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25/07/2004 00:19
CONTO Caio Fernando Abreu DO MÊS
O conto desse mês foi lançado originalmente no livro O Ovo Apunhalado, de 1975, que também teve uma versão revisada pelo autor lançada vários anos depois. Particularmente O Ovo Apunhalado não é das minhas obras preferidas de Caio, mas é inegável que muitos dos contos presentes neste livro são intensos e lindos, só acho que carecem de homossexualidade mais explícita (como a da obra Morangos Mofados por exemplo), eu como sou safadinho mesmo aprecio sempre os contos mais claramente "do babado" (vide a lista de contos do escritor que já publiquei aqui no blog). Claro que isso é coisa minha, gosto pessoal e não quer dizer que O Ovo Apunhalado seja ruim por isso. Trago inclusive um dos mais belos contos de Caio Fernando Abreu justamente desse livro: Para Uma Avenca Partindo, um conto bem ao estilo do escritor, como que despejado de uma só vez, escrito direto, sem pontos, como se expressasse a urgência do personagem em dizer tudo de uma vez o que esteve entalado, tudo o que esteve guardado e não foi revelado... Engraçado que é assim mesmo né, a gente muitas vezes não diz o que sente, fica guardando pra gente, e às vezes só arrisca dizer na iminência do fim ou quando é tarde demais, quando já nem há o que fazer, mas vai assim mesmo, meio atropelado e de última hora pois é melhor ter a sensação de que disse o que sentia, de que arriscou, do que carregar para sempre consigo aquilo que não foi revelado e a sensação de fracasso e dúvida do que seria caso tivesse falado. Esse texto de Caio Fernando Abreu é sobre isso: um desabafo de última hora no momento da despedida. E mesmo assim nem tudo pôde ser dito, talvez o principal não tenha sido dito, perdeu-se entre devaneios (talvez seja por isso que me identifico com esse texto, heheh) e pretextos para não chegar ao ponto prinicipal, ao mais difícil de expressar. Mas valeu a intenção. Confira a seguir esse maravilhoso conto do meu escritor favorito:

PARA UMA AVENCA PARTINDO
- Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que ama era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.


...........................
E aí gostaram? Mês que vem um novo conto de Caio Fernando Abreu poderá ser encontrado aqui! Se você gostou do texto acima sugiro a leitura do post especial sobre o escritor e dos outros contos dele disponíveis no Dirty Pearls, basta escolher algum no menu lateral e mergulhar no universo deste grande escritor. Todos os contos são ótimos, vale a pena conferir, escolha um ou mais e boa leitura!
That's it!
enviada por Garland



24/07/2004 22:47
DIRTY
Vamos fazer jus ao nome desse blog? Até um convento tá mais sacana que isso aqui, curuzzes! Dá-lhe putaria!
AUTO-FELAÇÃO: VOCÊ CONSEGUE?
Quem nunca tentou dar pelo menos uma lambida no próprio pau? Heheh eu pelo menos já tentei, mas não tem jeito, além de precisar ter um negócio grande o bastante é preciso muita flexibilidade e não tenho nenhum dos dois. Mas a rapaziada aí embaixo conseguiu. Confira:







Nossa esse último chega a ser cômico hauhauah! Aiai e você garoto, já conseguiu essa proeza, dar pelo menos uma boa lambida no seu próprio cacete?
That's it!
enviada por Garland



23/07/2004 06:33
DEPOIS DAS TEMPESTADES: REENCONTRO COM RAPHA
Semana passada eu estava tendo um contato bem legal com Rapha, trocávamos mensagens de celular, ele me ligou algumas vezes para saber como haviam sido minhas consultas médicas e uma noite ficamos teclando muito tempo no Msn, mais ou menos da 1h às 5h da manhã, num papo muito legal. Inclusive conversamos numa boa sobre o lance do meu post naja e matei algumas curiosidades a respeito de como ele se havia se sentido na tal noite da "surpresa" no motel. Mas tudo o que conversamos, todos os assuntos foram abordados de forma bem leve e amigável. Nessa noite falei que gostaria de saber como era o quarto de Rapha e no sábado ele acabou me surpreendendo enviando uns vídeos do seu cantinho, que ele fez com a câmera digital para mim. Naqueles dias eu estava sentindo uma imensa vontade de sair, encucado com problemas de saúde, precisando conversar com alguém, estava meio deprimido e o convidei para sairmos no fim de semana, poderíamos ir ao cinema, ir a Floripa juntos, seria ótimo para mim revê-lo. Mas ele disse que não tinha interesse em assistir ao filme que eu estava afim (Cazuza) e que sentia muito mas nesse fim de semana não seria possível um encontro, propôs de nos encontrarmos no fim de semana seguinte e irmos juntos a Florianópolis rever nossos amigos em comum. Eu aceitei é claro.

Na noite de sábado, enquanto me mandava fotos e vídeos de seu quarto Rapha propôs vir a BC para me ver, queria conhecer meu quarto que eu não deixei ele ver das outras vezes em que esteve no meu apartamento (estava muito bagunçado, fiquei com vergonha, hehe) e também queria ver meus desenhos e me mostrar os seus. É claro que eu adorei a idéia, fazia mais de mês que eu não o via pessoalmente e nossos dois últimos encontros não haviam sido bons (um foi o nosso papo de término em BC e o outro foi o passeio ao Beto Carrero World em que ele estava com outro), seria ótimo revê-lo em um novo contexto, num encontro para coisas boas, só nós dois, um encontro de amigos.

No domingo, 18/07, me acordei mais cedo que de costume, deviam ser 13h, dei uma geral no meu quarto que ainda estava meio bagunçado devido a mudança recente, fui tomar um banho (nada de chuca, eheh afinal era só um encontro de amigos!), separei meus desenhos e fiquei esperando Rapha entrar em contato para dizer que estava vindo ou que havia chegado em BC. O tempo estava meio feio, nuvens carregadas no céu, mas não estava chovendo. Quando recebi uma mensagem de Rapha, lá pelas 15h, dizendo: "Já notou que eu não vou pra BC, o tempo tá uma droga! Xau" fiquei muito frustrado. Resolvi responder dizendo: "Dãã nem tá uma droga nada tem até um solzinho vem vem vem! Buaá já tinha separado os desenhos e td! Snif". Ele respondeu dizendo: "Se eu tomar um banho de chuva vc me paga!" "Iúúupi, wu-hu! Ele tá vindo que legal!", pensei.

Em torno de uns 40 minutos eu recebia o telefonema de Rapha dizendo que estava na rua da minha casa. Desci para encontrá-lo, que bom revê-lo! Subimos para o apartamento, minha mãe e irmã estavam em casa. Rapha já conhecia minha irmã e meu pai, de outra vez em que estivemos vendo dvds no outro apartamento, mas minha mãe ele estava conhecendo só dessa vez. Logo fomos para o quarto e ficamos sentados na cama de casal (é, agora tô com uma cama de casal no quarto, yeah, ehehhe). Não pensem maldade! É claro que eu ainda sinto um certa atração por Rapha, não vou negar que ainda gosto muito dele, e tê-lo ali próximo a mim, olhar nos olhos dele, reparar seu rosto, sua boca, as feições dele estava sendo bom, mas naquele momento o via como um amigo realmente, não me passava pela cabeça me insinuar pro cara naquela situação, pois aquele era um encontro entre dois amigos, nada mais. Rapha me entregou os cds que ele havia gravado para mim, das trilhas do meu blog, e tirou da mochila uma pasta meio embolorada em que havia muitos desenhos dele dos últimos 10 anos, desde 1994 com uns desenhos meio simplórios da Mônica até os desenhos super lindos e projetos da época em que ele fazia facul de arquitetura há poucos anos. Realmente ele tem talento pra isso, desenha muito bem. Íamos comentando os desenhos enquanto eu ia folheando a pasta, deitadão na cama.

Depois foi minha vez de mostrar os meus desenhos (alguns deles estão ao longo desse post), todos muito antigos, a maioria feita há 10 anos, já que eu tenho uma preguiça danada de desenhar. E quase todos incompletos ou sem terminar de pintar. Mostrei minha série de desenhos da minha fase "Pequena Sereia", alguns da fase "Barbie" e mais alguns projetos de personagens para histórias em quadrinhos. Legal reparar a diferença de nossos estilos de desenhos. Foram ótimos aqueles momentos ali no quarto vendo desenhos, estávamos fazendo uma espécie de seção nostalgia, acabei puxando outras tralhas antigas minhas pra mostrar pro Rapha, fotos de várias épocas, trabalhos da facul, agendas, um livro oráculo, um livro da série Olho Mágico com figuras em 3D... Ficamos várias horas no quarto conversando e vendo aquelas coisas todas. Depois mostrei a ele minhas telas pintadas na adolescência. O tempo voou e já havia anoitecido, eu estava vesguinho de fome, pois não havia almoçado, não achei que ficaríamos tanto tempo dentro de casa. Decidimos sair para comer alguma coisa, ambos estávamos famintos.

Rapha não havia trazido capacete para mim de modo que não deu para sairmos de moto, ah eu tava com tanta vontade de dar umas voltas de moto com ele, como nos velhos tempos, eheh. Fomos a pé ao Shopping, que agora é pertinho de casa. Demos umas voltas procurando uma echarpe para o Rapha e depois voltamos para casa, parando em uma lancheria para comer uns pastéis. Eu durante esse tempo todo falava sem parar, em alguns momentos eu chegava a ficar com vergonha, pois desde que encontrara Rapha não havia parado um minuto de falar e falar, tadinho devia tá meio tonto já, acho que era carência minha mesmo de uma boa conversa, e saudades também, queria tirar o atraso conversando muito com ele. Depois de comermos seguimos para o apartamento, caía uma garoa fininha. Rapha sabe que eu tenho medo por ele, acho moto algo perigoso, e o fato de ele andar pelas estradas à noite e com chuva me deixa preocupado. Eu estava gostando tanto de ter a companhia de Rapha que queria que ele não fosse embora ainda, e já que estava chovendo eu queria que ele pelo menos esperasse a chuva passar. Convidei ele para passar a noite na minha casa, ele disse que não precisaria trabalhar no dia seguinte pois era feriado na cidade onde trabalha, "que legal", pensei, aí sim ele não tinha porque não dormir em minha casa naquela noite. Mesmo assim ele não parecia estar decidido ainda a ficar, só se decidiu quando chegamos no apartamento e tanto meu pai como minha mãe disseram a ele que passasse a noite e fosse pela manhã, que não era boa idéia sair com chuva e à noite.

No resto da noite ficamos vendo uns guias de vídeo que tenho, falando sobre filmes, em meu quarto deitados na cama. Mostrei minhas fitas de vídeo e emprestei a ele duas (uma com "Os Pássaros" de Alfred Hitchcock, meu filme de estimação e outra com filmes cult do babado "A Lei do Desejo" e "Tudo Sobre Minha Mãe" de Pedro Almodóvar e "Antes do Anoitecer", baseado na linda biografia do escritor cubano Reinaldo Arenas) que ele guardou na mochila. Queríamos assistir a algum filme para passar o tempo mas minha irmã e meu pai estavam vendo jogo na TV. Era quase meia-noite quando desistimos do filme e então decidi mostrar a Rapha o jogo The Sims, no pc, já que ele curte arquitetura, e o jogo consiste em construir casas e administrar os personagens que vivem nelas, imaginei que ele adoraria. Pelo jeito ele gostou mesmo pois ficou jogando até umas 4 da manhã! Eu ficava ao lado vendo ele jogar e conversando. Depois me conectei à internet brevemente e lemos juntos um e-mail enviado pelo namorado de nosso amigo Monsieur.

Havíamos preparado uma cama para Rapha em um colchão ao lado de minha cama, em torno de 5 horas da manhã fomos deitar, não sem antes eu pedir um abraço para ele, nos abraçamos, acabei pedindo um beijo também... Só conseguimos dormir lá pelas 6 e pouco. Em torno de meio dia estávamos acordados, apesar da preguiça danada. Meus pais e irmã conversavam na sala ao lado. Lá pelas 13h e meia, aproximadamente, nos levantamos. Havia garoado durante boa parte da noite e pela manhã choveu forte, mas naquele momento persistia uma chuva fina. Minha mãe acabava de preparar uma lasanha e enquanto isso Rapha tentava ver as imagens em 3D do livrinho. Eu estava com muita preguiça, minha vontade era de ficar deitadão embaixo dos cobertores e aproveitar aquela chuvinha para dormir. Almoçamos, depois conversamos um pouco e quando eram quase 16h, depois de ele se despedir de minha família, descemos eu e ele até a garagem onde Rapha pôs uma roupa de chuva engraçada, nos despedimos e ele se foi, embaixo de uma garoa, para sua cidade. À noite enviei uma mensagem de celular para ele querendo saber se ele havia chegado direitinho em casa, se já havia dormido um pouco, ele respondeu, mas teve algo em suas palavras que foi meio frio.

Enfim, certos detalhes e sentimentos meus referentes a esse encontro não estou afim de expor aqui, já disse antes que ia evitar fazer isso pelo menos nas coisas referentes a Rapha né? Mas foi ótimo reencontrá-lo, matar a saudade, passar momentos tão agradáveis, conversar numa boa, ver os desenhos, enfim estar junto dele. Depois das coisas chatas acontecidas há algumas semanas e que acabaram gerando mal-estar naqueles dias, estava sendo maravilhoso perceber que havíamos superado aquelas coisas ruins e em um espaço de pouco tempo já estávamos juntos sem rancores e como bons amigos realmente. Não sei para ele, mas para mim aquele encontro foi quase 100% coisas boas. Só que desde aquela mensagem no celular, ainda na segunda, Rapha não entrou mais em contato, enviei um e-mail mas ele não respondeu, é possível que algo tenha incomodado ele naquele encontro, que esteja chateado comigo, nem sei, mas se ele prefere ficar em silêncio e não quer falar a respeito comigo entendo ele. Só quero que ele saiba que gosto muito dele e que espero que em breve a gente se reencontre e possa passar momentos tão legais como os que passamos nesse domingo e segunda-feira passados.
That's it!
enviada por Garland



21/07/2004 04:29
MÚSICAS DA VEZ
FOOLISH GAMES & HAVE A LITTLE FAITH IN ME de JEWEL


Trago duas músicas de uma vez só nessa Seção Música da Vez, afinal ambas são de Jewel, que todo mundo que já passou por esse blog deve saber que é a minha cantora preferida. Não vou me repetir e falar sobre como comecei a curtir Jewel pois isso já fiz aqui e mais de uma vez, quem quiser saber acesse o post especial clicando na fotinha dela aí no menu lateral do blog. Já é costume eu iniciar cada nova trilha sonora do blog com uma música de Jewel, mas dessa vez eu comecei com uma música muito dramática, Foolish Games, que na ocasião em que tocou aqui tinha tudo a ver comigo. Mas acho que não ficaria legal um cd iniciando de forma tão trágica com uma música tão triste, então reservo Foolish Games para o final do cd, enfim, acabei começando pelo fim, hehee. Por isso optei por uma outra canção de Jewel, muito bonita e menos melancólica para ser a primeirona da nova trilha sonora de meu blog: Have A Little Faith In Me. Abaixo falo um pouco sobre estas duas músicas:

"FOOLISH GAMES" PARA OS CORAÇÕES PARTIDOS
A bela e tristíssima balada Foolish Games estava tocando até a semana passada aqui, e a escolhi por que eu estava meio triste e amargo naqueles dias, foi quando postei um texto meio barra pesada, aquele meu post naja que teve uma repercussão forte aqui no Dirty Pearls. Foolish Games me pareceu a canção ideal para retratar o meu estado de espírito naquele período. A música é o que chamam de "heart-breaking-song", uma canção de coração partido, canção de dor de cotovelo. Por ser tão dramática e melancólica eu não gostava dessa canção logo que ouvi pela primeira vez o cd do qual ela faz parte (Pieces of You, de 1995, primeiro cd de Jewel), quase sempre eu pulava essa canção trágica.

Mas em Curitiba uma coisa mudou minha opinião: meu amigo Diego, de 15 anos, me disse que havia baixado essa música e que a escutava pensando em seu namorado com quem ele estava tendo problemas e chorava muito ao ouvi-la. Daí percebi o potencial "essa é pra desabar de vez" da canção, que era uma música de cortar os pulsos e que às vezes quando a gente está na fossa é bom ouvir esse tipo de música pra chorar de uma vez as mágoas da gente e quem sabe se sentir melhor. A partir de então comecei a gostar de Foolish Games. A canção foi um dos maiores sucessos do primeiro álbum de Jewel, acho que justamente por ser tão intensa e triste, nostálgica e um pouco amarga ao falar de uma história de amor que acabou. A gente sempre pensa e lembra mesmo de pequenas coisas, dos gostos pessoais, das manias, excentricidades, de momentos breves e coisas cotidianas vividas ao lado daquele que fez parte de nossa vida como namorado e depois se foi. Quando um romance chega ao fim essas pequenas coisas que na ocasião eram simples e corriqueiras adquirem um caráter especial que alimenta as lembranças quando se está curtindo uma dor de cotovelo daquelas.

(cena do lindo videoclipe de "Foolish Games").
Outro ponto da música que a faz especial é que ela fala sobre os jogos tolos que todos "jogamos" numa relação amorosa, e que raiva me dá às vezes desses jogos, são cenas de ciúmes, um brincando com os sentimentos do outro, escondendo o que realmente sentem, criando ceninhas, ficando emburrado por coisas mínimas, soltando farpas, não se decidindo, criando entraves desnecessários que só desgastam e dificultam as coisas e atrapalham um amor simples e feliz. Admito que já fiz e faço muitos desses joguinhos, todos fazemos, já fui vítima desses jogos, já vivi relacionamentos em que era quase só esses jogos. Ah como seria bom se eles não existissem e tudo fosse só o amor simples, bom e livre de jogos tolos e chatos! Porque um relacionamento tem que ter tantos joguinhos? Ah, prometo que vou tentar "jogar" o mínimo possível, e fugir dos jogos, ando muito sem paciência para isso, é tão desgastante!
Confira a letra dessa bela música, veja se identifica, só não vai poder cantar junto agora, ehehe, que pena:

FOOLISH GAMES

You took your coat off and stood in the rain
You were always crazy like that
And I watched from my window
Always felt that I was outside looking in on you

You were always the mysterious one
With dark eyes and careless hair
You were fashionably sensitive
But too cool to care
Then you stood in my doorway
With nothing to say
Besides some comment on the weather

In case you failed to notice
In case you failed to see
This is my heart bleeding before you
This is me down on my knees

These foolish games are tearing me apart
And your thoughtless words are breaking my heart
You're breaking my heart
Breaking my heart

You were always brilliant in the morning
Smoking your cigarettes and talking over coffee
Your philosophies on art, Baroque moved you
You loved Mozart and you'd speak of your loved ones
As I clumsily strummed my guitar

Excuse me, think I've mistaken you for somebody else
Somebody who gave a damn
Somebody more like myself

These foolish games are tearing me,
Tearing me, tearing me apart
And your thoughtless words are breaking my heart
You're breaking my heart
You took your coat off and stood in the rain
You were always crazy like that

JOGOS TOLOS

Você tirava seu casaco e ficava parado na chuva,
Você sempre foi louco desse jeito.
E eu observava da minha janela
Sempre tinha a sensação que eu estava lá fora olhando você.

Você era sempre o cara misterioso,
Com olhos negros e cabelo descuidados
Você era sensível em relação à moda
porém tranqüilo demais para se preocupar
Então você parava na entrada da minha porta
Sem nada para dizer
Além de alguns comentários sobre o tempo.

No caso de você ter deixado de notar,
No caso de você ter deixado de ver,
Este é o meu coração, sangrando diante de você
Esta sou eu, prostrada de joelhos

Estes jogos tolos estão me rasgando em pedaços
E suas palavras irrefletidas estão partindo meu coração.
Você está partindo meu coração
Está partindo meu coração

Você sempre era brilhante pela manhã,
Fumando seus cigarros e falando sobre o café,
Suas filosofias sobre arte, o Barroco te comovia
Você adorava Mozart e falaria de seus preferidos,
Enquanto eu desajeitadamente desafinava no meu violão.

Desculpe-me, acho que confundi você com algum outro,
Alguém que dava importância,
Alguém mais como eu mesma

Estes jogos tolos estão me rasgando,
Me rasgando, me rasgando em pedaços.
E suas palavras irrefletidas estão partindo meu coração,
Você está partindo meu coração
Você tirava seu casado e ficava parado na chuva,
Você sempre foi louco desse jeito



"HAVE A LITTLE FAITH IN ME" PARA QUEM ESPERA PODER CONTAR COM O AMOR
Que tal ouvir Jewel numa interpretação a la Janis Joplin? Assim é Have A Little Faith In Me, a música mais Janis de Jewel. Mas porque eu digo isso? Basta prestar atenção no vocal de Jewel, nos "gritos" próximos ao fim da música, algo típico de Janis Joplin. Também a letra desta canção é a cara de Janis, lembrando outras canções desta cantora com temas semelhantes como Call On Me, Try (Just A Little Bit Harder) ou Trust Me só para citar algumas. Por conta disso eu gosto especialmente de Have A Little Faith In Me, pois traz a seu modo numa só canção minhas duas cantoras favoritas. A música foi gravada originalmente por um cantor chamado John Hiatt e Jewel fez este cover que pode ser ouvido nesse instante aqui no blog e entrou na trilha sonora do filme Fenômeno (Phenomenon), de 1996, estrelado por John Travolta.

Have A Little Faith In Me é um belo blues, repleto de frases um tanto "clichê" mas que compoem uma letra muito bonitinha. A canção mostra aquilo que a gente espera ter de uma pessoa que gosta da gente: apoio. Mas para isso é preciso ter fé naquela pessoa e acreditar que se pode contar com ela, com o amor dela. Quem não gostaria de ouvir de alguém uma declaração de amizade e de amor como a que essa música traz? Alguém dizendo que nas piores horas a gente poderá contar com o seu apoio, carinho e compreensão. Acho que isso é o que todos esperam de um amor de verdade, poder contar com isso. Mas a gente precisa ter fé no amor, precisa acreditar no outro, se permitir, confiar e se entregar a ele e isso muitas vezes é difícil. Já fiz um post inspirado em outra música, Trust Me (Confie em Mim) de Janis Joplin, em que eu dizia que às vezes é preciso depositar confiança e um pouco de fé no amor da pessoa, ter fé de que esse amor vai desabrochar e ser pleno, mesmo que demore um pouquinho. Acho que Have A Little Faith In Me também fala sobre isso, sobre a necessidade de um pouco de fé no amor que a outra pessoa tem pela gente e sobre tudo o que essa pessoa é capaz de fazer em nome desse amor.

Confira a letra, cante junto:

HAVE A LITTLE FAITH IN ME
When the road gets dark
And you can no longer see
Just let my love throw a spark
And have a little faith in me
And when the tears you cry
Are all you can believe
Just give these loving arms a try
And have a little faith in me

Have a little faith in me
Have a little faith in me

And when your secret heart
Cannot speak so easily
Come here darling, from a whisper start
And have a little faith in me
And when your back's against the wall
Just turn around and you, you will see
I will catch you, I will catch your fall
Just have a little faith in me

Have a little faith in me
Have a little faith in me

'Cause I've been loving you, for such a long, long time
Expecting nothing in return
Just for you to have a little faith in me
You see time, time is our friend
'Cause for us, there is no end
And all you gotta do, is have a little faith in me
I will hold you up, I will hold you up
And your love, gives me strength enough to
Have a little faith in me
Hey baby hey baby
All you gotta do
Is have a little faith in me

TENHA UM POUCO DE FÉ EM MIM

Quando a estrada fica escura
E você não consegue mais ver
Só deixe meu amor jogar uma faísca
E tenha um pouco de fé em mim

E quando as lágrimas que você chora
São em tudo o que você pode acreditar
Apenas dê a esses braços amorosos uma chance (oh)
E tenha um pouco de fé, um pouco de fé em mim

Refrão

Tenha um pouco de fé em mim
Tenha um pouco de fé em mim (oh)
Tenha um pouco de fé em mim
Tenha um pouco de fé em mim

Quando seu coração secreto
Não puder falar tão facilmente
Venha aqui, querido
De um começo cochichado
Para ter um pouco de fé em mim
E quando suas costas estão contra a parede
Apenas vire-se e você verá
Eu vou apanhá-lo,vou te apanhar na queda
Apenas tenha um pouco de fé em mim

Repete Refrão

Eu tenho amado você por tanto tempo
Esperando nada em retorno
Só que você tenha um pouco de fé, um pouco de fé em mim
Você sabe o tempo, o tempo é nosso amigo
Pois para nós não há fim
E tudo o que você tem de fazer é ter um pouco de fé em mim
Eu irei te segurar em pé, eu irei te segurar em pé
Seu amor me dá forças suficientes
Tenha um pouco de fé em mim
Hey, baby, hey baby
Tudo o que você precisa fazer
É ter um pouco de fé em mim


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Decepção
Eu havia pedido que votassem na música preferida da Trilha Sonora do Blog Vol. 2 que a mais votada tocaria novamente aqui. Infelizmente apenas duas pessoas se deram ao "árduo" trabalho de dar a opinião: Marcinha, que escolheu Baby de Gal Costa e Rapha que escolheu 2 Become 1 de Jewel. Tenho certeza que nenhum deles perdeu os dedos de deixar a opinião nos comments, eheh. Obrigado a vocês dois! Mas, como não contei com uma participação expressiva optei por não repetir nenhuma música e passar direto ao Volume 3. Eu bem que tento estabelecer alguma interatividade aqui mas a galera não contribui, fazer o que né?
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É isso aí, em breve outra música "bunita que dói" tocando aqui na Trilha Sonora Dirty Pearls Vol. 3. Até breve!
That's it!
enviada por Garland