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06/02/2005 21:14
Conto CAIO FERNANDO ABREU do Mês
Presente no livro O Ovo Apunhalado, lançado originalmente em 1975, trago nesse mês o conto Do Outro Lado da Tarde, um conto que acho bem bonito, tocante. Uma das coisas que mais curti foi que há uma cena muito linda nele, quase cinematográfica eu diria, gostaria de vê-la materializada em imagem, é uma despedida, sem sê-lo, num último encontro. Há chuva, e eu adoro a chuva (clique aqui para saber dessa minha ligação com a chuva), por isso o conto se torna mais especial pra mim. É um belo texto sobre relacionamento amoroso, e quando li acabei refletindo sobre dois assuntos interessantes, de modo que aproveitei a deixa para fazer também uma dupla seção Mente Efervescente, na seqüência, como complemento. Também a Música da Vez, Você Vai Lembrar de Mim (post especial abaixo), foi escolhida como trilha sonora para o conto e para os meus textos, pois fala sobre um assunto semelhante. Enfim, rendeu pano pra manga esse continho né? Coisas de Garland... Essa versão de Do Outro Lado da Tarde foi retirada de uma edição de O Ovo Apunhalado revisada pelo autor, em 1984. Confira:

DO OUTRO LADO DA TARDE
Para Maria Zali Folly

Sim, deve ter havido uma primeira vez, embora eu não lembre dela, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, logo depois dessa em que nos encontramos completamente despreparados para esse encontro. E digo despreparados porque sei que você não me esperava, da mesma forma como eu não esperava você. Certamente houve, porque tenho a vaga lembrança - e todas as lembranças são vagas, agora -, houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Depois, aquela primeira vez e logo após outras e mais outras, tudo nos conduzindo apenas para aquele momento.

Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. E foi essa coisa que me levou há pouco até a janela onde percebi que chovia e, difusamente, através das gotas de chuva, fiquei vendo uma roda-gigante. Absurdamente. Uma roda-gigante. Porque não se vive mais em lugares onde existam rodas-gigantes. Porque também as rodas-gigantes talvez nem existam mais. Mas foram essas duas coisas - a chuva e a roda-gigante -, foram essas duas coisas que de repente fizeram com que algum mecanismo se desarticulasse dentro de mim para que eu não conseguisse ultrapassar aquele momento.

De repente, eu não consegui ir adiante. E precisava: sempre se precisa ir além de qualquer palavra ou de qualquer gesto. Mas de repente não havia depois: eu estava parado à beira da janela enquanto lembranças obscuras começavam a se desenrolar. Era dessas lembranças que eu queria te dizer. Tentei organizá-las, imaginando que construindo uma organização conseguisse, de certa forma, amenizar o que acontecia, e que eu não sabia se terminaria amargamente - tentei organizá-las para evitar o amargo, digamos assim. Então tentei dar uma ordem cronológica aos fatos: primeiro, quando e como nos conhecemos - logo a seguir, a maneira como esse conhecimento se desenrolou até chegar no ponto em que eu queria, e que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se foi realmente um fim. Mas não consegui. Não era possível organizar aqueles fatos, assim como não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos.

Durante todo o tempo em que pensei, sabia apenas que você vinha todas as tardes, antes. Era tão natural você vir que eu nem sequer esperava ou construía pequenas surpresas para te receber. Não construía nada - sabia o tempo todo disso -, assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e nós não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo.

E era sempre de tarde quando nos encontrávamos. Até aquela vez que fomos ao parque de diversões, e também disso eu lembro difusamente. O pensamento só começa a tornar-se claro quando subimos na roda-gigante: desde a infância que não andávamos de roda-gigante. Tanto tempo, suponho, que chegamos a comprar pipocas ou coisas assim. Éramos só nós depois na roda gigante. Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você. Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada - pelo menos antes disso nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço. Coisas assim.

Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou. Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram - e a roda-gigante parou. Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado. Esperamos. Acho que comemos pipocas enquanto esperamos. Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse. Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas.

Não sei se chegamos a nos abraçar, mas sei que falamos. Não havia nada para fazer lá em cima, a não ser falar. E nós tínhamos tão pouca experiência disso que falamos e falamos durante muito e muito tempo, e entre inúmeras coisas sem importância você disse que me amava, ou eu disse que te amava - ou talvez os dois tivéssemos dito, da mesma forma como falamos da chuva e de outras coisas pequenas, bobas, insiginificantes. Porque nada modificaria os nossos roteiros. Talvez você tenha me chamado de fatalista, porque eu disse todas as coisas, assim como acredito que você tenha dito todas as coisas - ou pelo menos as que tínhamos no momento.

Depois de não sei quanto tempo, as luzes se acenderam, a roda-gigante concluiu a volta e um homem abriu um portãozinho de ferro para que saíssemos. Lembro tão bem, e é tão fácil lembrar: a mão do homem abrindo o portãozinho de ferro para que nós saíssemos. Depois eu vi o seu cabelo molhado, e ao mesmo tempo você viu o meu cabelo molhado, e ao mesmo tempo ainda dissemos um para o outro que precisávamos ter muito cuidado com cabelos molhados, e pensamos vagamente em secá-los, mas continuava a chover. Estávamos tão molhados que era absurdo pensar em sairmos da chuva. Às vezes, penso se não cheguei a estender uma das mãos para afastar o cabelo molhado da sua testa, mas depois acho que não cheguei a fazer nenhum movimento, embora talvez tenha pensado.

Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou.


.............
SEÇÃO MENTE EFERVESCENTE
"TÉRMINO" SEM CONVERSAR: COVARDIA, PREGUIÇA OU O QUE?

Espero que tenham gostado do conto, não sei ao certo porque a escolha desse conto nesse momento, um conto que fala de lembranças, de relacionamento, de despedidas, de falta de despedidas... Talvez tenha alguma coisa a ver comigo mesmo, com vivências recentes, mas acho que é simplesmente porque lendo os contos de Caio para pôr algum no blog, esse em especial me tocou, achei bonito e pra mim teve muito significado no momento em que o li. É um conto que fala de término de relacionamento, ok, não exatamente término, acho que afastamento é a palavra mais adequada. O conto parece que conta uma parte de minha vida, mescla partes de relacionamentos que eu tive. Eu me vejo na pele desse personagem, principalmente quando eu me lembro de meu relacionamento com Ludi, que vinha todas as tardes me ver em meu quarto de hotel quando eu morava em Curitiba. Um dia ele parou de vir, assim sem dar maiores explicações, e a mim isso fez muito mal.

Essa coisa de simplesmente sumir e não dar motivos, não terminar o relacionamento, é algo que eu desprezo muito. Porque as pessoas fazem isso, essa sujeira? Por covardia? Por não querer dar o fora em ninguém? Por medo de chegar e dizer a verdade? Por preguiça de dar alguma justificativa? Por não saber expor os seus próprios sentimentos? Por sem-vergonhice, canalhice mesmo? Por não querer magoar o outro? Não sei, acho que pode ser por qualquer uma dessas razões, ou por todas... Só sei que eu acho isso uma sacanagem, ninguém merece isso quando está envolvido, quando foi levado a crer que havia sentimento por parte da outra pessoa, quando havia um relacionamento. Enfim, eu gosto de saber os motivos, e não gosto de situações mal-resolvidas, não-discutidas, não-finalizadas, por isso pessoas covardes ou preguiçosas que agem assim, são desprezíveis pra mim. Eu acho que é melhor levar um fora, e saber porque foi "desprezado" ou porque não interessava mais à outra pessoa, do que ser poupado disso e ficar sem saber, imaginando mil razões, sofrendo, sem ter um motivo claro. Mas pessoas covardes que não sabem ou não gostam de expor o que sentem, preferem o famoso "deixa quieto", o tempo dá um jeito, pra que se estressar né? Pra elas é mais fácil começar a evitar o outro, não atender mais os telefonemas, não responder e-mails, só sumir.

Eu não fui atrás de Ludi para tentar saber as razões dele após o sumiço. Mas se acho algo tão necessário, por que não fui? Porque a gente cansa sabe? Cansa de sempre ter que ir atrás das razões, quando o outro não se importa em expressar o que sente, os seus motivos, e Ludi era assim... Então não fui atrás, esperei ele vir até mim e falar o porquê, mas ele não veio. Há quem diante de um sumiço desses, acabe não agüentando e vá atrás querendo saber o que aconteceu, natural isso. Geralmente acabam não recebendo resposta nenhuma ou então recebem uma resposta fraca, afinal "se o tempo já passou pra que desenterrar razões e motivos pra atitudes que já foram tomadas, que já são passado? Deixa quieto!". Há quem simplesmente faça como eu fiz, não vá atrás, deixe a situação inacabada, entenda como um término e parta pra outra, afinal pra que perder tempo com quem não se importou com a gente? Não é meu perfil fazer isso, "deixar quieto", mas nesse caso foi o que eu fiz, eu não suportava mais ir atrás de Ludi, querendo saber os porquês. Mas por conta de não saber, sofri. "Quais os motivos? Onde foi que eu errei? Foi algo que eu fiz ou disse? O que houve???"

Eu via Ludi na rua ainda vez ou outra, mas ele não me cumprimentava mais. Tempos depois eu descobri as razões de Ludi para o afastamento sem explicações, não pela boca dele, mas sim de um amigo dele que me procurou para conversar. O próprio Ludi voltou a me procurar tempos depois, arrependido, querendo retomar contato, mesmo querendo retomar um relacionamento, mas aí o mal já havia sido feito. "Mais fácil perdoar e fingir que se não houve um fim real pode haver um recomeço do ponto onde parou?" Pra alguns talvez sim. Pra mim não. A covardia de não pôr as coisas em pratos limpos me feriu e me magoou bastante. Honestidade seria melhor. Bastava dizer uma frase que fosse e não me procurar mais, seria melhor que sumir sem dizer nada, sem dar um motivo. Um bilhete, um cartão, um e-mail, um telefonema, qualquer coisa, por mais frio que pudesse parecer, já seria alguma coisa em que se apegar e entender como "FIM". Eu creio que isso é necessário, para as pessoas ficarem livres, e acho que é uma atitude digna agir assim, por mais que possa machucar o outro, decepcionar, entristecer, por mais desagradável que seja, é preciso dar um FIM, dar uma razão, mínima que seja, para então ir cuidar de sua vida e deixar que o outro vá cuidar da sua com mais tranqüilidade.

................
SEÇÃO MENTE EFERVESCENTE 2:
VOCÊ VAI LEMBRAR DE MIM?
(PORQUE DE ALGUNS LEMBRAMOS TANTO, DE OUTROS TÃO POUCO?)

Além de me lembrar o meu namoro com Ludi, nesse conto de Caio Fernando Abreu há reminiscências também que me lembram meu lance com Rapha, presentes em algumas partes ao longo do texto, sobretudo na sensação de “vazio” que muitas vezes eu sentia quando de nossos encontros, é uma das lembranças que tenho de alguns de nossos momentos juntos e parece que nesse namoro relatado no conto havia isso também. Não sei explicar. Quem leu o conto ou já viveu algo parecido deve entender o que estou falando. Mas enfim, não é sobre silêncios e vazios que quero falar, e sim sobre lembranças.

Esse conto, para além do assunto "afastamento sem terminar namoro" que falei acima, faz a gente refletir sobre esse outro tema: lembranças. Do Outro Lado da Tarde é um belo conto de reflexão sobre um relacionamento que acabou, mas é um conto feito de lembranças, que no caso são aquelas que com o passar do tempo acabam ficando vagas. Os namoros na vida da gente são assim mesmo, terminam e deixam lembranças, umas vívidas e marcantes, outras vagas e enevoadas. Relacionamentos são assim... Eu sou alguém que lembro com freqüência dos detalhes, sobretudo de meus namoros, talvez isso seja ruim, pois remoer ou lembrar detalhes tristes ou chatos é uma merda, tem coisas que mereciam ser esquecidas, mas saber que os detalhes bons e agradáveis estão na memória eu acho que é algo legal. Perceber que prevalecem as lembranças boas, é sinal de que o namoro valeu a pena, que o amor valeu a pena. Até mesmo quando permanecem na memória coisas ruins as quais mesmo querendo esquecer não conseguimos, também tem um lado válido, pois tudo é aprendizado e serve para evitar repetir os mesmos erros no futuro.

Acredito que as principais matérias-primas das lembranças são as emoções, os sentimentos e as pessoas, quanto mais intensas e interessantes mais provável permanecerem na memória da gente. Por algumas pessoas que passam por nossas vidas nutrimos sentimentos fortes, sejam bons como amor, atração e admiração, sejam ruins como mágoas, desprezo ou mesmo ódio. A intensidade do sentimento norteia muito a lembrança e certamente acabamos guardando mais lembranças de sentimentos fortes, de pessoas que nos despertaram esses sentimentos, e de momentos vividos ao lado dessas pessoas. Tudo se mescla, intensidade do sentimento e características da pessoa que estava ao nosso lado, com a qual convivemos, seja amigo, parente, colega, namorado. Há pessoas que nos marcam, seja pela personalidade, seja pelo físico, seja por atitudes que tomou, seja por coisas que disse, seja pelo beijo, pelo sexo, pelas brigas, por coisas boas ou ruins, etc, são essas que vão ter mais espaço na nossa memória, dessas que vamos ter mais lembranças, essas serão as mais marcantes. Por outro lado pessoas vazias, apagadas, que não nos motivaram, pelas quais não chegamos a sentir nada forte, essas costumam passar por nossas vidas de maneira pálida e a tendência é serem esquecidas, quando somem não deixam marcas e as lembranças são poucas e, na verdade, na maioria dos casos nem vale a pena lembrar mesmo.

O tempo vai diluindo a memória, sobram só as lembranças das coisas marcantes, momentos marcantes, sentimentos marcantes, pessoas marcantes. De alguns momentos de nossas vidas e de algumas pessoas temos poucas recordações, imagens vagas, ou mesmo nenhuma... de outro/as lembraremos para sempre. Tenho várias pessoas que passaram pela minha vida que eu lembro até hoje e sei que lembrarei para sempre, delas e de muitos momentos vividos ao lado delas, da mesma forma que de algumas mal lembro, são só uma imagem, alguns flashes na minha mente de seus rostos, de momentos passados juntos.

Quando um namoro chega ao fim a gente pensa que seremos lembrados, que não será fácil do outro nos esquecer, gostamos de pensar desta forma, acho que é instintivo, é o ego falando, quem não tem a tendência a achar que é inesquecível? Hehe. Eu tenho essa tendência, mas para algumas pessoas não faço a menor questão de ser inesquecível, e sei que fui só mais um que amanhã ou depois já nem será lembrado. Mas gosto de pensar que pelo menos para aquelas pessoas a quem eu me dediquei, me expus, amei, fui intenso, eu não serei mais um qualquer que será facilmente esquecido. Gosto de pensar que sou marcante, ao menos para essas pessoas que eu fiz questão de ser, e que mesmo daqui um tempo, estejam elas onde estiverem, esteja eu onde estiver, elas lembrarão de mim. É algo que a gente não pode saber se realmente será assim, pois as lembranças são do outro. Mas é bom depois de um tempo, mesmo anos, receber um telefonema, um e-mail, ou mesmo uma visita, um pedido de retorno, ah é bom, é sinal de que não fomos em vão e que significamos, que ainda somos lembrados, faz bem pro ego saber disso, pois é a prova de que não passamos em branco, de que fomos/somos alguém marcante. Acredito que um dos sentidos da vida é saber que temos ou tivemos importância para alguém, para algumas pessoas, que marcamos, é um sinal de que nossa existência não foi em vão, de que valeu a pena viver.

..........................
Well, depois de tanto escrever, vou ficar um tempo sem postar, quem quiser que leia isso tudo aí em cima, hehe, vou tirar uns dias de férias. Para quem está em clima de carnaval ou mesmo para quem não está eu indico a leitura do conto do Caio Fernando Abreu entitulado "Terça-feira Gorda", que se passa no carnaval, basta acessar aí no menu lateral, onde é possível encontrar outros ótimos contos do escritor. Até semana que vem!
That’s it!
enviada por Garland



06/02/2005 19:25
MÚSICA DA VEZ
VOCÊ VAI LEMBRAR DE MIM de NENHUM DE NÓS


Música linda do grupo gaúcho Nenhum de Nós, pra mim é uma das melhores músicas pop lançadas no Brasil, com muita elegância na parte instrumental e uma letra maravilhosa. Fala de despedida, término de um relacionamento... Quem já não se viu na situação descrita no trecho: "Tudo bem se não deu certo, eu achei que nós chegamos tão perto, mas agora com certeza eu enxergo, que no fim eu amei por nós dois"? A música também fala de algo comum em fim de relacionamentos, como o próprio título da música demonstra: a tendência a pensar que o ex vai lembrar da gente... Enfim, sonoridade e letra nota 10. Adoro essa canção, mesmo não sendo grande fã da banda.

Você Vai Lembrar de Mim faz parte do álbum Paz e Amor de 1998: diferente dos trabalhos anteriores da banda, este cd trouxe influências do novo rock inglês, elementos da música eletrônica e ênfase na utilização das guitarras, com teclados se sobressaindo no timbre certo e na hora certa. O Nenhum de Nós surgiu há quase 20 anos, em 1986, no Sul do país, quando os amigos Carlos, Sand e Thedy, entusiasmados com o movimento crescente do rock nacional, resolveram montar uma banda, com algumas influências de rock inglês, folk americano e brasileiro. Em 1987, depois de uma apresentação na SAPI (Imbé-RS) foram convidados para gravar seu primeiro disco pelo selo Plug da RCA, em 1989 gravaram seu segundo disco "Cardume" e daí pra frente não pararam mais. Entre as músicas mais marcantes da banda estão O Astronauta de Mármore, Camila, Camila, Vou Deixar Que Você Se Vá, Amanhã ou Depois Paz e Amor e esta que está tocando no blog no momento, Você Lembrar de Mim, cuja letra você acompanha a seguir:

VOCÊ VAI LEMBRAR DE MIM

Quando eu te vejo
Espero teu beijo
Não sinto vergonha
Apenas desejo

Minha boca encosta
Em tua boca que treme
Meus olhos eu fecho
Mas os teus estão abertos

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora - com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
Que explica tudo sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora - com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra! Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembrar é o nosso final feliz
Você vai lembrar...vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim


Até a próxima música da vez!
That’s it!
enviada por Garland



06/02/2005 10:15
É CARNAVAL, É A DOCE ILUSÃO...
Não sou muito chegado em carnaval, acho aquilo tudo algo meio irritante, cansativo. É só um monte de gente suada e bêbada se esfregando e uma barulheira danada. Não curto muito o samba, nem sou fã de axé, pagode e outros ritmos que costumam tocar no carnaval, até escuto alguma coisa, mas logo fico enjoado. Mas sei que boa parte da minha birra com carnaval se deve ao fato de eu não ter um grupo de amigos mais festeiros e que curtam pular carnaval. Pra mim carnaval não tem graça nenhuma sozinho, é algo pra se celebrar com os amigos, daí sim pode ser extremamente divertido, soltar a franga mesmo, ehehe. Agora, sair de casa sozinho e ir pra folia só, acho meio deprimente.

Época de esquecer os problemas do dia-a-dia e sambar, beijar, curtir, beber muito e trepar, o carnaval tem esse poder de trazer alegria mesmo pra quem não tá passando uma fase boa na vida pessoal. Todos os problemas tiram “férias” e voltam só depois desses dias de folia. Acho isso uma das coisas mais legais do carnaval, esse efeito anestésico e esse clima super-animado. Os desfiles, fantasias, competições, nem acho grandes coisas. A verdade é que não tenho nada contra o carnaval, só não sou fã mesmo disso, pra mim se nem existisse tava bem bom também...

Esse ano eu achava que como de costume passaria o carnaval em casa, ignorando solenemente a data, de tv desligada pra nem correr o risco de ver desfile de escolas de samba (sim porque mais deprimente que ir pro carnaval sozinho é ficar sozinho em casa vendo bunda na tv), mas acabei saindo nessa sexta, com meu amigo Igor. Fomos na boate NH. E tava ótimo, eu adorei, me diverti bastante. Não fiquei com ninguém, do tipo, beijar, pegação etc, mas curti muito o show da drag, dancei bastante, curti ver os caras bonitos na boate e entrei no dark room com o Igor pra dá uma pegada no pau de um cara bonito, ahaha (uma putariazinha tinha que rolar né?). Mas só fiquei na pegada mesmo. Lá um cara me viu e pediu pra chupar meu pau, mas não deixei, aliás em momento algum coloquei pra fora. A verdade é que mesmo entrando em dark room, eu ainda sou muito fresco pra esse tipo de ambiente, tenho nojo de quase tudo. Entrei mais pra pegar na jeba do tal cara gato e pra tentar dar uma olhada na galerinha lá dentro, e olha que até que deu pra ver uns se comendo, hehe. Ê puta véia! Mas foi 10 a noite. Tanto que estou pensando em ir novamente na NH na segunda ou terça, mesmo que sozinho. Ainda não é 100% certo que vou, mas é provável que sim. Acho tão chato ficar em casa sabendo que todo mundo tá se divertindo por aí, que deprê isso... Então, quem diria, vou pro carnaval.

E acabo de lembrar, há um ano eu conhecia o Rapha, não exatamente um ano, pois foi em 22/02/2004, mas foi bem nessa época de folia, era carnaval de 2004. Ele veio a BC me conhecer, fomos ao cinema juntos, tivemos nossa primeira transa... Nossa, nem parece que já passou um ano, lembro tão bem de cada detalhe, parece que foi ontem... Tanta coisa aconteceu desde então, mas ao mesmo tempo parece que pouca coisa aconteceu. Estranho né? Hehe. Fato é que depois dos vários altos e baixos que passamos, ainda mantemos contato, hoje em dia apenas via MSN, ele está indo morar em Floripa na próxima semana, e nesse momento deve estar fervendo horrores no carnaval de lá, com seus novos amigos. Torço pra que seja muito feliz lá nessa nova etapa da vida dele. E espero que passe mais um, mais dois, mais vários anos e ainda estejamos mantendo contato, sejamos amigos, mesmo que mais distantes e cada um vivendo sua vida, mas ainda amigos.
That’s it!
enviada por Garland



02/02/2005 05:05
A TERÇA-FEIRA E SUAS REVIRAVOLTAS
Cheguei agora há pouco da rua, pé por pé, pra não perceberem que eu havia saído, hehe. Tava com um cara. A noite hoje até que foi bem interessante. Olha só: às 21h e 30min recebo um telefonema de Kiko, é, ele mesmo, aquele carinha que já foi personagem principal desse blog durante um bom tempo, desde 2003 quando ficamos, até março ou abril de 2004. Pois é, de vez em quando ele me liga... E nessa terça ligou pra um proposta "indecente"... Bom, nem tanto, pelo menos pra mim não foi. Ele estava sozinho em casa, e queria que eu fosse lá, estava afim de fazer sexo a 3, coisa que nunca fez. Eu topei na boa, minha última transa com Kiko foi lá por novembro do ano passado eu acho, e apesar de eu não ter mais nada de paixão por ele, ainda o acho tesudinho. Tomei um banho e fui lá no apartamento dele, ele tomou um viagra e me deu um tbem, o qual por medo, tomei só a metade. Demos uns beijos e saímos dar umas voltas pela rua, shopping, calçadão, enfim dar uma caçada básica, tentando encontrar "o terceiro". Kiko acabou ligando pra um cara que ele havia conhecido dias atrás num shopping e acabamos encontrando o tal cara no calçadão, ele estava com um amigo. Kiko começa conversa e convida o cara para ir pro seu apto, o cara topa, se despede do amigo e após um pouco de conversa mole, vamos nós 3 pro apto de Kiko. Eu já intuía que não haveria lugar pra mim naquela história, pois Kiko não falou nada sobre foda a 3 com o cara. Mas eu não me importei nenhum pouco, visto que eu não havia sentido nenhuma atração pelo sujeito, cara de jeca, e não me imaginava chupando nem dando nem comendo ele. Mesmo assim subi ao apartamento de Kiko com eles com a desculpa de que ia beber uma cerveja. Fomos para o quarto, o cara foi ao banheiro e perguntei ao Kiko o que ia rolar, Kiko não sabia as intenções do cara. Quando ele retornou fui ao banheiro para deixar Kiko a sós com o sujeito e saber qual era a vontade dele. Kiko logo bateu no banheiro dizendo que o cara falou que não se sentiria a vontade comigo junto, bem como eu já previa. Falei para Kiko: "tudo bem, eu não curti esse cara, vou embora então, blz? Eu já imaginava, pra foda a 3 tem que ser combinado via internet, desse jeito não dá certo." Zarpei de lá, de certa forma aliviado, pois seria uma foda a 3 péssima, e nem com viagra acho que eu ficaria de pau duro com aquele cara junto.

Mas Kiko havia me atiçado e eu agora estava afim de sexo. Cheguei em casa quase 1h e apelei pro chat, fiquei teclando até 2h e pouco quando decidi mandar uma mensagem de celular pra Kiko perguntando se ele tava de pau duro ainda e dizendo que depois ia querer saber detalhes do que eu havia perdido. Logo ele me liga contando que o cara não quis dar, deixou meter só até a metade e logo reclamou de dor, queria comer Kiko mas Kiko não topou e acabaram ambos tocando punheta. Putz, que deprimente, pensei, mas Kiko disse que curtiu, ao menos o cara era carinhoso.
(Joseph Sayers)
De volta ao chat, acabei me dando bem e combinei um encontro com um cara às 3 horas da madruga em frente a um lugar próximo daqui de casa. Fui e lá estava ele, quando vejo seu rosto, para minha surpresa, era um cara que eu já conhecia de vista de mais de um ano atrás, quando estive na casa de um coroa e esse cara chegou lá. Ele acabou lembrando de mim também e falou que desde aquela vez tinha ficado afim. Vou chamá-lo aqui no blog de Marlon. Tem 25 anos, cabelos castanhos claros meio cacheados, olhos azuis, é atraente e sobretudo muito querido, simpático. Depois de um papo ali sentados em um banco na calçada, seguimos pro apartamento do cara e lá acabamos transando.

(ATENÇÃO! Segue um breve relato sexual com conteúdo pornográfico e palavras vulgares, leia por sua conta e risco!)
Foi bem legal, ao som de Alanis Morissette, o cara tem um corpo bom, bundinha linda, marca de sunga, é meio peludinho, cacete retinho grossura e tamanho quase o mesmo do meu, um pouco maior. Me elogiava, muitos beijos, boquete meu, dedadas dele, tudo ok, mas na transa eu nem sempre fiquei de pau duro e também senti dores atrás, não foi nada com o cara, o lance era comigo mesmo que devia tá com algo meio "fora do lugar" pra sentir tantas dores ao ser penetrado, mesmo quando não era fundo e forte. Não era falta de lubrificação, pois o cara pôs KY, até demais, e tava tudo bem melado. Mesmo assim foi boa a transa, eu senti prazer, fizemos várias posições e gozei gostoso montado sobre ele melando toda a barriga meio peludinha. Depois ele me pegou de quatro na beira da cama e gozou também. Tomei um banho, me despedi e vim pra casa, eram mais ou menos 4h e 40min quando saí de lá.


Foi tudo bem legal, minha noite começou com um propósito e acabou de forma diferente, mas melhor, com certeza. Foi até bom o lance com Kiko não ter prestado, pois o cara que fiquei depois era muito gente boa e querido e acredito que pode vir a se tornar um bom fuck buddy, nos demos bem. A verdade é que não tenho conhecido ninguém ultimamente com intenção de namoro, minha intenção é só ficar mesmo, só sexo. E com esse cara também foi assim. Mas acho que é o meu normal mesmo, primeiro transo pra depois me apaixonar... Tô meio arisco e receoso pra me envolver com alguém tão cedo, mas tô deixando rolar, sem pretensões de nada, quando tiver que acontecer acontecerá...

No mais, minha vida anda bem pacata e não tenho nada de especial para contar aqui no Dirty Pearls por enquanto. Mesmo assim coisas pra postar sempre tem, músicas, filmes, contos, reflexões e essa semana tem a seção Mente Efervescente viu? Não percam.
(Joseph Sayers)
Ah, meu pau tá com uma espécie de dor meio estranha, acho que é do viagra, ehehe, coisas de doido.
That's it!
enviada por Garland