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28/01/2005 06:36
FILME DE ESTIMAÇÃO
BEM VINDO À CASA DE BONECAS
Esse sem dúvida é um dos filmes que eu mais amo, está no meu top five com certeza, é um filme pouco conhecido e que as pessoas costumam achar mediano (geralmente não gostam do final), mas que eu adoro, um legítimo "filme de estimação" para mim e que, logicamente, merece um ultra-hiper-mega-super post .
O filme mostra o cotidiano de Dawn Wiener, uma garota de onze anos, feiosa, mal-vestida e odiada por todos na escola. Através dos pesados óculos de Dawn a vida é vista como uma sucessão de fracassos, frustrações e pavores. Torturada pelos colegas de classe que a saúdam no recreio com um coro de insultos do tipo "Lesbo" e "Wienerdog" (salsichão), a garota vive uma adolescência infeliz e deprimente. Seu maior sonho é ser popular, mas para pessoas como Dawn o destino é ser alvo de piadas dos mais belos e felizes. Em casa a situação não é melhor: filha do meio, Dawn é incompreendida e desprezada pelo pai submisso e pela mãe agressiva, enfrentando a concorrência da irmãzinha bailarina amada por todos e do irmão mais velho, um nerd fanático por computadores que lidera uma desoladora banda de fundo de quintal. É nessa banda que Dawn descobre a paixão, quando fica fascinada pelo vocalista bonitão, Steve. Obviamente ela não tem futuro nenhum com ele. Outra pessoa que desperta sentimentos fortes na jovem Dawn é o rebelde e delinqüente Brandon, colega de aula da garota que ameaça estuprá-la, marcando hora e local ( e ela, aterrorizada, vai). Dawn não é má, mas o seu cotidiano angustiante não é nada fácil e em alguns momentos ela sente muita raiva dentro de si, da má sorte que tem na vida. Ah, se ela fosse popular, se ela fosse bonita, se ela fosse amada...
Muitas cenas são ótimas e marcantes, entre minhas preferidas estão as que mostram Dawn enfurecida serrando a cabeça da boneca da irmã; Dawn indo ao encontro de Brandon para o "estupro", momento em que ambos conversam e descobrem terem algumas coisas em comum; acho muito lindinha a cena em que Dawn e Brandon estão deitados no "Clube Para Pessoas Especiais" (uma casinha que Dawn criou em seu quintal), olhando a lua ao som de "Lost in Your Eyes" (confira abaixo o post especial sobre a música)... Muito engraçada e super-loser a parte em que a família está assistindo um vídeo de aniversário e vemos Dawn sendo empurrada pela irmã dentro da piscina, com roupa e tudo... A cena em que Dawn com um martelo na mão pensa em matar a irmãzinha que dorme, dizendo: "você é tão sortuda", é bem significativa e a seqüência em que todos dizem que amam Dawn, a escola toda em coro dizendo "Dawn nós te amamos" (só podia ser um sonho, ehehe) é na minha opinião a melhor do filme, que sintetiza tudo que Dawn mais queria na vida. O final, que muita gente não gosta, eu acho ótimo, é um fim em aberto, nada feliz, que ressalta a sensação de que a vida de Dawn vai seguir sofrida e medíocre.
Um dos maiores trunfos do filme está na sua protagonista, a excelente Heather Matarazzo, perfeita no papel da garota rejeitada, brega, sem sal, amedrontada, meio songa-monga e bom coração, mas ao mesmo tempo com uma fúria dentro de si e muita frustração e raiva, que ela demonstra num olhar matador. Transmite perfeitamente a angústia e mal-estar da personagem, sem chegar a apelar para a compaixão do público. Outro personagem bastante interessante é Brandon, interpretado por Brendan Sexton Jr.: o garoto consegue ser incrivelmente sexy ao mesmo tempo que é rebelde e violento, é um excluído, como Dawn, mas usa uma máscara de agressividade para se proteger. Uma espécie de James Dean juvenil, o cara tá um tesãozinho nesse filme (hehe ó a pedofilia rapaz!) e pôde ser visto também em Meninos Não Choram, num papel semelhante, como um dos estupradores da personagem vivida por Hillary Swank.
(A familia de Dawn)
(Steve à esq. À dir. Todd Solondz dirige o filme)
Bem-vindo à Casa de Bonecas foi vencedor do grande Festival de Cinema Independente de Sundance em 1996 e é um retrato cruel da adolescência, fase que para uns é um verdadeiro inferno. O diretor Todd Solondz (que também dirigiu o incômodo Felicidade, entre outros filmes “suburbanos”, sua especialidade), fez uma obra excelente, com um olhar mordaz e sem retoques, cômico e cortante em igual medida. Não fez questão nenhuma de amenizar o sofrimento da garota ou mesmo da platéia com piadinhas ou gestos de compaixão. Aí está o ponto forte do filme, que o faz ser tão especial: é realista, fugindo do tradicional conto de fadas hollywoodiano em que o patinho feio acaba no fim se tornando um cisne. Ao contrário do que muitos filmes costumam mostrar, nesse a protagonista não é especial; por trás de sua falta de graça não há uma linda mulher prestes a desabrochar, ou uma inteligente e sensível garota destinada a um futuro brilhante ou a um grande amor que tudo vai transformar. A vida de Dawn é um mar de mediocridade mesmo e tudo indica que vá continuar assim. O filme é por vezes cruel em seu realismo, mas ao mesmo tempo engraçado, do tipo que se assiste com um sorriso incômodo no rosto... Para aqueles que não se identificam com Dawn, fica a curiosidade pela sua história e um sentimento de alívio por não ter vivido nada parecido; para os que se identificam fica a simpatia e também um sentimento de alívio por ser uma fase que já passou em suas vidas. Bem-vindo à Casa de Bonecas é uma pequena obra-prima e merece ser descoberto, dê uma olhada na locadora, quem sabe você dá sorte de encontrar essa pérola do humor negro a sua espera, ou então faça como eu, pegue na internet e bom divertimento.
MAS POR QUE EU AMO TANTO ESSE FILME?
Não lembro ao certo quando assisti Bem-vindo à Casa de Bonecas pela primeira vez, acho que foi em 1999, havia passado na Globo, no Intercine e deixei gravando. Quando assisti adorei, e revi com minha irmã e depois com minha mãe. Eu estava na facul em outra cidade e deixava uma fita em casa para gravarem novela e outros programas para mim, nessa fita estava o filme e minha irmã acabou desgravando. Que uódiooooo mortal! Depois disso procurei o filme em todas as locadoras que fui na vida, ehehe, mas nunca o encontrei, é artigo raro o VHS do filme, poucas locadoras que possuem, e em dvd nem foi lançado. Fiquei anos querendo rever Bem-vindo à Casa de Bonecas, que me marcou tanto, e finalmente, após um mês e pouco baixando pelo E-mule, consegui revê-lo recentemente no comecinho desse ano. Ahhhh, que emoção!!! Tão bom relembrar a história de Dawn, eu já havia esquecido vários detalhes, foi ótimo.
Acho que são vários fatores que me cativaram e me fazem adorar esse filme, mas o principal é a minha identificação e a simpatia pela personagem principal, a garota Dawn. Me identifico com ela porque na adolescência eu era de certa forma parecido com Dawn, eu não era feio nem desajeitado e mal vestido como ela, ao contrário, mas eu também não era nada popular. Quando criança sempre tinha os que implicavam comigo no colégio, na adolescência isso diminuiu bastante, mas eu não me enturmava, era bastante tímido, nada de amigos apenas alguns colegas com quem eu fazia os trabalhos de aula e me dava bem. O fato de ser gay, mesmo não tendo certeza de ser essa minha orientação sexual realmente na época, me fazia sentir diferente dos outros, eu não fazia questão de cativar ninguém, eu mesmo me isolava, poucas as pessoas com quem eu me identificava. Não foi exatamente uma adolescência sofrida como a de Dawn, foi uma adolescência muito apagada em que eu queria passar despercebido, mas ao mesmo tempo sentia vontade de ser mais popular e ter mais amigos, que gostassem mais de mim. Por isso eu tenho muita simpatia por personagens excluídas e desajustadas como Dawn Wiener ou Carrie White (do filme Carrie, A Estranha, outro filme que adoro): por um pouco de identificação e também por acreditar que seriam pessoas das quais eu gostaria de ser amigo. Sempre tive a tendência - não por pena, mas por simpatia mesmo ou identificação - de me aproximar de pessoas diferentes (lembra da história da minha amiga Simone?) ou então pessoas mais retraídas, tímidas e para as quais os outros torcem o nariz... É, eu acho que eu sou do time dos "losers" mesmo, hehehe. Adoro a personagem Dawn Wiener e adoro Bem-vindo À Casa de Bonecas, que é um dos filmes mais losers e mais legais que eu já vi. É diferente, tem personagens interessantes, cativantes (ao menos para mim), um roteiro muito legal e bem bolado, e o poder de não passar indiferente. Como "filme de estimação" que é, adoro rever de tempos em tempos, sempre vale a pena.
FICHA TÉCNICA:
Título Original: Welcome To The Dollhouse
Ano: 1995
Direção: Todd Solondz
Elenco: Heather Matarazzo, Dabia Kalinina, Matthew Faber, Bill Buell, Angela Pietropinto, Brendan Sexton Jr., Eric Mabius.
Duração: 87 min.
E você, já assistiu "Bem-vindo à Casa de Bonecas"? O que achou do filme? Diz aí!
Não assistiu? Então clique na imagem abaixo e confira o TRAILER do filme:
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Mais textos especiais sobre meus outros Filmes de Estimação podem ser encontrados clicando nos pôsteres no menu lateral, bem lá embaixo. Confira!
That's it!
enviada por Garland
28/01/2005 04:30
MÚSICA DA VEZ
LOST IN YOUR EYES de DEBBIE GIBSON
A música da vez foi escolhida como trilha sonora para o texto especial sobre meu filme de estimação Bem Vindo à Casa de Bonecas (post acima). Essa música toca em um dos momentos que acho mais bonitos do filme, quando Dawn Wiener, a personagem principal, está junto de Brandon, um colega de escola com quem ela está envolvida. Eles estão deitados, olhando a lua através do teto do "Clube Para Pessoas Especiais" (uma casinha que Dawn construiu no quintal) enquanto essa música tão doce toca num radinho. Eles conversam um pouco e se beijam, numa das poucas cenas românticas que nos comovem e fazem crer que a coisas podem estar tomando um rumo melhor para Dawn. Mas ela diz a Brandon que não pode ser sua namorada, que queria, mas ama outra pessoa... O rebelde Brandon fica revoltado e sai furioso de lá, Dawn corre atrás e ele a derruba no chão, chamando-a de babaca... Como tudo na vida de Dawn, não seria agora que as coisas acabariam bem.
Foi através dessa cena que eu tive curiosidade de baixar essa música na internet para escutá-la por completo. Eu já a conhecia, pois essa canção foi um mega hit na época de seu lançamento, lá por 1989, 1990 e é o tipo de música que passa anos e segue tocando nas rádios por aí. Faz parte do segundo disco da cantora e compositora Debbie Gibson, Electric Youth de 1989, e atingiu o primeiro lugar nas paradas gringas. Debbie, hoje com 34 anos foi uma rainha teen dos anos 80, década em que freqüentou as paradas com três grandes hits: "Lost In Your Eyes", "Only in My Dreams" e "Foolish Beat" (de seu primeiro álbum lançado quando ela tinha 16 anos e que lhe rendeu o título à época de mais jovem artista mulher a compor, produzir e interpretar um hit #1). Foram vários prêmios nessa fase. Anos depois ela enveredou para a carreira de atriz, paralela à de cantora e, recentemente, esteve em cartaz em dois shows da Broadway, Beauty and the Beast e Cabaret. A canção "Lost In Your Eyes" também está presente na coletânea Greatest Hits, de 1995. (Mais informações sobre a cantora você encontra no site oficial dela).
Adorei a voz de Debbie Gibson, se você reparar lembra muito a voz de Jewel, minha cantora preferida. E a letra de Lost In Your Eyes é incrivelmente romântica, eu diria que chega a ser brega de tão romântica, uma tremenda "baba". Mas e daí? Quando as pessoas estão apaixonadas elas não ficam assim mesmo, meio bobas, melosas? Hehe. Então nada melhor que ouvir uma música que descreve bem o que é a sensação de estar apaixonado, amando... Te faz flutuar... E essa música desperta um sentimento bom na gente, começa devagarinho e cresce, dando uma sensação gostosa, como se a sensação de amar fosse crescendo e crescendo ao longo da música, e o peito se enchendo daquele amor, é doce e grandiosa, como deve ser "amar de verdade". Hehehe, que viagem! É melhor parar de delirar, eu que estou longe de estar sentindo isso por alguém... Fiquem com a letra dessa música fofa demais e a tradução, aí embaixo:
LOST IN YOUR EYES
I get lost in your eyes
And I feel my spirits rise
And soar like the wind..
Is it love that I am in?
I get weak in a glance
Isn't this what's called romance?
And now I know
'Cause when I'm lost I can't let go
CHORUS:
I don't mind not knowing what I'm heading for
You can take me to the skies...
It's like being lost in heaven
When I'm lost in your eyes
I just fell, don't know why
Something's there we can't deny...
And when I first knew
Was when I first looked at you
And if I can't find my way
If salvation seems worlds away
Oh, I'll be found
When I am lost in your eyes
I get weak in a glance
Isn't this what's called romance?
Oh, I'll be found
When I am lost in your eyes
PERDIDA EM SEUS OLHOS
Eu me perco nos seus olhos e sinto
Meu espírito se elevar e subir como o vento
Será amor o que estou sentindo?
Um rápido olhar me deixa frágil
Não é isso que se chama romance?
E agora eu sei
Porque quando estou perdida não consigo deixar ir
Não me importo de não saber qual o meu destino
Você pode me levar aos céus
É como estar perdido no paraíso
Quando estou perdida em seus olhos
Eu simplesmente percebi, não sei porque
Há algo que não conseguimos negar
E quando eu soube disso
Foi quando o vi pela primeira vez
Se não consigo encontrar meu caminho
Se a salvação parece a milhas daqui
Oh, serei encontrada quando estiver perdida nos seus olhos
Um rápido olhar me deixa frágil
Não é isso que se chama romance?
Oh, serei encontrada quando estiver perdida nos seus olhos
Linda música não é mesmo? Tão gostosa de ouvir, bem bubblegum, eu deixo tocando e me desligo, já ouvi trocentas vezes desde que a pus no blog, hehe.
Pra quem quiser ouvi-la, mesmo depois que eu a trocar por outra no blog, basta clicar no link abaixo:
Lost In Your Eyes.
Em breve outra música que eu adoro poderá ser ouvida aqui na "Rádio Dirty Pearls"... Até lá!
That’s it!
enviada por Garland
24/01/2005 05:36
SEÇÃO MENTE EFERVESCENTE
Um dos trocentos assuntos que tenho pensado e sobre o qual conversei hoje com minha amiga Marcinha (eu não disse que voltaria a falar essa frase? hehe) é o relacionamento entre os "ex", algo que pode trazer situações bastante interessantes e algumas realmente ridículas, principalmente quando ambos começam a competir. Vamos ao tema de hoje, dessa vez escrito de forma um tanto exagerada e dramática, na primeira pessoa em alguns momentos, em várias "vozes" boas e ruins. Por isso não se assuste, hehe, nessa seção busco sempre explorar todos os lados de um assunto, nem sempre o que escrevo é sobre o que eu faço, como me sinto ou o modo como ajo ou penso no meu dia-a-dia, e sim as diversas possibilidades que o tema sugere, tento ver por vários ângulos. E não, esse post não é indireta pra ninguém, só coisas sobre as quais estive refletindo ok?
(Joseph Sayers)
COMPETIÇÃO ENTRE EX
Quando um relacionamento amoroso "termina" ele nem sempre termina de fato. Na verdade raramente termina pra valer, mesmo após ambas as partes ou uma delas decidir pelo término. Confuso? Calma eu explico. É comum uma enxurrada de emoções ainda estar presente em ambos os envolvidos quando um namoro chega ao fim, queira ou não existiu uma ligação, um laço que unia aquelas duas pessoas, seja ele o sexo, o dinheiro, as afinidades, o amor... E quando um namoro acaba não necessariamente todos os laços acabam com ele, muitos sentimentos persistem. Penso que o ideal na maioria dos casos seria o término total, se existisse um botãozinho para desligar e determinar que "pronto, acabou de vez, por essa pessoa não sinto mais nada, nada vindo dela me atinge mais", muitas pessoas viveriam bem mais tranqüilas. Seriam mais frias, mas mais tranqüilas, certamente. Mas não é isso que acontece, laços permanecem, sentimentos permanecem e novos podem surgir.
Com o término de um namoro podem acontecer várias coisas e todas envolvem os sentimentos relacionados entre as duas pessoas: elas podem terminar amigavelmente e seguir amigas, mantendo a afinidade e o interesse mas deixando o sexo, o ciúmes e o amor de lado. Elas podem terminar de forma ruim, entre brigas e traição, restando rancor, raiva, ódio, traumas, medo ou desprezo... Podem terminar de forma a sentir alívio e se sentirem livres, libertas de uma situação sufocante, não guardando rancor mas não querendo mais contato. Podem terminar de forma que uma das partes ainda ame, sentindo ciúmes, inveja, tristeza e esperanças. Podem terminar e não sentir mais nada um pelo outro além de tesão, encontrando-se ocasionalmente para sexo. E muitas outras possibilidades. Em todas elas há ainda uma ligação, ligação essa que pode se extinguir rapidamente, em questão de dias, mas o fato é que ninguém termina um namoro de forma indiferente. Veja bem, estou falando de namoro, o que se pressupõe um maior envolvimento afetivo, um gostar, intimidade, um mínimo de convivência, essas coisas que criam laços. Sexo casual do tipo fudeu e tchau não traz esses envolvimentos todos que eu falo, apesar de que pode também ocasionar o fator competição, que é onde quero chegar nesse texto.
Havendo ainda uma ligação qualquer entre o casal que terminou o relacionamento, sobra muitas vezes uma curiosidade. Aquela a que me referi em um post passado como a "curiosidade mórbida", que é ficar querendo saber como o ex está, o que está fazendo, com quem está saindo, se tá triste ou tá feliz, na fossa ou curtindo a vida, etc. Muita gente logo após o término de um namoro segue na curiosidade mórbida: se mantem amizade com ex pergunta diretamente a ele o que tem feito, se não mantem dá jeito de descobrir com alguém, com um amigo ou vizinho ou mesmo seguindo na rua e dando plantão na esquina da casa do cara pra bisbilhotar (pode parecer incrível mas isso existe sim!). Parece loucura, mas não é. De fato eu acho até natural a gente querer saber como está uma pessoa que foi importante pra gente durante um período e talvez ainda o seja. Saber se ela está bem, caso você ainda goste dessa pessoa, ou mesmo saber que ela tá mal ou que se ferrou, caso existam ressentimentos e raiva dela. Claro que há aqueles que terminam namoro e acham melhor cortar contato, se afastar e deixar o ex no passado, não fazem questão nenhuma de saber como ele está e o que está fazendo, justamente para esquecê-lo ou mesmo pra não se magoar com as possíveis descobertas. Pode parecer egoísmo mas às vezes o egoísmo é necessário, "se acabou, acabou" é a filosofia dessas pessoas, e eu até acho válida. Mas sabemos que não é tão simples agir assim, os sentimentos que permanecem entre os "ex" muitas vezes impedem esse desligamento por completo, resta no mínimo uma ponta de curiosidade.
Com a curiosidade surgem descobertas, e nem sempre são agradáveis (por isso a chamo de mórbida), principalmente quando mexem com o ego da gente. Quando fica-se sabendo que o ex em tempo recorde está com outra pessoa, quando vê ele ao lado de alguém mais bonito, ou fica-se sabendo que a pessoa é rica, tem mais posses que você, é mais popular, enfim, mais qualidades positivas. Pode ser desagradável descobrir que o seu ex está feliz, muito feliz, e você não está, você está na merda, sozinho, chorando. Perceber que ele já te esqueceu e você ainda não o esqueceu. Que ele arranjou alguém melhor que você... Nossa que pessimismo hein? Heheh, mas é verdade, essas coisas afetam as pessoas, justamente por elas ainda manterem sentimentos dentro de si por aquele ex. Isso muitas vezes faz mal, acaba com a auto-estima, magoa, dá raiva, inveja... Você pode até vir a ficar feliz por ele, caso ainda goste dele e o queira bem, mas pode sentir-se mal, por você, por isso ferir seu ego. Mas o contrário também ocorre: você descobrir que seu ex está na merda, perdeu o emprego, se envolveu com o maior rodado da cidade e levou um monte de chifre, se envolveu com alguém que o humilhou ou lhe deu um pé no rabo, que está triste e infeliz, que está por baixo... Aí você pode até sentir pena, indiferença ou pode se sentir feliz com isso, caso você tenha guardado mágoa do sujeito, pois aí você quer mais é que ele se ferre, é o gostinho da vingança, o troco que a vida deu. Feio isso né? Mas é a vida, os seres humanos são assim mesmo baby, não adianta fingir que tudo é pink e todos são perfeitos.
(Joseph Sayers)
E você fica sabendo das últimas de seu ex, que fez isso ou aquilo de bom, daí você quer superá-lo, quer fazer algo melhor, ou então quer dar o troco nele, fazer algo bem melhor e que ainda possa atingi-lo! Boa... Pô, ele se divertindo, fudendo horrores, de namorado novo, na gandaia e você não? Aí não dá né, você precisa correr atrás do prejuízo, superá-lo, ter histórias melhores pra contar. Olha a competição aí! Ah, seu ex está na merda? Tadinho dele. Mas você está feliz, curtindo muito, arranjou um novo namorado, tem saído muito, novos amigos a vida está maravilhosa... Que sensação boa né, sentir que você está por cima e ele por baixo, dá vontade até de esfregar isso na cara dele, se exibir, "viu só, eu estou ótimo sem você!". Ora, se você ainda mantem contato com o sujeito como "amigo" você pode fazer isso no primeiro papo que tiverem, mas de forma sutil tá, caso contrário você vai simplesmente parecer ridículo se exibindo. Se você não mantém mais contato você pode dar um jeito dele saber quão bem você está, fale pra um amigo dele, vá aos lugares que ele freqüenta, passe na rua dele acompanhado de seu novo namorado, faça ele saber como você está melhor sem ele! Putz, que ridículo isso tudo... Mas quem não ao menos pensou nisso em algum momento na vida, sobretudo se sobrou rancor, que atire a primeira pedra.
E assim, quando acaba um namoro, nos vemos numa competição (a palavra pode parecer muito forte mas é a mais apropriada), mesmo que ela seja quase involuntária, bem tranqüila, inaparente, enrustida. Mesmo que seja só uma questão de honra, você precisa estar melhor que seu ex. Mesmo que você lhe queira bem, você quer estar "mais bem" não é? Vocês terminaram e a competição começou, você não reparou? Quem vai arranjar um namorado primeiro, quem vai sair com o cara mais bonito-gostoso-rico-popular, quem vai fazer mais amigos, quem vai fuder mais, quem vai se divertir mais, quem vai ser mais feliz, quem vai se dar melhor na vida. Parece patético não é? Mas é isso mesmo, isso acontece, é assim que as coisas são. Uma competição em que um acaba querendo ser mais feliz que o outro, mostrar ao outro ou a si mesmo o quanto é capaz de viver bem sem ele, o quanto está melhor sem ele, como deu a volta por cima rapidinho. Pode ser algo unilateral, em que só um encara como competição e o outro nem mesmo fica a par, pode ser que sejam competições individuais para si mesmos e nenhum faça questão de esfregar nada na cara do outro, mas no geral acho que ocorre com ambas as partes esse sentimento de competição, mesmo que enrustida, mesmo que por pouco tempo.
Nessa competição há alguns que exageram, chegam ao cúmulo e acabam sendo verdadeiros rivais, um sabotando o outro, falando mal, queimando o filme, puxando o tapete, se exibindo, querendo magoar o outro, feri-lo, provocar. Pode ser uma disputa escancarada ou uma disputa velada, as armas são várias. Vale trepar com o melhor amigo do ex, se unir ao maior inimigo dele, ficar íntimo de alguém que ele é afim ou já foi apaixonado para provocá-lo ou vê-lo mal, melar o novo namoro do ex fazendo com que os podres venham à tona, dar em cima ou pedir pra um amigo dar em cima do namorado do ex pro cara ser corno e infeliz, mexer os pauzinhos e prejudicá-lo profissionalmente, enfim, uma infinidade de golpes baixos, bem baixos que uma bicha naja, rancorosa e/ou dissimulada é capaz. Tudo para vê-lo por baixo e você ficar melhor que ele! O lado mais sórdido da competição tem muitas opções, basta usar a criatividade. Mas no geral ela não chega a esses extremos, é algo bem silencioso, velado... Mas que o caráter competitivo está ali, intrínseco, em maior ou menor grau, após um término, ah isso está, e às vezes começa até mesmo durante o relacionamento!
Mas sempre há competição? Não, óbvio que não, eu acho que ocorre com freqüência sim, mas não é sempre. Existem aqueles casos em que os caras terminaram e um mudou de cidade, ou então simplesmente cortaram contato total e não quiseram mais saber nada um sobre o outro, indo cuidar cada um de sua vida, em total indiferença mútua. Ou ainda quando ficaram amigos, numa amizade verdadeira sem mágoas, ressentimentos, provocações, ciúmes, inveja, rancor (é, parece raro, mas pode acontecer), se bem que entre amigos também há competições às vezes né? Hehe. A competição NÃO ocorre quando cada um entende que a vida continua e que cada um vai colher o que plantar, tudo tem seu tempo e não há necessidade de atingir, causar inveja ou ciúmes, se vingar e principalmente não há necessidade de provar nada ao ex nem a ninguém. Enfim, a competição não ocorre sempre, mas é algo bastante comum se você for reparar, só que ninguém gosta de admitir que faz isso.
Mas há um lado bom nessa competição de fim de namoro? Na minha opinião há sim. Apesar de eu achar essa competição ridícula, eu acho que existe um lado bom, o lado da busca pela sobrevivência, acho que é saudável você se esforçar para estar bem, para conhecer alguém legal, para melhorar de vida, mesmo que seja com o objetivo inicial de apenas querer se exibir pro seu ex e mostrar que você está bem sem ele ou melhor que ele (há também o "seguir em frente" para conseguir esquecê-lo, mas isso é tema pra outro post). Com o passar do tempo, o que iniciou como uma competição infantil de "eu tenho tu não" pode deixar de sê-lo e se tornar a sua felicidade no presente, pela qual você lutou para provar ao ex, aos outros e a si mesmo que você era capaz de estar numa boa sem ele. Cedo ou tarde a competição vai diminuir ou simplesmente acabar, restando os frutos, bons ou podres. Todos queremos ser felizes, estar por cima, e é bom sentir que estamos bens, mesmo ao saber que nosso ex também está bem. Isso é o ideal: todos bem, vivendo suas vidas. Mas de qualquer forma, mesmo tendo algum lado positivo mínimo na competição, continuo achando patética essa que visa atingir o ex, querer ser melhor e estar melhor para atingi-lo, o ideal seria as pessoas fazerem isso por si mesmas, no seu tempo, não com caráter competitivo e às pressas pra ganhar a batalha de quem está melhor de vida e mais feliz. Por essas e outras às vezes é bom nem ficar a par do que o ex está fazendo ou deixando de fazer e ir viver a sua própria vida, pra evitar competições bobas, decepções, ciúmes, inveja e uma sorte de sentimentos negativos que essa situação pode trazer. Mas sabemos que, mesmo sendo possível, não é coisa das mais simples não se importar nem querer saber, não quando se trata de alguém que ainda faz parte de nossos sentimentos, sejam eles bons ou ruins...
E você o que acha da competição entre ex? Como você lida com isso? Já se pegou "competindo" alguma vez? Ishh, eu já, e aposto que você também, hehe...
(Joseph Sayers)
Confira o texto anterior da seção Mente Efervescente, sobre amigos que somem:
"AGORA EU ESTOU NUMA BOA, NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ!".
That's it!
enviada por Garland
24/01/2005 03:03
MINHAS FONTES...
"Um assunto que eu tenho pensado e sobre o qual conversei com minha amiga Marcinha"... Já usei essa frase algumas vezes aqui no blog e certamente usarei muitas vezes ainda. Pois é, entre mim e Marcinha os papos são tão legais que tudo vai fluindo de tal forma que cada assunto poderia virar um post interessantíssimo aqui, só juntando e colando os diálogos. Uma troca de idéias, opiniões e constatações muito legal, não tenho isso com mais nenhum dos meus amigos, desculpe gente, mas essas coisas a gente não escolhe, acontecem, hehe, por isso Marcinha é uma amiga muito especial pra mim, minha melhor amiga pra um papo mais cabeça sobre sentimentos, amor e emoções, sobre tudo. Para falar besteira o vencedor é o Igor, a mesma liberdade que tenho com Marcinha tenho com ele, falamos sobre tudo, com o diferencial de que o papo com Igor é mais bagaceira e mais engraçado, raramente algo "cabeça", com Marcinha, mesmo entremeado com bom humor, o papo é mais sério. Tenho uma grande afinidade com essas duas pessoas, sendo que uma está longe e nunca vi pessoalmente e outra está próxima e vejo com certa freqüência. Essas duas pessoas cada uma a seu modo, em nossos papos, nas histórias delas, nas trocas de idéias, são fontes de muitos questionamentos e constatações para mim: tantos assuntos que já conversamos, tantas vivências que compartilhamos. Disso tudo, e das coisas que eu vivo no dia-a-dia nos meus relacionamentos amorosos e com outros amigos, é que tiro a matéria-prima para a existência desse blog, em especial da nova seção Mente Efervescente. Olha que eu já contabilizei 50 temas que quero abordar nesse espaço, então se vocês duvidam de meu poder de arranjar assunto, podem ter certeza de que isso não vai acontecer tão cedo, hehe. Bom, acho que antes ser alguém que reflete e tem conteúdo na caixola (mesmo que essas reflexões às vezes nos levem à beira da loucura), do que ser alguém vazio, sem assunto, sem opinião, pra quem tudo tá bom, desinteressante ou que só fala besteira quando abre a boca. Ô, tô me achando né? Hehe, nada disso, simplesmente tô tentando me valorizar, pois nos últimos tempos eu ando meio que me recriminando por pensar demais, mas acho que tenho que focalizar o lado bom da coisa, que isso apesar de fazer de mim uma pessoa chata às vezes, também é algo que me faz ser alguém com opinião, personalidade, e o melhor, me faz ser alguém interessante. Caso contrário você nem estaria mais lendo esse texto não é? Hehehe...
That's it!
enviada por Garland
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