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13/01/2005 02:52
SEÇÃO MENTE EFERVESCENTE
A partir de hoje o Dirty Pearls terá uma seção fixa, onde abordarei temas específicos, uma espécie de coluna, que pretendo que seja semanal. Sexo, amor, amizade, relacionamentos serão os temas principais. Em alguns posts vou me inserir no texto contando experiências pessoais, em outros apenas discursarei sobre algum assunto em forma de crônica, sem minhas histórias pessoais. Enfim, nada novo, é o que sempre fiz no blog, simplesmente quero delimitar uma seção específica para isso. O neura, o que sempre questiona tudo, o rei dos "porquês", "serás" e "e se", cujo cabeção não pára um instante sequer achou que o título mais adequado para essa nova seção é Mente Efervescente, já que abordarei aqui os assuntos, constatações, dúvidas e questionamentos que não param de borbulhar nessa minha cabeça ultra-pensante. Tudo a ver não?
Vamos ao primeiro post:
"AGORA EU ESTOU NUMA BOA, NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ!"
Calma, o título desse post não é nenhuma mensagem pessoal minha para ninguém. É sim uma frase que representa um assunto chato que a gente enfrenta na vida da gente: o afastamento gradual ou mesmo o sumiço repentino de um amigo que a gente preza, quando as coisas começam a correr bem pra ele e nós continuamos na m...
Com certeza você que lê esse post já teve um amigo por quem você tinha consideração, até mesmo alguém que você considerava seu melhor amigo, e, de repente, de sopetão, ou mesmo lentamente, esse amigo sumiu. Certamente você também já esteve do outro lado, você quem se afastou, você que sumiu. Porque essas coisas acontecem? Acho que as razões são inúmeras, mas vou me ater a um fator apenas, nesse momento: a mudança.
Não falo de mudança física de residência, de cidade, essas a gente sabe que realmente ocasionam muitas "perdas de amigos" mesmo. Eu falo na mudança de estado sentimental e pessoal. Há pessoas que quando a vida começa a ficar numa boa simplesmente viram as costas pros amigos, isso não parece estranho? Amigo não é alguém pra compartilhar os momentos bons também? Teoricamente sim. Só que na real não é bem assim. De repente as coisas começaram a dar certo para ele, surgiu alguém legal e iniciou um namoro, e esse namoro tá dando certo, ele está feliz e sua vida amorosa está ótima. Ou então os problemas pessoais atenuaram, as questões financeiras foram resolvidas, e o stress diminuiu. De repente para ele não é mais necessário estar em contato com aquele "amigo" cheio de problemas que antes era um ótimo ouvinte e antes servia muito bem para uma troca de experiências e desabafos. "Porque seguir mantendo contato com aquela pessoa frustrada, deprimida e infeliz no amor? Pra ela ficar cheia de inveja e me colocar um olho grande? Pra que ouvir lamentações que não tem mais nada a ver comigo? Ela era uma amiga de fossa, amiga de deprê e de desabafo, uma companhia pros momentos de solidão, agora eu não estou mais deprê nem sozinho, pra que seguir mantendo tanto contato com essa pessoa? O que eu ganho com isso?". Próximo passo: o afastamento gradual e o sumiço, ou mesmo o sumiço direto, sem maiores explicações.
É, parece ridículo, mas isso acontece e não é com pouca freqüência não. Acontece sobretudo no mundo virtual, de amizades virtuais, mas acontece no mundo real também. Alguns diriam que é porque quem está feliz não gosta de ouvir lamúrias, não quer arriscar sua alegria de ser contaminada pela deprê alheia. Quer é andar com gente feliz, na mesma situação que ele. Alguns diriam que a felicidade toma tempo, um namoro preenche e demanda tempo e dedicação, não sobra espaço para ouvir as queixas alheias. Eu até acredito que realmente um namoro exija atenção e ocupe muito tempo, mas desde quando é pretexto para se afastar dos amigos e sumir? Isso é ridículo. Pode ser sim uma bela desculpa esfarrapada para justificar o sumiço e abandono do outrora amigão de papos, confidências e troca de queixas sentimentais, que hoje em dia já não tem mais utilidade.
E amanhã ou daqui um mês o telefone toca, a janelinha do Msn abre após um longo período em que você esteve bloqueado, e surge aquela pessoa que estivera sumida, outrora tão feliz, e agora na merda de novo, pois o namoro terminou. Puxa papo, como se nada tivesse acontecido, inventa uma desculpa qualquer para o sumiço. Agora ela precisa novamente de você, agora você é um ótimo amigo novamente pronto para ouvir toda lamúria e a triste história do namoro que tá acabando ou já acabou. Agora você é até uma boa companhia para sair, já que ele não tem mais o namorado pra ir junto. Agora você é uma ótima pessoa pra se jogar um desabafo em cima e pedir um conselho. Ah, meu filho, vai tomá no cu vai!
São as decepções que a gente tem com os amigos, ou melhor, aqueles que a gente considerava amigos. Na verdade essas pessoas não são amigas, são aproveitadores, só nos usam. O verdadeiro amigo é aquele que esteja no melhor momento de sua vida ou esteja no fundo do poço, vai ter tempo pra você mesmo que não tanto quanto antes, vai estar do seu lado, não vai se afastar, nem sumir, por uma razão ou por outra. Sempre seremos vítimas de amigos por conveniência que somem, e é provável que nós mesmos venhamos a ser também, em algum momento de nossas vidas, amigos de alguém por conveniência, que nos afastemos quando estivermos em outro momento de vida que não combina mais com aquele amigo. Isso parece algo feio e deprimente, mas é uma realidade. Ninguém está livre de ver alguém em quem se depositou confiança, alguém por quem sentia carinho, alguém por quem tinha consideração, nos descartar e sumir de repente, se afastar sem dar explicação. Isso é triste, é lamentável, mas é algo realmente muito comum. Quanto a mim, não é meu estilo fazer isso, acho que nunca fiz isso. Já me afastei de amigos por outras razões (é acho que o tema amizade e afastamentos merece outro post), mas nunca por não serem mais úteis ou não "servirem" mais pra mim, ou por estarem em um momento de vida diferente do meu. O fato é que por mais triste que essas coisas possam ser, alguns amigos se vão e outros novos vêm, e a gente vai aprendendo a ser mais esperto, a conhecer melhor as pessoas e a lidar melhor com as perdas.
E você, já passou por isso ou já fez isso também? Como você encara essa situação? O que pensa sobre isso de amigo que dá sumiço? Diz aí.
That's it!
enviada por Garland
12/01/2005 03:42
TRILHA SONORA DIRTY PEARLS - VOLUME 3
Já faz quase um mês que a terceira trilha sonora do blog foi concluída, mas só agora tive paciência pra pôr a lista aqui. A maior parte das músicas tocou no período que tirei férias do blog, eu só trocava as músicas mas, como não estava blogando, não fiz os tradicionais posts com as letras, fotos, história de como passei a curtir a música e as razões pra eu pôr ela tocar no blog. Chega a ser uma pena, porque várias mereciam textos contando a minha histórinha por trás delas, e tem vários cantores que eu adoro e ficaram sem post especial. Well, algumas dessas músicas tocarão novamente mais adiante e terão direito a posts com letra e tudo mais que fiquei devendo.
Eu sempre tenho a tendência a achar que a trilha mais recente é a melhor de todas, foi assim com a número 2, que achei melhor que a 1, e é assim com essa de número 3, que acho melhor que as duas anteriores. Para mim que seleciono as músicas, as três trilhas são muito boas e reúnem músicas ótimas, mas claro que isso é uma questão de gosto pessoal, eu sugiro que quem tem conexão rápida pegue-as no Kazaa ou no E-Mule e tire suas próprias conclusões. Sempre busquei pôr para tocar em meu blog músicas que me motivassem de alguma forma, músicas que eu adoro, e procurei fazer isso de uma forma harmoniosa e equilibrada, com canções agitadas, animadas e alegres intercaladas com baladas sentimentais ou até mesmo deprê, músicas em diferentes línguas, de diferentes décadas e estilos, hits ou pouco conhecidas, em vocal masculino ou feminino...
Gostei muito desse cd volume 3, incluí vários cantores e bandas que gosto e não entraram nos anteriores, reprisei alguns dos meus favoritos (Jewel, Janis Joplin, Renato Russo, Tori Amos), trouxe outros hits dos anos 80 (década que sempre tem destaque nas minhas seleções musicais, representada desta vez por Bette Davis Eyes e Losing My Religion), e consegui reunir várias das minhas baladas preferidas. Tanto que esse acabou sendo o cd mais romântico ou mesmo o mais deprê dos 3, como disse um amigo. É, realmente tem várias músicas down, até de cortar os pulsos (Leaving On a Jetplane, 1000 Oceans, Uninvited e principalmente Foolish Games), mas acho que refletiam bem meu estado de espírito. Para contrabalançar tem algumas bem agitadas e pra cima, mesmo que em menor número (I'll Be There For You, Bitch, Lovefool e Basket Case). Lamentei não ter tido espaço pra incluir canções em outras línguas além do português e inglês, algo que fiz nas trilhas anteriores; e também senti falta da "música brega da vez" já que acabei sem pôr nenhuma, tipo Wanessa Camargo ou Thalia, presentes nos cds anteriores.
Terminando o cd percebi que ficou uma trilha super cinematográfica, pois cerca de 90% das canções fez parte da trilha sonora de algum filme ou de seriados e novelas (por exemplo: Turn Me On e Here With Me tocaram em Simplesmente Amor, Bitch tocou em Do Que As Mulheres Gostam, Uninvited está na trilha de Cidade dos Anjos, Lovefool em Romeu+Julieta, teve I'll Be There For You que é música tema da série Friends, Kiss Me foi trilha da série Dawson's Creek, A Luz Que Acende o Olhar tocou na novela O Beijo do Vampiro, Encostar Na Tua fez parte da novela Celebridade, isso só pra citar algumas).
Enfim, creio que essa é a melhor trilha do blog até agora, ficou um cd bem gostoso de ouvir. Confira a lista de músicas abaixo (as faixas número 1, 2, 3 e 20 possuem post especial com letra e fotos, basta clicar nelas):
Ficou curioso pra saber que músicas entraram nas outras duas edições da Trilha Sonora Dirty Pearls? Então clique nas capinhas dos cds aí no menu lateral!
E aí, qual das 20 músicas que tocaram na 3a trilha do blog você mais gostou? Qual você gostaria que tocasse novamente aqui? Diz aí! O tio atende o seu pedido...
That's it!
enviada por Garland
12/01/2005 02:58
Postado originalmente em
30/12/2004 07:06:31
CONTO Caio Fernando Abreu DO MÊS
De volta com a seção que traz contos de Caio Fernando Abreu, meu escritor preferido... 90% dos contos que mais gosto já foram publicados no blog, então cada vez fica mais difícil escolher novos e bons contos com um tamanho razoável para postar no Dirty Pearls. Mas a seção continua, e certamente ainda tem muita coisa interessante que merece estar aqui. Escolhi dessa vez um conto presente no livro O Ovo Apunhalado, lançado originalmente em 1975. Foi meu primeiro contato com a obra de Caio, o primeiro livro dele que eu li, para um trabalho de escola, e, dentre todos os contos o que mais gostei foi Ascensão e Queda de Robhéa, Manequim & Robô (já contei essa história no post especial sobre Caio, para saber detalhes basta clicar na imagem do escritor no menu lateral do blog). Creio que gostei desse conto por ser um conto narrativo, com toda uma historinha; para mim que não conhecia o trabalho de Caio me pareceu o mais legal do livro, à época, pois era o conto mais fácil, mais "divertido"... A história é futurista e nos faz lembrar de filmes de ficção científica como Metropolis, Blade Runner, o Caçador de Andróides, A.I - Inteligência Artificial entre outros. Há também um paralelo com a trajetória da atriz Greta Garbo e seu "I want to be alone". É um conto bastante inventivo, que a gente, à medida que lê, cria imagens como se estivesse vendo um filme; eu bem que gostaria de vê-lo transformado em curta-metragem, ou mesmo um longa... A versão abaixo foi retirada de uma edição de O Ovo Apunhalado revisada pelo autor, em 1984. Espero que gostem, boa leitura!
ASCENSÃO E QUEDA DE ROBHÉA, MANEQUIM & ROBÔ
Para Elke Maravilha, ex-Bell, ex-Evremidis
I
Não foi difícil contê-los. No sétimo dia morriam pelas esquinas em estilhaços metálicos e ruídos de ferragens. A epidemia se alastrara de tal modo que se tornara muito fácil supreendê-los. Os policiais nem mais se preocupavam em armar ciladas, disfarçando-se de civis para poderem acompanhar e prevenir a evolução da peste. Os contaminados - assim haviam sido chamados pelo Poder - não suportavam o processo por mias de uma semana. Findo esse prazo, tombavam pelas praças e ruas, os olhos de vidro explodindo em pedacinhos coloridos, as engrenagens enferrujadas não obedecendo às ordens dos cérebros enfraquecidos. alguns tomavam doses enormes de estimulantes para que o cérebro, funcionando em quase sua totalidade, enviasse ordens cada vez mais violentas aos membros entorpecidos. Mas os nervos tornados frágeis pela modificação súbita não resistiam muito tempo - e o primeiro sintoma da derrocada era a explosão dos olhos.
Milhares de olhos espatifados enchiam as avenidas. Os mais práticos procuravam as oficinas: mecânicos azeitavam rótulas e, no terceiro dia, todas as oficinas haviam se transformado em hospitais. Sabendo disso, e da possibilidade de, a cada dia, os contaminados descobrirem mais e mais formas de sobrevivência, o Poder retirou das farmácias todo o estoque de estimulantes e ordenou o fechamento de todas as oficinas. Legiões fugiam em direção ao campo, corriam boatos de que era a proximidade com as máquinas o que provocava as mutações. mas sabendo também da possibilidade de se formarem grandes comunidades rurais, o Poder fechou todas as saídas das cidades. Então eles morriam feito ratos, sem que fosse necessário sequer procurá-los. Seus pedaços eram recolhidos tediosamente pelos caminhões de limpeza e encaminhados aos ferros-velhos, onde seriam vendidos como sucata.
Esperava-se também que, em breve, a epidemia fosse completamente esquecida pela faixa dita normal da população, e futuramente braços e pernas e seios e pescoços pudessem ser utilizados como objetos decorativos. Esperava-se ainda industrializar estilhaços de olhos para transformá-los em contas coloridas que seriam utilizadas na confecção de colares cheios de axé, para serem vendidos a turistas ávidos de exotismo. Esperava-se enfim conseguir a união entre as classes média e alta com as camadas sociais mais baixas pois, com todos utilizando objetos de origem ex-humana como decoração ou indumentária, estariam mais ou menos nivelados. Assim, tão logo começou a derrocada, o Poder divulgou comunicado aos órgãos de imprensa dizendo de seu interesse em aproveitar da melhor maneira possível os restos mortais dos contaminados. Houve grande entusiasmo por parte das indústrias, lojas de decoração, butiques e confecções - e imediatamente os ferros-velhos começaram a ser freqüentados por senhoras ricas e extravagantes. A crise parecia vencida, O Poder aumentou seu prestígio junto ao povo por ter sabido, uma vez mais, superar tudo de maneira tão eficiente e criativa.
II
A epidemia já era coisa do passado quando, em artigos publicados semanalmente, um jornalista começou a investigar as possíveis causas do fenômeno. A princípio a população irrtou-se e o jornal baixou assustadoramente as vendas: era o preço que pagava por remexer em assunto tão superado. Mas, não se sabe por que, o jornalista continuou a publicar seus artigos. comentou-se que seria amante da duquesa proprietária do jornal, segundo outros, ou ainda amante de ambos, em bacanais verdadeiramente dionisíacas, segundo terceiros. Contradizendo esses rumores, ventilou-se também que o jornalista seria um impotente sexual assalariado por uma poderosíssima organização estrangeira, especialmente para minar o prestígio do Poder.
Talvez devido a esses boatos, ou mesmo porque o povo não havia realmente esquecido a Peste Tecnológica - como fora chamada para efeitos sociológicos -, ou ainda porque algumas das hipóteses aventadas pelo jornalista, e que não vêm ao caso, fossem bastante viáveis, o fato é que uns quinze dias mais tarde o jornal dobrou sua tiragem e o assunto passou a ser comentado nos bares da moda. Os costureiros lançaram a linha-robô, com roupas inteiramente de aço e maquiagem metálica, os oculistas criaram novas lentes de contato acrílicas, especialmente para dar aos olhos o efeito de vidro. Surgiram novos manequins, de movimentos endurecidos e olhos vidrados. Tournou-se extremamente chique freqüentar oficinas mecânicas em vez de saunas, academias de dança ou institutos de beleza. E o jornalista começou a sair na capa das revistas mais famosas, sucediam-se entrevistas e debates e depoimentos em programas de televisão, até mesmo um curta-metragem financiado pelo Poder e dirigido por um rebelde premiado no estrangeiro foi feito especialmente para mostrar a residência do novo mito das comunicações. Um chalezinho em chumbo, totalmente mecanizado, com plataformas no banheiro para lavagens parciais e totais.
Mais tarde, o jornalista cedeu seu nome e imagem para a publicidade de determinado óleo de determinada firma. Tornou-se tão conhecido como os mais conhecidos ídolos de futebol e da televisão. Aos poucos, as mulheres descobriam encantos secretos em seus ombros magros, seus olhinhos míopes e sua calva luzidia. Uma famosa atriz de telenovelas apaixonou-se por ele, abandonando sem hesitar o marido fiel e dois filhos em idade pré-escolar para cortar os pulsos e ingerir uma dose excessiva de barbitúricos, sendo providencialmente socorrida pelo mecânico que lhe fazia massagens às segundas, quartas e sextas. Amainado o escândalo, ambos concederam sóbria entrevista, afirmando serem apneas bons amigos e, um mês mais tarde, oficializaram seus divórcios casando-se num pequeno país vizinho. Tornaram-se o símbolo da nova mentalidade, e sua casa passou a ser freqüentada por escritores inéditos, atores em ascensão, manequins promissoras, costureiros inovadores, jornalistas em evidência, marchands sensibilíssimos, diretores de cinema alternativos e todos, afinal, que de uma ou outra forma procuravam contribuir para a evolução da cultura ocidental.
O Movimento Tecnológico - que a essa altura já influenciava seriamente a música, a literatura, as artes plásticas, a moda e demais formas de expressão - ultrapassou as limitadas fronteiras do país para atingir o mundo inteiro. O índice de exportações aumentou incrivelmente, o país viu crescer suas divisas, artistas estrangeiros e turistas animados invadiam as cidades e as praias. E um tempo de prosperidade começava.
III
Enquanto isso, em porões de um beco escuro, reproduziam-se como coelhos os remanescentes da epidemia. Quatro deles haviam-se isolado de rumores e máquinas, levando consigo uma grande quantidade de latas de óleo e estimulantes para sua manutenção e, como não fossem descobertos, organizaram aos poucos outro sistema de vida. Já eram mais de meia centena apertados em meioa às paredes sujas de graxa, fazendo amor em ranger de metais e cintilações dos olhos de vidro. Dispunham-se a sair à superfície para tomarem o Poder quando foram inexplicavelmente descobertos e denunciados.
A rua suspeita foi cercada, os policiais derrubaram as portas com metralhadoras e encurralaram os contaminados contra uma parede úmida onde, com fortes jatos d'água, conseguiam enferrujar lentamente suas articulações. Morreram todos, da mesma maneira que seus precursores - à exceção de uma jovem inteiramente mecanizada, com grandes olhos em vidro rosa e magníficas pernas de aço. Foi imediatamente recolhida á prisão para ser encaminhada a um especialista em computadores, e seu nome e foto saíram em todas as páginas policiais. Seu fim teria sido desgraçadamente o mesmo de seus companheiros, se um famoso costureiro não tivesse se interessado por ela. Foi visitá-la na prisão e, por meio de vários e demorados contatos com figuras influentes, conseguiu libertá-la para maistarde lancá-la como principal manequim de sua coleção de outono.
A jovem, conhecida artisticamente como Robhéa, alcançou um espantoso sucesso. Galgou todos os degraus da fama em pouquíssimo tempo, acabando por filmar com os cineastas mais em voga no momento, ganhando prêmios e mais prêmios em festivais internacionais e sendo eleita Rainha das Atrizes durante cinco carnavais seguidos. Foi no último carnaval que, sem dar explicações, ela fugiu abruptamente do baile, espatifando a fantasia e repetindo em inglês que queria ficar sozinha. Retirou-se para uma ilha deserta e inacessível, onde viveu até o fim de seus dias. Comentou-se que era homossexual, e fora obrigada pelos empresários a esconder esse terrível fato do grande público. Uma jovem que fora sua camareira publicou um diário chamado Minha vida com Robhéa, best seller durante dez anos seguidos, com edições revistas pela autora, adaptações para rádio, televisão, cinema e fotonovela, proporcionando á ex-camareira a candidatura, ao mesmo tempo, ao Prêmio Nobel da paz e da Literatura. Excursões e expedições foram organizadas por legiões de fãs em desespero para chegarem até a ilha, guardada por animais selvagens, najas venenosíssimas e plantas carnívoras. Tudo inútil.
Muitos anos depois, os jornais publicaram uma pequena nota comunicando que Robhéa, ex-manequim, ex-atriz de cinema e robô de sucesso em passadas décadas, suicidara-se em sua ilha deserta e inacessível tomando um fatal banho de chuveiro. Seus restos enferrujados e mumificados foram colocados na Praça da Matriz no planalto central e, desde então, foram publicados fascículos com sua vida completa e fotos inéditas, os travestis passaram a imitá-la em seus shows e, quando as discussões versavam sobre as grandes cafonas do passado, seu nome era sempre o primeiro a ser lembrado.
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E aí, o que acharam do conto? Espero que tenham curtido. E lembrem-se há sempre outras opções, tão boas ou ainda melhores, de contos de Caio Fernando Abreu aí na lateral do blog, é só clicar e aproveitar! Mês que vem tem mais.
That's it!
enviada por Garland
12/01/2005 02:40
O Blig engoliu a última semana de 2004 dos meus arquivos, por isso republicarei alguns dos posts daquele período. O texto abaixo foi postado originalmente em
29/12/2004 06:45:48
FILMES DE ESTIMAÇÃO + FILMES GLBT
Inicio oficialmente a nova seção do blog em que vou comentar os meus filmes preferidos, aqueles filmes do coração mesmo, pelos quais tenho um carinho especial e que revejo de tempos em tempos, sempre com muito prazer. Escolhi como primeiro filme da Seção um filme que revi recentemente e que é muito bonito. Como tem uma temática homossexual na trama serve também para a Seção Filmes GLBT:
ROSAS SELVAGENS
A primeira vez que assisti a Rosas Selvagens foi há quase 10 anos, quando passou no Intercine na Globo. Gostei bastante e de outra vez que passou na TV acabei gravando. Desde então revi algumas vezes, nessa versão dublada. O filme ainda não foi lançado em DVD mas está disponível em VHS. Dê uma fuçada na sua locadora e quem sabe você dá sorte e consegue ver essa preciosidade...
Adoro o filme Rosas Selvagens, é um dos filmes que mais tem a ver comigo, me identifico bastante com esse filme pois ele representa bem um lado da minha personalidade, o lado mais tímido, reflexivo, indeciso e "ensolarado". O clima do filme é muito agradável e interessante de assistir. A história se passa em 1962, na pequena cidade de Villeneuve, numa França dividida por questões políticas relativas a independência da Argélia. O filme mostra as preocupações e temores de 4 jovens, assustados com a idéia de serem chamados para a guerra, e envoltos em um ambiente de contradições políticas e também pessoais.
É um belo drama, que aborda a entrada no mundo adulto destes jovens bem distintos entre si. O filme mostra uma ciranda de paixões entre os quatro. A bela Maite, militante comunista, tem um amor platônico por François que é seu amigo. O tímido e intelectual François por sua vez descobre-se gay e apaixona-se por seu colega de internato, o rústico filho de fazendeiros imigrantes italianos Serge, que a princípio parece corresponder, tanto que acabam transando. Serge, no entanto, prefere mulheres e nutre sentimentos por Maite, mas não é correspondido. Há também o rebelde e ambíguo Henri, um francês nascido em terra argelina, de visões extremamente fascistas, que é detestado por Serge mas desperta interesse em François. A personalidade e princípios de Henri se chocarão diretamente com os de Maite, no entanto ambos acabam se envolvendo amorosamente.
O filme tem momentos tocantes, de grande sensibilidade e beleza: François e Serge conversam deitados e surge um clima sexual entre eles; Maite e François conversam enquanto dançam e tentam entender o sentimento existente entre eles; François abraçando Serge na moto... A parte em que François vai a loja de calçados conversar com um senhor homossexual para pedir conselhos e tentar entender sua própria sexualidade é uma das melhores. Mas meu momento preferido do filme, sem dúvida, é a parte final, em que os quatro personagens se reúnem, com François e Serge de cuecas, brincando e nadando no rio (uma seqüência sexy, ingênua e até meio lírica eu diria) enquanto Maite e Henri se conhecem mais profundamente antes dele partir. A cena, próxima ao fim, em que Maite chora enchendo o rosto de François de beijos é muito bonita.
O filme é muito bem sucedido em tudo. O quarteto de atores é muito talentoso e charmoso (achei o ator Stéphane Rideau que interpreta Serge muito atraente, transpira sensualidade, gamei nele, podem aguardá-lo em uma próxima seção Eu Quero Um Desses, hehe); o roteiro é caprichado e inteligente com diálogos excelentes; a fotografia belíssima, com muitas cenas ao ar livre, mostrando lindas paisagens francesas, e a trilha sonora também é muito boa, com hits da época. Rosas Selvagens foi realizado como parte da série "Garotos e Garotas de Todas as Épocas", que contou com a participação de nove diretores franceses que abordam temáticas relativas a jovens de diferentes décadas. Ganhou 4 César (Oscar do cinema francês): filme, roteiro, direção e atriz revelação, Élodie Bouchez.
Rosas Selvagens é um dos mais belos retratos que o cinema já mostrou do período que compreende a passagem da adolescência para a fase adulta, os dilemas, descobertas e as diferentes visões do despertar da sexualidade. Feito com muita sensibilidade, o filme é complexo, sofisticado e tem um ritmo todo especial, bucólico e intimista. Para mim Rosas Selvagens é um filme maravilhoso que beira a perfeição. Nota: 9
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FICHA TÉCNICA:
Título Original: LES ROSEAUX SAUVAGES
País: França
Ano: 1993
Direção: André Téchiné
Com: Élodie Bouchez, Gaël Morel, Stéphane Rideau, Frédéric Gorny, Michèle Moretti, Jacques Nolot
Gênero: drama
Premiação:
César 1995
* César de Melhor Diretor
* César de Melhor Filme
* César de Melhor Roteiro
* César de Revelação de Atriz
* e mais 4 indicaçoes
Prêmio LAFCA (Los Angeles Film Critics Ass.) de Melhor Filme Estrangeiro
Prêmio NYFCC (New York Film Critics Circle) de Melhor Filme Estrangeiro
Prêmio NSFC (National Society of Film Critics, USA) de Melhor Filme Estrangeiro
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(No blog já tem alguns textos referentes a outros de meus “filmes de estimação”, basta clicar nos pôsteres na lateral do blog para ver os posts, mas agora que a seção é fixa aqui no Dirty estarei a cada mês falando sobre um novo filme.)
E vc, já viu Rosas Selvagens? O que achou do filme?
That’s it!
enviada por Garland
10/01/2005 06:37
E CORREU TUDO BEM EM FLORIPA...
(lá vem post gigante e detalhado, ah esse guri não muda mesmo!)
Em torno de 13h e 30 min de sábado liguei para Rapha, para saber se ele já estava em Floripa, caso contrário eu pegaria uma carona com ele até lá. Mas como eu imaginava ele já estava lá mesmo, com Fabricio e o namorado deste, Ander. Rapha me disse que iriam à praia e talvez demorassem, falei que assim que chegasse lá ligaria para ele. Peguei o ônibus das 14h e 39 min e cheguei em Floripa em torno de 16h, ligando para Rapha, ninguém atendeu, segui a pé para o Shopping Beira Mar, onde havíamos combinado previamente que seria o local de encontro. Eu não estava muito empolgado nesse dia, não curto viajar e ainda tava com uma sensação ou intuição de que o tal encontro não seria dos melhores. Chegando no Shopping, passado de 16h e 30min recebo uma ligação, era Fabricio, perguntando onde eu estava e dizendo que estavam na praia, que eu havia ido cedo demais, que eu fosse ver um filme no cinema que eles ficariam na praia que estava muito boa e em torno de 19h e 30 ou 20h iriam me encontrar. A ligação estava péssima, mal entendia o que ele falava. Mas certamente eu que já não estava muito empolgado não achei nada interessante aquela história de ter que ficar sozinho no Shopping esperando mais de 3 horas por eles. Achei uma falta de consideração, afinal eu já havia perguntado para Fabricio se ele preferia que eu fosse à tarde ou fosse só à noite para irmos pra balada, ele disse que era pra eu ir à tarde e agora me aprontava essa! Fiquei decepcionado e mal-humorado e devo ter transparecido isso no celular. Ele disse que ligava dali a pouco. Pensei em ligar para meu amigo Monsieur Costa que talvez ainda estivesse ali pelo Shopping, afinal ele tinha ido lá também na expectativa frustrada de encontrar com Rapha, Fabricio e Ander, mas desisti pois já devia ter ido embora, tinha trabalho a partir das 17h.
Passeei um pouco pelo Shopping, já quase arrependido de ter ido a Floripa e logo Fabricio me ligou, queria que eu pegasse um ônibus e fosse até Canasvieiras, praia onde eles estavam. Mais de meia hora de ônibus. Pensei e disse que não ia, preferia ficar no shopping mesmo, nem sabia onde pegava ônibus... Azar, eu esperaria como um bobo ali no Shopping mesmo, fazer o quê! Passado um tempo eu já cogitava sair catando um ônibus pra Canasvieiras quando Fabricio ligou de novo dizendo que estavam indo me buscar. Quase uma hora depois Rapha me ligou dizendo que estava no estacionamento do Shopping, fui ao encontro dele e no carro estava Ander, namorado de Fabricio. Cumprimentei-os e seguimos para Canasvieiras. Eram 18h.
Aquela confusão havia me dado uma bela broxada pro tal encontro com os amigos paulistas e meu humor não estava dos melhores ainda. No carro troquei algumas palavras com Rapha e Ander e tentei deixar o mal humor de lado, afinal seria chato ir com uma cara de bunda azeda ao encontro do Fabricio, ia pegar mal. Chegando em Canasvieiras eu já estava mais animado, mas ainda estava um pouco borocoxô. Encontramos Fabricio e um casal (os que os hospedaram), cumprimentei Fabricio com um abraço e beijo e cumprimentei os outros também. Falaram que estavam indo pra praia novamente e perguntaram se eu queria uma bermuda emprestada pra entrar n'água. Eu não quis, eu havia levado apenas roupa pra balada, numa sacola, e não tinha outra cueca além da que eu vestia, se eu molhasse aí as coisas iam complicar, ehehe. Seguimos para a praia conversando, de cara já surgiu o comentário de que eu era parecido com o Joey, da série Friends, que todos no grupo adoram, a partir daí tiraram onda comigo a noite toda falando e pedindo que eu falasse a célebre frase: "How're you doing?". Mas não me incomodei com isso, foi até legal pra descontrair. Na praia todos entraram no mar, com exceção de mim e de Anderson. Ficamos sentados numa toalha na areia e batemos um bom papo. Foi engraçado ver Rapha tão animado entrando no mar, ao lado de Fabricio ele parecia uma criança, alegre e saltitante, todo feliz. Até rolou de enterrarem Fabricio na areia e modelar uma espécie de sereia, deixando só a cabeça dele de fora. Foi engraçado. Já era quase noite quando fomos todos para a casa.
Lá eu ainda estava um pouco inibido, mas já não estava de mal-humor. A impressão que eu tive de Fabricio e de Anderson foi exatamente o que eu imaginava deles: Fabricio bem brincalhão, Anderson mais reservado e ambos bem diferentes fisicamente um do outro. A galera comeu alguma coisa e depois foi pro banho, fui o último. Rapha apareceu com um presente para mim, um dvd, achei aquilo estranho, mas logo ficou claro que o presente era do Fabrício, não dele, achei muito legal da parte do Fabricio ter me trazido um presente, era o filme Juventude Transviada, com James Dean, adorei, mas acho que fui meio indelicado e estraga prazeres dizendo que eu já tinha o filme em VHS, eu podia ter omitido isso... Depois ficamos na sala conversando, eu já estava mais à vontade, tava um clima bem bacana ali, o casal amigo de Fabricio e Ander era muito divertido e boa gente, com um humor ótimo, super amigáveis e agradáveis. Sentíamos fome e decidimos ir a um rodízio de pizza, no caminho Fabricio imitava um sotaque gaúcho pra tirar onda com a minha cara, era hilário o jeito que ele falava. Queríamos um lugar que aceitasse os vales de Fabricio e não havia nenhum que aceitasse. Foi uma odisséia. Não encontramos e acabamos por fim jantando num rodízio qualquer. Muitas brincadeiras, muitas piadas, e um clima super legal. Depois seguimos para casa. Devia ser 23h e pouco. Daí o lance foi a galera tratar de se arrumar para a balada.
Liguei para Monsieur Costa para saber se ele iria na boate Concordde também e ele disse que não ia, por questões financeiras e conjugais (o namorado dele não poderia ir e não havia gostado muito da idéia de Monsieur Costa ir sozinho). Foi uma pena, pois percebi que não iria ver meu amigo que há vários meses eu não via.
Tiramos várias fotos antes de sairmos, não sei se algum dia verei alguma delas, espero que sim. Inclusive colocaram Rapha e eu juntos para tirar foto, só os dois, foi engraçado, pois nem quando Rapha e eu tínhamos uma espécie de relacionamento tiramos fotos juntos só os dois, agora que tudo já era passado acontecia isso... Depois me despedi do casal, que eu não veria mais, e seguimos para o centro, rumo a boate. O clima lá na casa tava tão legal que dava até preguiça de ir pra balada, percebi que Fabricio e Ander não estavam muito empolgados, até porque não haviam curtido o lugar onde estiveram na noite anterior, o bar gay The Pubb, e não tinham boas expectativas pra Conca. Quanto a mim, minha expectativa era reencontrar meu amigo Jack, pois havíamos combinado de nos vermos no posto de gasolina em frente a boate, antes de entrarmos.
A caminho do centro comentávamos sobre a "não-ida" de Monsieur Costa e um comentário meu sobre namorados acabou fazendo com que Fabricio e Anderson tivessem uma pequena divergência, achei até que ia sair uma discussão, hehe. Mas que nada, tudo ok.
Chegando na boate, estacionamos e logo encontramos Jack no posto, conversamos um pouco e entramos na Conca, que fazia mais de ano que eu não ia. Estava muito quente lá dentro, uma verdadeira sauna. A gente suava, as pessoas todas estavam ensopadas de suor que escorria, algo meio nojento, não animava nem a ficar com alguém desse jeito. As pistas giratórias, pra minha decepção, não estavam funcionando e não giravam. Havia muita gente bonita e muita gente feiosa também. Mas eu não estava no clima pra ficar com ninguém, a verdade é que logo que entrei lá me desanimei de tudo, de dançar, de ficar com alguém, acho que eu estou virando um velho ranzinza mesmo, esse tipo de ambiente cada vez menos me atrai...
Circulei por lá com Jack, que estava bem animado, e fiquei um tempo com os rapazes também. Nisso, rolou alguns flertes meus com alguns carinhas, mas nada realmente que valesse a pena, nada que compensasse o contato com o suor alheio. Mas, se um cara realmente gostoso demonstrasse estar afim duns amassos comigo eu não pensaria duas vezes, mas não rolou. Outra coisa é o fato de saber que ia ser só uma ficada de boate sem futuro nenhum, pra mim que não moro lá, ficar com alguém pra só dar uns beijos naquela noite não parecia algo muito bom. Outra coisa: Rapha estava ali por perto e eu queria evitar de tá ficando com alguém na cara dele como se fosse uma provocação, ou uma competição pra ver quem ficava com alguém, quem ficava com o mais bonito, etc. Não gosto dessas coisas... Ele, no entanto, até foi "assediado" por um carinha meio jeitosinho, mas por alguma razão não quis ficar também. Creio que eu não teria problemas quanto a isso de vê-lo ficando com outro, e se me incomodasse certamente sairia de perto e ia circular com o Jack pela boate.
Fiquei dançando com Jack, às vezes bem biba, eu queria me divertir. Depois fomos todos para a "dark room" da boate, uma sala escura com sofás pra galera conversar e dar uns amassos. Rapha não foi, seguiu na sua tradicional linha "tô sozinho olhando pro horizonte, aparentemente indiferente a tudo e todos, mas se quiser pode chegar junto". Na dark Jack deitou a cabeça em meu colo e ficamos conversando numa boa, colocando o papo em dia. Ander acabou dormindo e Fabricio chegou junto pra conversar com a gente. O tempo passava e Rapha lá sozinho olhando pra pista inferior. Acabei indo até ele e convidando-o a entrar com a gente na sala escura, para sentar-se e conversarmos todos; naquele momento ali, nós dois, senti vontade de dar um beijo nele, mas eu não fiz isso pois certamente ele ia me repelir, limpar o beijo ou ficar puto da cara comigo, além do mais eu percebia um vazio no olhar dele em total indiferença a mim, seria ridículo eu tentar qualquer aproximação, felizmente tive vergonha na cara e não me sujeitei a mais essa humilhação na minha já vasta lista. Retornei para a dark e fiquei conversando com os outros amigos. Rapha apareceu lá pouco depois e após um pouco de conversa fiada sobre desenhos animados decidimos ir embora, mas antes disso dei um forte abraço em Jack, do tipo de abraço que dois homens não podem dar em público, hehe..
Jack prôpos de me levar à rodoviária e me fazer companhia até o ônibus vir. Eu gostei da idéia e concordei. Seguimos todos para o carro de Rapha onde eu havia deixado minha sacola. Rapha também quis me levar à rodoviária, mas Jack também insistia e achei melhor ir com ele mesmo para conversarmos um pouco mais. Chegou a hora da despedida, abracei Fabricio e agradeci pelo presente que havia trazido pra mim, falei que adorei ter encontrado eles, e me despedi de Ander também. Aproveitei para me despedir de Rapha também, com um beijo no rosto, pois provavelmtente não o verei novamente tão cedo, ele vai morar em Floripa a partir de fevereiro. Deu uma peninha de me despedir deles, se desse eu ficaria junto mais tempo.
Segui com Jack rumo a rodoviária, eram 5h. Ficamos lá sentados, esperando meu ônibus chegar, conversando sobre homens e sobre sexo, coisa que não temos pudor nenhum de falar um com o outro, tava bem legal o papo. Quase 6h eu me despedi dele e peguei o ônibus de volta para BC.
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E foi assim o tal passeio a Floripa: bem legal. Gostei de conhecer Fabricio e Anderson, achei eles uns amores, muito queridos e gente boa, curti os momentos em Canasvieiras, me diverti bastante. Os momentos mais chatinhos do "passeio" foram a chegada em Floripa com o lance do Shopping, e a ida à sauna, quer dizer, à boate Concordde, que foi meio decepcionante (não pela cia, mas pelo calor e porque nao achei legal mesmo, eu esperava mais do lugar). Mesmo assim valeu pois reencontrei Jack lá. Foi uma pena não ter encontrado Monsieur Costa, aí o meu "passeio" estaria completo, mas fica pra uma próxima. Enfim, é sempre bom estar entre amigos e esse sábado foi bem especial. Valeu.
That's it!
enviada por Garland
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