no post do dia 23/03) e depois de dar umas voltas pela city voltei pra casa profundamente deprimido e me conectei no Msn. Eram 21h e comecei a tc com Rapha e falei pra ele que eu vinha me sentindo muito só e queria ele comigo, que eu estava triste, acabei contando do papo que tivera com Kiko à tarde, mesmo sem achar aquilo justo com Rapha, mas ele perguntou pois, como amigo, queria tentar me ajudar. Em um momento Rapha me perguntou "21/3/2004 21:26:22: Garland, mas conversa séria. Se o Kiko fosse um carinha mais responsável, você namoraria ele né? Sinto que você gosta bastante dele."
Respondi que não sabia. Muitos dos leitores dese blog devem se fazer a mesma pergunta, mas, como respondi para Rapha naquela ocasião, conheci Kiko sem querer me envolver, conheci ele para sexo, mas daí me dei bem com ele, na cama e fora dela. Acontece que por Kiko ser novinho e ser sem-vergonha, trai, engana, mente eu jamais namoraria com ele, se ele fosse diferente talvez até desejasse isso, mas EU NÃO QUERO NAMORAR ELE, só gosto dele, tenho atração por ele, mas entre sentir isso e querer o cara só pra mim, querer namorar, aí é outra história.
Outro ponto interessante do papo foi quando Rapha disse:
21/3/2004 21:39:11RAPHA: Sabe na viagem de ida e depois teve outros pequenos momentos também. Senti em certo momento que vc não tava muito a vontade, sei lá, não sei se era timidez, não sei. Uma impressão que tive. Não sei bem ao certo como exemplificar. Meio que com medo de mim. Não sei dizer direito.
Humm então ele percebera! Respondi: não sei... acho que não.. eu me sinto a vontade com vc. Tipo lá no motel eu estava com um pouco de medo, mas não de vc e sim de por ser uma situação nova eu não me excitar ou algo assim... mas qto a vc não, eu me sinto bem com vc.
RAPHA: no motel assim que a gente chegou notei algo em vc, talvez fosse o que vc explicou agora. Não sei. Na ida achei que vc não tava muito a vontade ou sei lá o que, sabe aquela história de que o corpo fala?
GARLAND: sim, mas é só porque era um local e uma situação nova pra mim. Sim, sei... mas na real não estava muito a vontade naquela roupa, cheiro enjoado, essas coisas...
RAPHA: hahaha é mesmo talvez por isso.
21/3/2004 21:44:08 GARLAND: ah sei lá, gosto de vc, eu sinto um pouquinho de ansiedade às vezes mesmo, meio que sem saber como agir, mas não é nada COM vc, é coisa minha mesmo;)
Realmente ainda me sinto um pouco tímido em companhia de Rapha, às vezes ele me parece ser um cara tão sério, fico com receio de bancar o trapalhão ou falar muita bobagem. O fato de a gente se ver só às vezes também não ajuda para que eu sinta-me à vontade logo de cara quando nos encontramos. Mas sempre é algo inicial que logo passa, à medida que vamos conversando eu descontraio. Como eu disse é uma coisa minha, com certas pessoas sou um pouco mais tímido mesmo, com outras não. Com umas a timidez logo passa, como no caso de Rapha, com outras fico travado o tempo todo. Normal.
Surgiu também o papo do sexo oral, falei que era óbvio que eu gostava, um 69 sempre é bom, mas que me satisfazia com nossas transas do jeito que eram, não fazia muita falta ele me pagar boquete. Ele disse que não faz boquete por receio de se atrapalhar, um pouco de nojo talvez e que o que pega mesmo é falta de vontade, que quando sentir vontade aí faz na boa. Falou que até sentiu vontade de me chupar naquela vez da pegação no ônibus, mas como já estávamos chegando não rolou.
A essa altura Kiko já havia aparecido no Msn e paralelo ao papo com Rapha aconteceu de o muleke pedir para eu adicionar outro carinha e tc e, bem essa história já contei também em outro post (o de 24/03). Depois desse episódio chato com Kiko retomei meu papo com Rapha e comentei o que acabara de acontecer. Em certo momento falei a principal razão de eu tá mal com aquilo tudo:22/3/2004 01:19:17 (...)sabe o que é, eu to desesparadamente tentando manter amizade com o Kiko. Tá sendo foda ver tudo absolutamente tudo desmoronar... e eu não vou ter nenhum amigo, nem meio amigo nem nada aqui em BC. Hoje eu estava péssimo por causa disso, simplesmente me dei conta de que não tenho ninguem aqui... ninguem pra sair, pra conversar, pra rir... e o muleke ainda é o mais proximo de um amigo que tenho... mas tá tudo virando uma merda.(...).
Rapha me deu uma força e algum tempo depois nos despedimos. Nessa mesma noite postei o primeiro post de uma série de 3 sobre a novela Kiko.
............
Na segunda-feira, 22/03, em torno de 1h da madruga, Rapha entrou no Msn e me falou que havia lido o post sobre Kiko. Eu me sentia até um pouco sem graça, pois, depois da ótima sexta-feira que passamos juntos eu postara sobre Kiko em vez de postar sobre meu encontro com Rapha. No post sobre Kiko eu falava claramente o quanto o garoto significava para mim, o quanto eu gostava dele e o quanto meu relacionamento com ele me afetava. O que Rapha pensaria? O que qualquer um pensaria: que o encontro com ele não tinha significado grandes coisas pra mim, que ele mesmo não significava grandes coisas para mim, pois eu só sabia falar de Kiko no blog, deixando ele e os momentos que passamos juntos de fora. Acontece que, como já falei, o fato de Rapha ter acesso a meu blog me bloqueia um pouco na hora de escrever sobre nós dois e sobre meus sentimentos relacionados a ele, e por isso mesmo preferi me dedicar à história Kiko, ao menos Kiko não lê meu blog. Meu lance com Rapha eu deixaria para posts futuros.
Nosso papo foi curto mas significativo naquela noite, vou colocar aqui uma parte:
23/3/2004 01:18:29 RAPHA: Li teu post about Kiko. Rsrsrs.
GARLAND: Percebi. Deve ser um saco pra vc essa historia né...
RAPHA: Não é um saco. Na verdade não to me entendendo muito bem nisso tudo.
GARLAND: Desculpa, se eu pudesse te deixaria por fora disso... mas... naum posso, vc lê.. é melhor que leia mesmo e saiba como sou complicado. Pergunte claramente o que vc nao entende?
RAPHA: Não consigo formar uma idéia clara para falar a verdade. Não sei. Ai to confuso! Desculpe. E to um pouco malzinho por isso também, e nem sei o motivo exatamente. Um rolo na minha cabeça. Rsrsrs
GARLAND: Imagino que sim, desculpe também... às vezes me sinto um canalha com vc.
RAPHA: eu sei que vc não tem intenção nenhuma.
GARLAND: Eu gosto profundamente de vc. Como eu queria tá com vc... mas naum dá! entaum eu vou levando a vida... Ontem andando na praia eu quis mto vc comigo, precisei de vc. dae eu me senti triste. é por isso que eu não to podendo me permitir te amar pra valer, plenamente, pois sem ter vc pra valer só vou sofrer... entao eu te amo assim, desse jeito louco tentando seguir minha vida por aqui.
RAPHA: Não to conseguindo falar com você agora. to me sentindo triste. Não sei o que pensar, o que falar. Quero ficar sozinho. Amanhã a gente se fala, é melhor para mim, tudo bem?
23/3/2004 01:34:20 GARLAND: Tudo bem... ah, não fique mal tá? hj sou eu quem te peço! te gosto. Não fique triste por favor.
Foi a primeira vez na vida que disse a um cara que o AMO, eu nunca falei essas palavras para nenhum bofe, nem mesmo para meus namorados, nunca me senti seguro e a vontade comigo mesmo para falar isso pois é algo muito sério para se dizer para alguém. Vejo pessoas como o Kiko que dizem "te amo" como quem diz "oi tudo bem", uma coisa que não vem de dentro, algo no calor do momento, falso ou sem sentimento, da boca pra fora. Eu jamais faria isso, eu valorizo muito a frase "eu te amo", nunca diria sem sentir. Dessa vez, com Rapha, me senti a vontade para dizer isso. Claro que nesse contexto maluco em que a usei, a expressão pode parecer sem o mesmo impacto, como um "te amo pela metade", mas acho que só o fato de eu ter dito a esse cara que o amava, mesmo que de um modo meio louco, já demonstra o quanto ele vinha sendo especial para mim naqueles dias.
Mas a "novela Rapha" traria reviravoltas... Bom, esse post já está grande demais, tem ainda, para quem tiver interesse em ler, o mega post do meu afastamento de Kiko aí embaixo que também postei hoje. Logo continuo esse texto sobre meu relacionamento com Rapha. Até!
That's it!
enviada por Garland
31/03/2004 07:20
KIKO: INTERVALO PARA DESCANSO OU AFASTAMENTO PRA VALER?
Bom, havia prometido deixar a novela Kiko de lado no blog, mas aconteceu um lance que precisa ser colocado aqui: decidi me afastar dele. No sábado teclei no Msn durante um tempão com Marcinha (minha amiga blogueira, leitora e "comentarista" assídua do Dirty Pearls) a respeito de uma decisão que ela tomara e decidira por em prática naquele dia. Foram horas de bate-papo, nos damos muito bem, como ela diz, temos "química" no Messenger. Foi uma ajuda mútua pois ela tem enfrentado problema semelhante a essa meu com Kiko: gostar de uma pessoa que não gosta da mesma maneira da gente e sofrer com isso. Talvez eu estivesse sob influência do longo papo que tivera com minha amiga a respeito da necessidade do afastamento nesses casos, mas o fato é que após um papo sério com Kiko, muito mais sério do que aquele outro papo sério (post de 23/03), decidi não procurar mais o muleke. Bom, na verdade eu nunca o "procurava" realmente, era sempre ele quem ligava, nos outros casos nos encontrávamos no Msn e ele vinha dando oi. Digamos que a expressão mais adequada nesse caso seja "cortar contato" com o muleke.
Há algum tempo meu relacionamento com Kiko vinha me fazendo mais mal do que bem, mais por neuras minhas mesmo do que pelo próprio muleke que na verdade se manteve sempre o mesmo ao longo de meses de "amizade". Acho que o estopim de todo o stress foi o início do namoro do muleke. Quando teclávamos no período em que ele estava nos EUA sempre alimentei a idéia de que em seu retorno a gente ia transar de novo, tantas coisas que ele me dizia, as punhetas que tocava pra mim na webcam, enfim eu me iludi, Kiko estava carente e sozinho e na seca lá e também embarcou nessa de demonstrar interesse em ter algo comigo na sua volta. Mas quando retornou e iniciou namoro firme com Tavinho tudo "mudou" como ele mesmo repete inúmeras vezes.
Era justamente para testar Kiko e saber se tudo havia mudado realmente que eu armei um plano naquele sábado. Eu havia teclado com o XXX, aquele garoto do Msn que Kiko pedira pra eu tc naquela vez que deu confusão entre nós, e o tal garoto me contou que Kiko o havia convidado para ir na casa dele na segunda-feira para foderem. Agora era o momento de eu sondar Kiko e saber a quantas andava a confiança do muleke em mim e se ele manteria aquela farsa do "sou uma nova pessoa, sou fiel, mudei".
Às 20h e 43 min Kiko apareceu no Msn e começamos a teclar. Inicialmente falamos sobre Tavinho, o garoto havia jantado na casa dele, lá, com a mãe de Kiko e tudo. Kiko parecia feliz de Tavinho estar freqüentando sua casa como amigo e ter caído nas graças de sua mãe. Kiko disse que o garoto andava meio estranho ultimamente (bom, eu sempre achei Tavinho "meio estranho", até aí nenhuma novidade), mas Kiko falou que havia algo errado que ele não sabia o que era. Kiko me falou que Tavinho havia falado de mim no banho, sobre "chuca", da vez que dei dicas para Tavinho a respeito. Fiquei puto ao saber que Tavinho havia comentado sobre mim para rirem às minhas custas, porra eu sempre fui tão legal com o muleke, sempre dando altas dicas pra ele que era cabaço, ouvindo ele babar ovo pra Kiko e me pedir dicas sobre foda com o cara, conversando e sendo atencioso mesmo quando tava louco de vontade de mandar à merda, pra depois virar isso: foi só Kiko voltar e arregaçar o rabo dele pra ele se desfazer de mim, nunca mais me procurar e ainda trazer nossas conversas à tona para rirem de mim. "Ele viu o caninhu e falo olha o caninhu da Garland", falou Kiko. Sou um imbecil mesmo, que me sirva de lição! Perguntei para Kiko se Tavinho fazia a chuca e Kiko disse que achava que não. O papo então girou em torno de chuca e cheque, falei: "a bésha vai dizer agora que o cu dela é limpinho por natureza?? ahah fala sério, ou ela vive cagando teu pau ou ela faz chuca, das duas uma." Kiko disse que nunca fazia chuca e que nunca tinha passado um cheque num cara, daí falei: "tudo beim, nãoo vou dizer que o pau saia um sorvete de lá de dentro neh... tbem ja dei sem fazer chuca e nao passei cheque... mas dae a dar todo dia sem nunca fazer chuca e nunca passar cheque ae é fantasiar demais né, hehe".
Quebrado o gelo "introduzi" o assunto importante, o tal teste que eu queria aplicar em Kiko:
27/3/2004 21:51:02 GARLAND: bom tenho uma proposta. Te ver pessoalmente! segunda-feira! bom vc amanhã num vai brincar de fazer neném com a Tavinho né, que tal segunda a gente se ver, eu ae na tua casa... a gente pode se curtir!
KIKO: num sei.....pode ser
GARLAND: é que quero ficar contigo, mas quero vc no descanso eheh pra eu te dar uma canseira daquelas!
KIKO: hehe a mais vadyyyaaaa. ah tpo segunda...deixe me ver...eu falei de sair c o XXX. Mas kero o Tavinho. Mas eu n kero o XXX kero soh sair c ele to dizendo q quero algo a mais p ele sair comigo senaum ele n sai....akelas bem bunitas...soh kero o meu Tavinho.
Vi que Kiko ia seguir me enrolando, mas ao menos admitiu que havia chamado o XXX para sair, embora não tenha dito que havia convidado o cara para ir na casa dele. Provavelmente Kiko se adiantou ao dizer que havia chamado XXX pra sair pois sabia que eu teclava com o carinha também e era provável que ele tivese me dito algo.
Segui me oferecendo, que se o XXX não quisesse eu queria, etc, bem vagabunda e saquei que Kiko não tava interessado em ficar comigo na segunda nem em outro dia. Ele não espichou o assunto. Teclamos sobre outras coisas momentaneamente e ele perguntou sobre meu relacionamento com o meu bóphie (Rapha), se era namoro ou o quê. Falei que era como um namoro, nos tratávamos como namorados, mas pelo fato de morarmos em cidades diferentes havíamos decidido que namoro sério não daria certo e poderíamos vir a ficar com outras pessoas. Kiko então falou que ele, mesmo a distância, era capaz de manter-se fiel a Tavinho pois tava curtindo muito o cara, amava ele, que tinha mudado e não queria estragar tudo com uma aventura e blá blá blá, enfim o mesmo discurso de sempre.
Kiko me interpretou mal quando disse para ele se cuidar que podia ser apenas ilusão inicial, que era preciso tempo para saber se era amor mesmo ou apenas empolgação passageira de começo de namoro (faz pouco mais de 2 semanas que estão namorando pra valer). Ficou magoado comigo. Acabei falando que eu tinha tesão nele e que queria que as coisas fossem como antes.
KIKO: ta ok.... eu entendo perfeitamente mas tipo....tah acho q por eqto eu n vo fikr c ngm....porque n tenho necessidade....(...) mas n rola....se entaum tu quer uma posicao minha...por enqto eh isso tpo aahhhh sei la droga gostu muito de vc
A intenção era pôr Kiko contra a parede para tentar descobrir até onde ele levaria aquela história do "mudei, sou fiel, amo Tavinho" e o quanto eu importava para o muleke, o quanto ele gostava de mim, se seria capaz de dizer com todas as letras que não queria mais nada comigo por que não queria mesmo ou se usaria a desculpa do "amo Tavinho" para me descartar. Nesse caso eu ficaria muito puto pois sabia que ele estava mentindo, já que marcara foda com outro na segunda. Eu queria que o muleke fosse sincero comigo! Perceber que ele já não confiava mais em mim me entristecia e irritava profundamente, eu não queria isso pra nós.
Decidi rasgar o coração, apelando um pouco para o exagero (obs: o papo está editado):
GARLAND: eu tbem gosto de vc... ah porra mew, desculpe, eu gosto pra valer de vc, tipo foram poucos os caras com quem me senti tão bem na vida saca? naum é "amor" de te querer pra mim e talz essas coisas, tu sabe que nunca fui assim contigo... é te gostar mesmo saca, te achar legal, tá feliz contigo e te querer bem... e nisso tudo rola desejo por vc, porra, foi perfeito com vc, rola mto legal, se tivesse sido uma merda e naum houvesse algo bom entre nós eu nem ia querer saber de mais nada e nem ia tá aqui fazendo propostas e te cantando saca? (...) eu gosto de NÓS juntos saca?? será que tu entende? naum te querooo pra mim, po até curto a tavinho... me amarro no namoro de vcs... só que eu gosto de NÓS juntos tbem...
KIKO: eu sei...entendo tb me sinto bem contigo coisa e tal...mas tpo eh mto foda isso td me deixa mais e mais confuso...pois gosto muito de vc... (...)
GARLAND: mas eu posso fazer um big esforço e colocar na minha cabecinha que TU não ker naaaaaaaada comigo, é só tu me dizer isso... dae tá blz, naum te perturbo nunca mais, eheh mas quero seguir teu amigo! É só que tipo, quando to contigo sinto vontade de nao só te ver, mas de te tocar e talz... um lance de pele... bom, sorry, mas posso tentar mudar isso ae.
KIKO: ah eu sei, mas n eh q eu n queira e tpo quero....mas n agora.....agora q eu to feliz, fiel...tpo n kero q vc axe q to t usando p um dia qdo eu precisar usa o Garland de step. n eh isso.
GARLAND: (...) o lance de usar naum é problema, até porque sei que eu vo tá curtindo tbem e é uma troca, pois naum te devo nada nem vc me deve nada... (...) eheh ah desculpa, é que qdo te fiz proposta de foda pensei só em nós dois, imaginei que vc podia deixar o Tavinho um pokinho de lado, ainda mais por saber que ia ser só um momento da gente, que nao vou pegar no teu pé e que quero mais é que vc se de bem com o Tavinho cada dia mais... (...) por isso fiz essa proposta, tipo, seria algo nosso que saindo dali acabou (...) well, sorry migu.
KIKO: eu sentia isso antes de eu conhecer ele e de estar c ele... mas agora tdo mudou meu da onde imaginaria meu namo jantando aqui? nunk hehe
GARLAND: é verdade... putz, desculpa, me sinto mal. só queria que vc desligasse o botaozinho Tavinho e ativasse o botãozinho Garland por algumas horas, depois ligava o Tavinho de novu, eheh... mas nao é simples assim. Bom só quero que tu saiba que o que eu sinto por vc eu acho legal demais, é algo assim desprendido sem posses e talz, é curtir mesmo e me sentir bem com vc a ponto de querer mais que apenas te ver e conversar contigo, me entende? qdo te vejo tenho vontade de te abraçar heehhe. Carência:? quem sabe, só sei que te gosto. num to gamado, tarado obsecado, só me sinto bem com vc. Só isso.
KIKO: eu tb acho legal ficar c vc, tpo akele dia de nos ficamos aqui soh conversando depois rindo das musicas nos beijando e tals foi legal. eu sei..te entendo pq sinto o mesmo por ti mas....a funcao Tavinho ta on...
GARLAND: entaum tá Kiko, ehehe... po agora fiquei sem graça, eheh. Cada vez complico mais as coisas, ehehe... mas sei lá, to feliz de tá conversando com você e dizendo o que sinto... a gente tc durante um mes e po a gente falava de ficar de novu, punheta junto na cam e talz... de repente vc ficar exclusivo da Tavinho não me bateu legal sabe? acho que eu deveria ter imaginado, fui burro!! e eu ia saber que vc ia mudar? eheheh
KIKO: hehe eu achava q nunk ia mudar masssss mudei tava na hora.
GARLAND: bom tudo tem sua hora, ehhe. bom depois dessa nem sei mew, to muuuuuito sem graça, nem sei com que cara vou olhar de novo pra vc, bah. (todo esse discurso pra justificar que eu só queria uma trepadinha boa contigo! ehehe)
KIKO: aih ta morre aqui ngm fala mais nd eu tb keria fude contigo e era isso mas mudo tdo na minha vida.
Insistente ao extremo intensifiquei a putaria e segui me oferecendo, era a perda total da dignidade, mas por uma boa causa, queria testar todos os limites. Mas chegou um momento em que foi preciso parar, estava claro que Kiko manteria aquela linha bom moço, eu mesmo já começava a me sentir um canalha por estar pressionando tanto o muleke que "amava seu namorado e havia mudado, queria ser fiel". Tava na cara que ele não mudaria de opinião comigo e manteria aquilo até o fim.
GARLAND: só tenho tesao em ti p enqto e pronto ok... (...) num vo dizer que vo tá seeempre disponivel, mas no momento ainda nao tirei de mim o tesao que tenho em nós dois se curtindo ok? mas vo te respeitar e num vo mais te aporrinhar falow;) a puta oferecida vai dá lugar a menina comportada c vc, eheh
KIKO: ah e q fique claro vc n me enche c isso soh q eh ruim fik dizendo mil coisas q n sao o q vc realmente esta afim no momento.
GARLAND: putz tu sabe que eu num quero isso né mew? cara nuncaaaa diz coisas que num tá afim tá? te dou uma camassada de pau.
KIKO: hehehehe te adoro guri e eh bem por isso melhro ser sincero...
Depois disso conversamos algumas amenidades e Kiko ficava alguns instantes sem tc comigo, provavelmente tc com XXX que também estava on. Em certo momento simplesmente escrevi:
28/3/2004 00:52:04 GARLAND: bee querida! eu te gosto muuuito, te desejo e me sinto beim contigo, amigooo te amuuu, sério. mas eu vou dá sumiço da tua vida tá? eu to sem graça, num papel desagradavel... naum quero te pressionar, tu tá beim e tem direito de ser feliz sem um mala no teu pé, ehhe. Não vou mais te procurar, acho que vai ser melhor assim! Sigo te gostando e td mais. Um dia a gente se fala. Um super beijo, te gosto.
E bloqueei ele no Msn, sem nem esperar resposta. Ele então entrou com outra conta de e-mail, mas eu também havia bloqueado. Senti um alívio incrível no meu peito ao fazer isso, afastar-me, me senti bem, como que liberto. Desde então não desbloqueei Kiko. Ele também não me procurou: não ligou, nem escreveu. Kiko é orgulhoso e provavelmente espera que eu vá atrás dele, que eu não resista, assim como tantos bofes que ele já deu pé e sempre foram atrás dele novamente. Bom no meu caso não levei um pé, quem optou pelo afastamento fui eu. Quanto a ir atrás e procurá-lo ou desbloqueá-lo, sem chance de isso acontecer.
Lógico que tem sido difícil para mim, eu penso em Kiko diariamente, vejo ele on e bloqueado no meu Msn e lembro de como era legal tc com ele, sinto falta dele é verdade, mas também me sinto bem. Na real é cedo ainda para sentir saudade ou uma falta que dói, tanto de minha parte quanto da dele, o que incomoda é a perspectiva de que por ser um afastamento isso vai se prolongar. Na verdade estou fazendo mais um teste para tentar descobrir até quando o muleke vai resistir sem me procurar, até que ponto eu sou/era importante para ele. Mesmo tendo Tavinho e outros carinhas para suprir suas "necessidades" de atenção Kiko irá vencer o orgulho e me procurar? Ele pode viver sem minha presença numa boa?
Tenho a consciência de que fui um dos melhores amigos que Kiko já teve, fui sempre atencioso, divertido, prestativo, um verdadeiro "suporte" como o próprio muleke falou. Não vou ser tão facilmente deletado da vida dele, e é lógico que ele não será da minha tão fácil assim, apesar dessa minha tentativa. Mas, se ele não vier atrás para uma conversa, tentando uma reaproximação, eu não o farei e ficaremos nessa indefinidamente: podemos nos falar hoje mesmo, ou daqui há uma semana, um mês, um ano, nunca mais... Depende dele.
Amizade e Sexo são duas coisas que em uma amizade intensa como vinha sendo a nossa são como água e óleo, não se misturam. Não adianta insistir. Algumas pessoas até conseguem, mas com um verdadeiro amigo não se pode trepar sem que isso FODA com a amizade também. Pelo jeito Kiko não quer sexo comigo quer só amizade (afinal ele já tem Tavinho para foder diariamente), decidi me afastar dele justamente por não me sentir capaz de levar adiante essa amizade junto com o DESEJO que sinto por ele, tentar deixar de sentir ou sufocar isso seria algo que me faria mal. O fato de pressionar o muleke, sendo que ele pode estar sendo sincero ao dizer que realmente ama Tavinho e deseja ser fiel, também me pareceu cruel com ele e degradante para mim. Não fiquei muito convencido de seus argumentos e dessa máscara de "sou um novo homem" dele, mas decidi dar uma chance e acreditar que ele realmente deseja ser fiel, mesmo com algumas evidências contrárias. Me expus e me esculhambei muito nesses últimos papos, puta e oferecida ao extremo, não saberia nem com que cara olhar nos olhos do muleke agora que ele tem certeza absoluta de que exerce poder sexual sobre mim. Eu só sei que estava precisando de um tempinho e dessa experiência afastado do muleke, se voltarmos a manter contato quero recuperar um pouco da dignidade que perdi em nossos últimos bate-papos, voltar a ser indiferente, como quem não sente mais desejo por ele. Vou levando o tal afastamento adiante, sem maiores sofrimentos, apenas a exaustão de não tirar Kiko do pensamento. No geral tá sendo bom estar alheio ao garoto, já tava mesmo cansado dessa novela... Só que intuo que esse ainda não é o FIM.
That's it!
enviada por Garland
29/03/2004 02:18
CONTO Caio Fernando Abreu DO MÊS
O conto do mês de meu escritor favorito é um tanto grande, mas é excelente, está entre os meus preferidos. A homossexualidade se faz presente de uma forma delicada, nada explícita, relatando o surgimento do interesse entre dois homens. Como o próprio sub-título diz o tema preconceito também aparece neste belo conto, o maldito preconceito que a tudo quer destruir. O último parágrafo eu considero muito lindo e sei até decor. Aqueles Dois faz parte do livro mais famoso de Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados. É um conto tocante, apenas comece a ler e você logo saberá do que falo, vale a pena, vença a preguiça e confira!
AQUELES DOIS
(História de aparente mediocridade e repressão)
Para Rofran Fernandes
- "I announce adhesiveness, I say it shall
be limitless, unloosen il
I say you shall yet find the friend you
were looking for."
(Walt Whitman: So Long!)
I
A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra - talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.
Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa - fados, astros, sinas, quem saberá?conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.
Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los - ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.
II
Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste - e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade - de certa forma, também em nenhuma outra -, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.
Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.
Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.
Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.
III
Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.
Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.
Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperanças e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.
Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.
Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.
IV
Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.
Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.
Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava - vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda -, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.
V
Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.
No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.
Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe - eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.
Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes - ninguém, mundo, sempre - e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.
Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.
Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.
Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias - e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro - ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.
Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.
Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.
Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.
That's it!
enviada por Garland
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