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13/05/2004 21:31
OS OUTROS ENCONTROS COM RAPHA
Faz um tempinho já que aconteceram os encontros e por preguiça nem relatei aqui, mas vamos lá, merecem ser contados.

Atenção! este post contém descrições de sexo entre homens, com palavras vulgares. Se isso não faz teu estilo melhor nem ler, baby!

ENCONTRO TRÊS
Rapha havia mandado imprimir (ou revelar, sei lá) em Florianópolis as fotos digitais de sua viagem ao Rio de Janeiro e me convidou para pegá-las com ele na terça-feira. Achei legal a idéia de irmos a Floripa e passar a tarde juntos, aceitei o convite.

Na terça-feira, 27/04 pela manhã me levantei, tomei um banho e chamei uma moto-táxi para me levar a rodoviária. Eu estava com pouquíssima grana pois não havia recebido meu aluguel (e ainda não recebi, 2 meses atrasado, my god!), Rapha teria que me emprestar grana em Floripa. Na rodoviária de BC, comprando a passagem avistei 10 reais no chão, ebaaa tão bom achar dinheiro, coisa rara, melhor ainda quando a gente tá duro. Eram aproximadamente 11h quando peguei o ônibus rumo a Tijucas, lá eu encontraria Rapha e iríamos de carro a Floripa.

Eu não havia tomado café da manhã, não demorou muito iniciou meu tormento: comecei a passar mal. Quem acompanha meu blog sabe dessa minha "frescura" de enjoar quando ando de ônibus, ou mesmo de carro. Não é sempre que isso acontece, mas nesse dia infelizmente aconteceu o tempo todo. Acho que é por falta de hábito, aqui em BC raramente ando de carro e de ônibus nunca, faço tudo a pé. Chegando em Tijucas eu estava a beira de vomitar, muito enjoado, gelado e devia tá com a cara verde, enfim tava péssimo. Liguei para Rapha e fiquei comendo uma coxinha e refri na lancheria da rodoviária, logo ele chegou.

A caminho de Floripa eu seguia enjoadão no carro e precisava abrir a janela para que o ventinho me desse uma aliviada no enjôo. Eu estava com ódio por estar passando mal, sentia que aquilo ia estragar minha tarde com Rapha, eu estava feliz de estar com ele mas ao mesmo tempo triste por estar passando mal justo nesse nosso passeio. Grrr, que raiva de dessas minhas "frescuras". Pra ver se descontraía coloquei um cd de Marisa Monte e fomos cantando Gentileza, Não é Fácil, O Que Me Importa, etc., mas logo nos cansamos, afinal sempre acabamos por tocar esse cd que fica no porta-luvas.

Já em Floripa Rapha queria almoçar e deu a idéia de comermos peixe, então fomos para o Ribeirão da Ilha, uma parte de Floripa que eu não conhecia. Eu amarelo de passar mal, com a cara na janela o tempo todo, não via a hora de chegarmos no restaurante. Felizmente chegamos e logo me refiz. O restaurante era bonitinho, um lugar agradável. Decidimos sentar à uma mesa no lado de fora, que ficava num trapiche (acho que é assim que se chama aquilo, nem sei). Sob um guarda-sol, comemos camarão ao bafo e uma tainha grelhada que estava uma delícia. Enquanto isso conversávamos e apreciávamos a bela vista, o mar ao nosso redor, as gaivotas. Próximo da gente sentou-se uma dupla, os dois caras falavam em inglês, pareciam ser do babado, mas talvez fosse só impressão mesmo do maldoso aqui. Depois de almoçarmos, fomos tirar fotos. O garçom viu que estávamos interessados nas gaivotas e jogou as sobras de nosso almoço no mar e elas se vieram aos montes e faziam a maior disputa, em questão de segundos devoravam tudo. Depois de algumas fotos decidimos ir para o centro, ao Shopping Beira Mar, onde encontraríamos nosso amigo Monsieur e seu namorado Charles. Foi bem legal esse almoço com Rapha, naquele lugar bonito, adorei.

No Shopping fomos às lojas Renner e ficamos um bom tempo lá olhando roupas, tênis, óculos... Logo chegaram Monsieur e seu namorado, eram aproximadamente 16h. Charles me pareceu bem simpático, bem humorado, enfim, pelo pouco que conheci, me pareceu boa gente. Rapha decidiu dar umas voltas de carro e teve a idéia de irmos à praia de Jurerê Internacional para sairmos um pouco do shopping. No caminho fomos conversando enquanto Monsieur e Charles davam uns beijões estralados sentados no banco de trás. Em Jurerê Internacional ficamos um pouco na areia conversando e logo decidimos ir embora afinal Rapha e eu havíamos comprado ingressos para o cinema na sessão das 17h e 20min. A caminho do carro Rapha se pendurou em um galho de uma árvore e "pow!", o galho baixou e me deu uma cacetada na cabeça, fiquei meio atordoado, ainda bem que não machucou. Rapha ficou meio sem graça. Charles pediu para deixarmos eles no bairro de Itacorubi. Ficava meio na contramão, mas Rapha disse que tudo bem, só que demorou além do previsto e já eram quase 17h e 20min, hora do nosso filme, quando nos despedimos de Monsieur e Charles. O trânsito não colaborava e eu estava aborrecido por estarmos perdendo o início de nosso filme, eu já estava a ponto de desistir, afinal pegar o filme pela metade não me animava nada.

Chegamos no shopping uns 20 minutos após o início do filme, Madrugada dos Mortos, e corremos para a sala. Chegando lá já havia passado uma boa parte afinal os personagens estavam cobertos de sangue e nem mesmo sabíamos porquê. Mesmo perdendo o início foi possível se divertir com o restante do filme. Não rolou beijo nem nada mais caliente entre a gente, só carícias no braço e mão, particularmente gosto mesmo é de assistir ao filme quando vou ao cinema, então beleza, ehehe. Depois do filme decidimos que já tava na hora de tomarmos o rumo de casa e seguimos para BC. Era entrar no carro pra eu começar a enjoar.

Chegando em BC decidi pegar as chaves do apartamentozinho de meus pais e ir com Rapha lá pra gente encerrar o dia com chave de ouro. Decidimos jantar antes e fomos a sanduicheria Chaplin, perto do prédio onde moro. Comemos umas torradas razoáveis e seguimos para o apartamentinho. Dessa vez eu havia pego um kit básico em casa: lençol, fronhas, toalha de banho, sabonete e até pano de chão pra limpar tudo direitinho e não deixar vestígios.

Já no apartamento o clima esquentou, bastaram uns beijinhos pra gente ficar doidão, muito tesão. Eu precisava tomar um banho, fazer uma chuquinha básica, afinal havia sido um longo dia, no entanto nos jogamos na cama aos beijos e acabamos tirando as roupas, já estávamos loucos pra transar. Ficamos nos amassos a quase iniciamos uma transa mas, apesar do tesão todo era preciso interromper para que eu fosse para o meu banho e ficasse tudo perfeito. Banho tomado, chuquinha feita (coisa mais anti-clima interromper foda por causa de chuca mas, sabe como é, eu acho importante pra minha satisfação e tranqüilidade na hora de transar) voltei para os braços de Rapha que também foi ao banheiro. Lógico que o clima caliente todo esfriou um pouco depois desse "coito interrompido", mas bastaram uns beijos pra começar a pegar fogo de novo, o bom de ter química sexual é isso.

A seguir o que rolou foi tudo de bom. Não tô afim de contar nos mínimos detalhes as fodas com Rapha pois já não são novidade nenhuma aqui no blog e também não acho mais necessário fazer Rapha passar por isso tendo sua intimidade revelada aqui, no entanto não posso deixar de falar um pouco dssa transa pois foi especial para mim, para nós. Em meio a muitos beijos gostosos, carícias e punhetas, acabei chupando Rapha e me posicionei de modo a pôr meu pau próximo de seu rosto e ele pela primeira vez me chupou, fizemos um 69 bem gostoso. Depois de mais roça-roça, Rapha ficou montadinho sobre mim enquanto eu brincava de esfregar meu pau duro em seu reguinho e enfim, Rapha acabou deixando eu penetrá-lo, foi muito gostoso ele gemendo assim que a cabecinha entrou e depois que tava tudo dentro dando uma cavalgadinha, fazia um bom tempo que eu não penetrava um cara (sem camisinha então, fazia mais de ano) e o fato de estar fazendo isso com Rapha era muito especial. Eu lembrava vagamente que Rapha havia me falado em outra ocasião que nunca tinha dado, mas nessa hora não levei muito em conta e acabei metendo forte e fundo, apesar de que era Rapha quem controlava pois estava por cima. O pau dele estava bem duro, sinal de que sentia prazer com aquilo. Com Rapha de ladinho soquei valendo, sem me importar se doía, é eu sou meio mau mesmo quando sou ativo e sinto prazer metendo bem forte e rápido, só gozo assim. Estava uma delícia aquilo e anunciei que ia gozar dentro dele e assim foi. Em seguida foi a vez de Rapha "se vingar" e me dar o troco. Me pegou de jeito, comigo meio de quatro meteu valendo até encher meu rabinho de porra, gozei novamente tocando uma com ele me penetrando. Muito gostosa essa transa!


Ficamos agarradinhos um tempo e depois, infelizmente, chegou a hora de tomarmos banho e seguirmos cada um pra sua casa. Rapha me deixou em frente a meu prédio, nos despedimos e ele seguiu para sua cidade.

Na noite seguinte teclando ele revelou que eu havia sido o segundo cara que ele tinha penetrado até então, os outros tinham sido apenas arretos, que fui o primeiro que ele chupou e o primeiro pra quem ele deu. Putz, se eu soubesse mesmo que ele era cabaço, que aquela era sua primeira vez, eu tinha ido com mais calma, mas ele deu tão gostosinho que nem parecia e eu me empolguei, nem me lembrei desses detalhes na hora do bem bom. Fiquei feliz de ter sido o escolhido por Rapha para ser o primeiro dele, por ter sentido confiança e vontade disso justo comigo, mostrava o quanto as coisas estavam indo bem entre nós, que além do tesão forte já tínhamos intimidade e que eu era de certa forma especial para Rapha, assim como ele era para mim também.

Bom espero que Rapha não fique chateado de eu ter falado a respeito dessas coisas aqui no blog, que não fique constrangido, eu mesmo não fico e olha que tô sempre falando de minhas transas, que dei e chupei e isso e aquilo. Eu só precisava relatar aqui esses fatos, pois para mim foram especiais e mereciam ficar registrados aqui, frutos do sentimento legal entre dois caras, não há nada de mal em falar a respeito.

ENCONTRO QUATRO
Na sexta-feira, 30/04 nos encontramos novamente. Fazia tempo que queríamos passar uma noite juntos, para dormir juntinhos e finalmente havia chegado esse dia. Falei em casa que uns amigos meus de Floripa viriam para BC para irmos a boate e que eu havia oferecido o apartamentinho para eles ficarem e também passaria a noite com eles lá.

Eu havia pego uns dvds no dia anterior e convidei Rapha para vir mais cedo na sexta à tarde para assistirmos juntos. Eram 14h e pouco quando ele chegou, de moto. Assistimos um dvd da segunda temporada da série Sex and The City, que por sinal achei meio fraquinho. Deixei gravando o outro filme e enquanto isso Rapha e eu fomos comer, ele queria ir ao Mc Donalds mas eu queria ir a um Café colonial que eu havia ouvido falar que era ótimo, pena que o Café não tava funcionando naquele dia, que azar! Demos umas volta no shopping e acabamos comendo em um outro café chinfrim. Depois fomos a um treco que estão construindo na praia de BC, uma espécie de cais, represa ou sei lá o que eheh, sou péssimo com nomes desses negócios aí. Ficamos um pouquinho lá, passamos em casa pegamos os dvds e fomos devolvê-los na locadora, depois decidimos ir a uma praia próxima, a Praia dos Amores, que eu não conhecia.

Estava frio naquela noite, e o vento na moto dava mais frio ainda. Chegamos e a praia estava deserta, havia a lua no céu mas estrelas não eram visíveis. Ficamos sentados em um banco, de frente para o mar, ao lado de uma barraca de coco. Estava meio escuro e as casas ficavam bem longe dali. Seguros de que não seríamos interrompidos não demorou para a gente se beijar e fazer carinho. Rapha deitou-se no banco, com a cabeça em meu colo enquanto eu o acariciava e dava uns beijinhos. Às vezes aparecia algum carro ou moto e a gente ficava mais comportado. Sentados lado a lado, passando mão na perna e se beijando é lógico que acabamos excitados, eu sentindo o volume do pau de Rapha por baixo da calça. Num impulso de tesão senti vontade de chupá-lo. Quem lê meu blog sabe que nem sou muito fã de boquete, mas já havia acontecido tanta coisa entre a gente e o tesão sempre tão legal entre nós, uma química boa, que com Rapha eu senti desejo de fazer isso assim ao ar livre, por tesão meu e para proporcionar prazer ao carinha que eu tava gostando. Acabei tirando o pau de Rapha pra fora e punhetando um pouco enquanto ele punha a não no meu. Acabei me agachando e pedindo a Rapha: "Posso?". Em instantes eu estava chupando com gosto, ali na praia, primeira vez que fazia isso assim, ao ar livre. Chupei valendo, com vontade e acho que caprichei mesmo, tava empolgado, logo Rapha anunciou que ia gozar, disse para eu parar que ele tava quase... Eu fingi que nem ouvi e segui mamando mais forte ainda, Rapha então deu uma forçadinha de minha cabeça em seu pau e encheu minha boca de leitinho, meio amargo. Eu seguia chupando enquanto ele gozava e não deixei escapar nenhuma gota, deixei ele gozar até o fim. Depois cuspi tudo no chão. Engolir não né, não cheguei a tanto. Mas o fato de ter deixado Rapha gozar em minha boca já foi um evento (antes disso apenas CWB havia feito isso, só depois de um bom tempo de namoro e fodas que me senti à vontade para deixar ele gozar em minha boca e mesmo assim foi comigo de boca meio aberta, com a porra escorrendo à medida que ele gozava). Com Rapha foi a primeira vez que deixei gozar assim, até o fim, e com empolgação. Acho que vindo de mim isso pode ser encarado como uma prova do quanto tava sendo especial aquele contato com ele, pra eu topar algo que geralmente não gosto, só mesmo tendo algo especial. (Leia a versão de Rapha, em forma de conto, para essa história acessando o blog dele. Tem mais detalhes e é interessante por ser o ponto de vista dele sobre os fatos. Achei bem legal o texto, espero que vocês curtam também!)

Depois de eu ter deitado um pouco com a cabeça no colo dele e de nos beijarmos mais umas vezes decidimos que tava na hora de ir embora. Passamos em meu apartamento para pegarmos as mochilas e enquanto Rapha conversava com meu pai e irmã eu terminava de arrumar o "kit básico" para passarmos a noite juntos. Dessa vez era necessário levar um edredom pois fazia muito frio. Passamos em uma mercearia e compramos iogurte, água e batata chips e seguimos para o aptozinho.

Lá não demorou muito para os amassos iniciarem, beijos gostosos e nós dois deitados na cama, paus duríssimos, maio tesão. Fui pro banho e fiz a chuca. Rapha também tomou um banhozinho e a partir daí foi só festa. Aproveitando que estávamos limpinhos iniciamos um 69 e acabei sentindo tesão pra dá uma linguada no cuzinho dele, ele por sua vez fez o mesmo comigo, pela primeira vez. Fodemos duas vezes naquela noite, eu poderia dizer que "fizemos amor", afinal o clima era bem esse mesmo, a gente ali deitadinho juntos. Nada de detalhes ok? Até porque nem lembro a ordem das coisas, foram tantas posições, eheh. Depois da segunda transa Rapha fez uma massagem em mim, foi ótima. Dormimos muito bem e pela manhã o tesão era enorme de novo. Mais sexo do bom e depois banho juntos. Deitamos mais um pouquinho pra descansar e logo estávamos transando outra vez! Começava sempre de ladinho, só de lembrar já fico doidão aqui. Foram transas muito gostosas, acho que Rapha podia ver o tesão que eu sentia, pois eu passava dizendo que tava ótimo e que era uma delícia, "muito booom". Realmente a sintonia sexual tava ótima, foram quatro transas excelentes, fazia tempinho que eu não dava o cu com tanto tesão, com tanto gosto, pra topar quatro vezes e em todas estar louco de tesão acho que só assim mesmo. Meu cu já tava adaptado ao tamanho do pau de Rapha e já não doía tanto como das outras vezes, só prazer, e uma leve ardência de tanto levar vara. Muito tesão. Fui só passivo nessas fodas, claro que ter penetrado Rapha pra variar teria sido bom, mas não quis forçar barra, além do mais só de dar eu já ia às nuvens. Acho que tudo é questão de sintonia sexual, posso dizer que Rapha fode bem, mas eu também fodo bem e nem por isso com outros caras é tão legal, com alguns é ótimo, com outros nem tanto, acho que quando ocorre sintonia sexual aí sim que as coisas ficam nota dez e entre nós, Rapha e eu, a química sexual funcionou sempre muito bem.

Caía uma chuva fina e a gente com vontade de ficar deitado o dia todo. Mas a fome tava forte e pouco depois do meio-dia fomos para o shopping, de moto, embaixo de uma garoa fina. Comemos e seguimos para o meu edifício, lá chegando nos despedimos e Rapha se foi. Eram 14 horas e pouco. Havia sido uma noite e uma manhã muito legal.
................
E foram esses os nossos encontros nesses dias. Momentos ótimos. Cheguei a pensar que tava tudo perfeito para dar início a um namoro. Infelizmente nos dias seguintes a gente apenas se falou por Msn, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse significado grandes coisas aqueles dias juntos. Teclando apenas como amiguinhos. E a coisa minguou. A gente não soube alimentar. Enfim, quase duas semanas se passaram e as coisas não evoluíram, não houve continuidade, não deu em nada. Fazer o que né? Coisas da vida.
That's it!
enviada por Garland



10/05/2004 06:13
MÚSICA DA VEZ
BABY de GAL COSTA E CAETANO VELOSO


A música da vez, Baby, de autoria de Caetano Veloso, interpretada por Gal Costa, é especial para mim pois me lembra a minha "febre anos 60" na metade da década de 90, por isso aproveito para fazer uma espécie de flashback nesse post.

Em 1992 a rede Globo apresentou a minissérie ANOS REBELDES sobre jovens na década de 60, mas não assisti nessa primeira vez que passou, não me interessou. Eu estava com 13 anos quando essa série que teve forte influência, inclusive na vida política do Brasil naquele ano, foi exibida. Passou batido. Mas ela tornaria a ser exibida mais duas vezes, se não me engano, e foi nessas reprises que eu me apaixonei, cheguei a gravá-la quando foi exibida de 7 de março a 31 de março de 1995. Fiz até capinhas para as fitas VHS usando canetinha hidrocor, durex colorido, corretivo e colagens de fotos da série retiradas de revistas; ficaram bem coloridas e psicodélicas como tinha que ser, afinal eram os anos 60! Numa delas, que pode ser vista abaixo, passei um papel contact que com o tempo fez as fotos ficarem transparentes e resultou que a cara da Cláudia Abreu ficou toda cheia de escritos que estavam no verso da página da foto.

(Duas versões de capas para a série: a minha bem tosca, de 1995, e a do box de dvds, lançado dez anos depois da exibição original. Sou mais a minha tá!)

Eu realmente adorei a série, foi lançada não faz muito tempo em DVD pela Som Livre (capa acima) e estou louco pra comprar, pena que me falta grana. Creio que, infelizmente, foi editada, mesmo assim tenho certeza que vou re-assistir com o maior prazer. Anos Rebeldes é um marco na história da TV brasileira. Escrita por Gilberto Braga e dirigida por Denis Carvalho, a trama se desenrola entre 1964 – ano do golpe militar – e 1979/80, ano da abertura política e do retorno dos exilados ao Brasil. É dividida em três momentos distintos: Anos Inocentes (época das turmas e dos namoros de colégio, no início do golpe), Anos Rebeldes (quando começam as prisões e torturas) e Anos de Chumbo (quando, após o AI-5, uma parcela da população decide cair na clandestinidade e adotar a luta armada como bandeira).

Os protagonistas são o idealista João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) e a individualista Maria Lúcia (Malu Mader), que estudam juntos no Colégio Pedro II, no Rio, e se apaixonam, apesar da diferença ideológica que os separa. Destaca-se também Heloísa (Cláudia Abreu), a menina rica que entra para a luta armada, responsável pela cena inesquecível da minissérie – a de sua morte, metralhada numa batida policial. Recheada com diálogos fortes e elaborados, misturando ficção e História, Anos Rebeldes é uma minissérie densa para os padrões globais. Há mais choro do que riso e não há final feliz. Anos Rebeldes não foi uma simples minissérie, ela exerceu influência na vida nacional, ajudou a trazer os jovens para as ruas durante as passeatas contra o governo Collor, que culminaram no pedido de impeachment do presidente. (Confira mais informações sobre a minissérie no texto que serviu de base para este trecho do post, clicando aqui)

A minissérie despertou em mim um grande interesse pelos anos 60, parecia tão incrível aquela época, tão legal, os jovens pareciam ter objetivos, ter uma causa pra lutar, era uma verdadeira revolução, eu adolescente que vivia num casulo, uma vidinha triste e que não fazia diferença pra ninguém pensava como seria legal ter vivido naqueles tempos. Esse interesse pelos anos 60 teve como conseqüência um trabalho de história, em grupo, sobre a década de 60, eu fiz praticamente sozinho, mas fiz com prazer, reunindo informações sobre a ditadura, o movimento estudantil, Woodstock, Beatles, Rolling Stones, a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Bossa Nova, a moda, Brigitte Bardot, Charles Manson, os Hell's Angels, a Guerra do Vietnã, enfim sobre tudo que marcou os anos 60. Fiz também um vídeo em que editei cenas e reportagens sobre os anos 60 e gravei a narração junto com minha colega Rafaela, usando um toca fitas, depois conectei o aparelho de som ao vídeo cassete e fiz a mixagem com as cenas passando de um video cassete para outro, algo bem tosco mas que, pra mim que não tinha filmadora funcionou, ficou bem legal. Apresentamos o trabalho e o tal vídeo para a turma na sala de aula. Infelizmente acabei desgravando esse vídeo mais tarde bem como toda a série Anos Rebeldes. Me arrependo, principalmente pelo videozinho, seria bom tê-lo ainda.

Lembro que uma das coisas que mais trabalho deu foi a trilha sonora para o tal vídeo, eu não tinha nada de músicas dos anos 60, tive que me virar com algumas dos Beatles, pouco conhecidas, que achei em uma velha fita K7 de meu pai. Não teria sido problema se eu já tivesse a trilha sonora da minissérie Anos Rebeldes, mas essa eu viria a adquirir só alguns meses depois.

Fazia pouco que havíamos comprado um aparelho de cd e eu tinha apenas um cd: Immaculate Collection, de Madonna. Certo dia, passei em frente a uma loja de discos e vi na vitrine o cd Anos Rebeldes cuja capa pode ser vista abaixo:

Ah, eu lembrava como era legal a trilha da mini-série e desejei ter aquele cd. Pedi para minha mãe passar na loja depois e perguntar o preço, mas já suspeitando que ela acabaria comprando pra mim. Dito e feito. Em 4 de setembro de 1995 eu ganhava o meu segundo cd, a trilha sonora de Anos Rebeldes, que custou 19 reais na época. Obviamente corri escutar assim que minha mãe me deu o tal cd. A primeira faixa era minha preferida, que eu lembrava de adorar quando ouvia na minissérie: Baby, de Gal Costa. Me lembro até hoje da cena em que Cassio Gabus Mendes aparece com o LP contendo "Baby" que comprara para a personagem de Malu Mader e, quando entrega a ela, ela fica toda feliz, dizendo que acha a música linda e então começa a tocar Baby ao fundo. Eu achava linda a canção e agora eu tinha o cd para ouvi-la quando quissesse! Ouvi muito esse cd que trazia grandes clássicos dos anos 60 como Sapore Di Sale, Monday Monday, Can't Take My Eyes Of You, Alegria, Alegria, tema de abertura da série que acabou virando hino dos caras-pintadas no ano de 1992.

Mas Baby foi a que mais me marcou, a sonoridade, aqueles violinos no comecinho e ao longo da música (bom, acho que é violino né, eheh) e a voz de Gal Costa, tão agradável, a letra meio tolinha mas bonita, a época em que foi feita, enfim tudo na música era bonito e gostoso de ouvir, continua sendo. Confesso que não sou fã de MPB (bossa nova, tropicália, etc), menos ainda de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e cia., não gosto muito do som, não tenho paciência, antipatizo com eles, sei lá, pode ser preconceito, mas não faz meu estilo, no entanto gosto de algumas coisas dessa galera e Baby na voz de Gal é uma delas, a única que acho que tem sentido tocar aqui no Dirty Pearls, pois é especial pra mim, me lembra uma fase de minha vida, é marcante, além de muito linda. Confira a letra abaixo, cante junto!

BABY
Você precisa saber da piscina
Da margarina, da Carolina, da gasolina
Você precisa saber de mim

Baby, baby, eu sei que é assim
Baby, baby, eu sei que é assim

Você precisa tomar um sorvete na lanchonete
Andar com a gente
Me ver de perto
Ouvir aquela canção do Roberto

Baby, baby, há quanto tempo
Baby, baby, há quanto tempo

Você precisa aprender inglês
Precisa aprender o que eu sei
E o que eu não sei mais, e o que eu não sei mais
Não sei, comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz
Vivemos na melhor cidade
Da América do Sul, da América do Sul
Você precisa, você precisa, você precisa
Não sei, leia na minha camisa

Baby, baby, I love you
Baby, baby, I love you…


Baby foi lançada, nesta versão que pode ser ouvida no blog, no álbum Tropicália Ou Panis Et Circencis, de 1968.

Um pouquinho sobre GAL COSTA:
Personagem fundamental do Movimento Tropicalista, a soteropolitana Gal Costa nasceu em 1945. Aos 18 anos conheceu os irmãos Caetano e Bethânia, que por sua vez a apresentaram a Tom Zé e Gilberto Gil. Dois anos depois foi morar em São Paulo e em 1966, participou do I Festival da Canção, defendendo a música “Eu Vim da Bahia”, de Gil. Sua voz tornou-se nacionalmente conhecida em 68, com o sucesso das músicas “Baby”, composta por Caetano para ela, e “Divino Maravilhoso”, 3a colocada no IV Festival da Canção. Com o exílio de Caetano e Gil, aproximou-se de Jards Macalé, que viria a dirigir o show “Deixa Sangrar”, um divisor de águas na carreira da cantora. Durante os anos 70, Gal deixou de lado o estigma de ser uma bela voz através da qual idéias de outros se faziam ouvir, para adotar uma postura com mais personalidade, que culminou com o sucesso de “Gal Tropical”, em 1979. Continuou emplacando hits como “Festa do Interior” e Meu Bem, Meu Mal” na década de 80 e causou sensação ao posar nua, aos 40 anos, para uma revista masculina. Nos anos 90, reaproximou-se da sofisticação musical do início de sua carreira e continuou gerando polêmicas, como a exibição dos seios no show “O Sorriso do Gato de Alice” e a declaração de que não havia novos bons compositores no Brasil, em 2001. (fonte: nem sei de onde tirei isso, sorry! ehehe)

Bom, acho que quem quiser saber mais sobre ela e todas as fases de sua carreira faz melhor acessando o site oficial da cantora, lá encontra-se uma super biografia, bem completa.
.............
Com esse post dá pra perceber a minha capacidade de, a partir de uma música, escrever mais um texto gigantesco! Hheheh.

É isso, espero que tenham curtido esse toque de MPB na trilha do blog, é bom variar um pouco né? Em breve uma nova canção marcante para mim estará tocando aqui. Até!
That's it!
enviada por Garland